quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Ensino obrigatório poderá ser de 14 anos


"O ministro da Educação, Fernando Haddad, encaminhou ao Palácio do Planalto na terça-feira, 28, uma proposta de mudança no tempo mínimo de ensino obrigatório, dos atuais nove anos para 14 anos. De acordo com a proposta, enviada por meio de uma nota técnica, as crianças teriam de ser matriculadas na escola aos quatro anos de idade e permanecer até os 17, pelo menos. Esse período abrange a pré-escola (quatro e cinco anos), ensino fundamental (seis a 14) e ensino médio (15 a 17). Hoje, a obrigatoriedade é apenas para o ensino fundamental."

Uma boa iniciativa! Pode não ser tão eficiente como se almeja, mas é muito melhor do que está. Gol do MEC.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Maradona é o novo técnico de futebol da Argentina


Será a consagração do mito ou o início de uma longa série de milongas e tangos nostálgicos. Se D. Diego colocar a Argentina no pódio como a maior força do futebol na próxima COPA, então será a ruptura total da vieja Argentina de Perón, Evita, Galtieri e Videla.

Será que assim, a Argentina mitológica cederá a uma Argentina estratégica, de espaços vazios e ricos, abraçada na Antártica e definindo o futuro do equilíbrio geopolítico mundial?

Tem mais: Presidente Diego Armando Maradona não seria mais um anátema político.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

A CCJ aprova a admissibilidade da PEC 277/08



A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou hoje a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 277/08, do Senado, que aumenta os recursos orçamentários federais vinculados à Educação. A PEC reduz anualmente em três anos (de 20% para zero) o percentual da Desvinculação de Receitas da União que incide sobre os recursos destinados à área. Estima-se que haverá em 2011 um adicionalde 7,5 bilhões de reais para a educação.

Há um caminho longo para a PEC ser aprovada. Já é um bom começo.

Fonte: Portal da Câmara dos Deputados.

Personagens inesquecíveis que foram esquecidos


Sentiu um arrepio de repulsa ou de arrependimento? Ou foi nostalgia? Se você não sentiu nada, não tem problema. A maior parte do mundo não sabe quem foi esse personagem. Mas deveria. Clique no nome e terás um resumé.



Nossa nova sessão. Aqueles que pareciam eternos de tanto a mídia ou parte dela falar mas que foram abduzidos da história.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Aos blog-leitores


Nós não vamos parar esse blog.
Nós abrimos esse espaço a qualquer comentário cultural, político, científico, atemporal ou hodierno. Nossos e de todas as mentes inquietas e amorosas; de amor à vida, à liberdade, ao outro. Aceitamos lenitivos para a mente na forma de textos, fotos e vídeos. Aqui nos libertamos e propomos buscar um mundo libertário. Aqui há diferenças. Aqui se quer a paz. Aqui se quer a convivência. Aqui se quer justiça. Aqui se quer alegria, amizade e grandeza nos gestos. Aqui é a vala dos tiranos, a tumba dos déspotas, o ocaso dos verdugos. Aqui vivem iconoclastas. Aqui mora a perseverância. Aqui se faz um naturismo virtual: despimo-nos dos preconceitos, das fórmulas prontas, do jargão utilitário, do compromisso de compadrio, da dissimulação dos títulos e do fetichismo do consumo.

Agradecemos a sua presença nessa oca, nesse blog, nessa tribo.

Efeitos colaterais da crise financeira mundial sobre a alocação dos docentes no REUNI

Humor.

Você conhece o Journal of Negative Results?




O Journal of Negative Results in Biomedicine é um periódico que publica artigos com resultados inesperados, controversos ou provocativos. Tem um impacto de 1,38. A ligação pode ser feita clicando aqui http://www.jnrbm.com/. O acesso é aberto.
Veja alguns exemplos de artigos:

Susanne Brummelte et al.,2008. Environmental enrichment has no effect on the development of dopaminergic and GABAergic fibers during methylphenidate treatment of early traumatized gerbils.

Ulla Svantesson et al., 2007. Body composition in male elite athletes, comparison of bioelectrical impedance spectroscopy with dual energy X-ray absorptiometry.

Uffe Laessoe et al., 2007. Fall risk in an active elderly population – can it be assessed?

domingo, 26 de outubro de 2008

A entrevista do economista, Prof. Titular da USP, LUIZ GONZAGA BELLUZZO é o olhar em terra de cegos




“Cortar gasto público? Foi essa receita que empurrou a Alemanha para o nazismo em 1933”. LUIZ GONZAGA BELLUZZO concedeu entrevista à Carta Maior. Imperdível: sereno, claro e sem preconceitos, o Professor Belluzzo desvela a crise (que ainda chegará na sua despensa ou no seu cotidiano acadêmico).

Seria uma das vítimas da crise o REUNI no atual formato?
Estima-se a perda de investimentos de 40 bilhões no ano que vem no Brasil. A crise poderá piorar.
Corta-se gastos no que se tem ou no que ainda poderá vir?
Uma vez implantado, pode se voltar atrás nos compromisos assumidos com os segmentos acadêmicos? Pode se voltar atrás nos compromissos com a sociedade extra-classe e extra-lab?
Você confia no Presidente do Banco Central e no Ministro da Fazenda?


Novos Reitor e Vice-reitor da UnB foram nomeados


O Prof. José Geraldo de Sousa Júnior e o Prof. João Batista de Sousa foram nomeados pelo Presidente da República (veja aqui).

A propósito, dois Sousas na direção máxima da UnB, na reitoria.

Coincidência, nepotismo ou cabala?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

ADUnB faz denúncia pública contra o Correio Braziliense


A ADUnB sob nova direção, denunciou em nota pública a atitude do Correio Braziliense em não aceitar uma matéria considerada como "matéria de opinião", sobre o dia do professor (veja aqui).

A "denúncia" tenta criar um clima de animosidade contra o veículo de informação. Não há a versão do CB a respeito do fato. Segundo a ADUnB sob nova direção a recusa do CB foi uma "censura econômica". Para quem não entende o que é censura econômica, é aquela forma de exclusão que se faz contra a maioria dos professores da UnB nas gestões passadas tenebrosas, excluindo-os da evolução acadêmica e das oportunidades, por não gerarem dividendos com suas atividades acadêmicas, à determinadas instâncias. Ou que se opuseram aos desmandos naUnB.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

A crise financeira mundial e a nossa conta


A mídia martela incessantemente que não se sabe a extensão da crise. Os especialistas não param de falar que o Brasil não sairá incólume. A ênfase e a repetição da ladainha é tão intensa que está se tornando um barulho de fundo, que está ali mas que já faz parte do nosso cotidiano.

Parece que esperam ouvir de nós: "sim, está certo, a crise será grande. Aceitamos que a crise será terrível, que haverá escassez de crédito, que virão piores dias pela frente etc. Está certo, estamos convencidos para passar o pior."

Depois de estarmos convencidos, será mais fácil uma ação política para debitar a conta na nossa despensa, na redução do nosso lazer, na piora da qualidade da educação dos nossos filhos, no adiamento da reforma da casa, no adiamento daquele filho planejado, na aquisição daquele livro...

E os donos da banca? Eles terão as suas parcelas de prejuízo na crise. Alguns trocarão as amantes, outros de marina.

Pelo menos a crise serviu para reduzir os custos do combustível para as aeronaves, o que vai permitir que os maganos fujam desse estresse para Las Vegas ou Dubai. Em seus próprios learjets.

domingo, 19 de outubro de 2008

IMAGÉTICA

Foto de autor desconhecido tomada durante a marcha dos SEM (veja nesse blog), na semana passada. Professora Marli Helena Kümpel da Silva, Diretora do Núcleo de Erechim do CPERS (Sindicato dos professores de escolas do ensino básico e secundários do Rio Grande do Sul), ferida pela explosão de uma "bomba de efeito moral". Houve fratura exposta na perna.

Há dor no teu rosto lívido. Não é a dor física de chorar, de olhar o ferimento, de lamentar o sangue empapado.

É uma dor das piores, daquelas que não se descreve e nem o choro resolve.

Há a dor da incompreensão no teu olhar focado no grupo de policiais. Uma dor de sonho desfeito, dor de ultraje. Dor de mulher, de mãe, de geradora que nutriu os desejos de saber das crianças, de contar até dez nos dedinhos, até cem...até não sei quanto de tantos sonhos que nos concedeu a todos, crianças quando fomos...dor de criança que foi um dia. Desencantada, não entende como podem tratar com tanto desprezo aquela que tentou educar a mão para o acolhimento. A mesma mão que lhe bate.

sábado, 18 de outubro de 2008

Frei Leonardo Boff é proibido de falar em evento hoje em Brasília


Notícia veiculada no blog do jornalista Ricardo Noblat:

"Diocese de Brasília proibe palestra de Leonardo Boff

A Diocese de Brasília proibiu o ex-frade Leonardo Boff de fazer uma palestra, no fim desta tarde, durante o encontro chamado "Cebração Latino-americana e Caribenha - 800 anos de Carisma de São Francisco", que reúne cerca de 1.200 pessoas entre religiosos e leigos de nove países.

O encontro foi aberto ontem à tarde no Colégio Santo Antônio e será encerrado amanhã com uma caminhada até o Palácio do Planalto. Ali, os organizadores do encontro entregarão ao vice-presidente da República José Alencar o documento "Carta aos Governantes".

O veto à palestra de Boff foi anunciado por ele mesmo por meio de uma carta lida há pouco. Boff não revelou as razões do veto. E não compareceu ao encontro."

Pensar e falar livre é um pesadelo para algumas instituições.



PALAVRAS ESQUECIDAS


INCÚRIA

Desleixo, negligência.
Exemplos:
1. O processo não pode ser concluído por incúria do relator.
2. A causa do naufrágio foi a incúria de quem pilotava o barco.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Diretor do Cespe/UnB, Prof. Joaquim José Soares Neto, concedeu entrevista


O Prof. Soares Neto afirma que estão sendo tomadas as devidas providências para sanar as irregularidades do Cespe. O pessoal suspeito foi afastado pela reitoria pro-tempore. Está no Correio Braziliense de hoje (sexta-feira). Vale a pena conferir na versão impressa.
Esperemos o desfecho.

Porque os filmes policiais não terão mais sucesso no Brasil


O teatro cotidiano do Brasil não tem igual. Somos os melhores em termos de crimes urbanos e rurais, considerando países que não estão oficialmente em guerra. Com a vantagem da interatividade inclusiva. Ou seja, a qualquer momento você se vê participando de uma peça. Ontem mais uma barbárie. Trinta projéteis no mínimo terminaram com a vida de um diretor de presídio de segurança máxima no Rio de Janeiro, em plena Av. Brasil. Veja aqui.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Polícia Militar do RS está contaminada pela truculência e pelo desrespeito aos movimentos populares


A mídia dá pouco destaque. A história da Polícia Militar do RS está sendo manchada por uma dupla de governo. A imponente (que impõe mas não se impõe) governadora Yeda Crusius (PSDB), filhotinha enjeitada na política nacional e filha de um partido moribundo, manda bater no povo que deveria proteger. A seu comando e agindo com a lógica de um lobotomizado, está um tal de coronel Paulo Roberto Mendes. O tal coroné faz juz a história gaúcha das charqueadas do século XIX, mantendo em conserva a turba, com sapecadas e sal. Mendes é um ente de tradição, cujas raízes estão na Espanha de 1939.

A marcha dos Sem, uma reunião de vários movimentos populares, fazia uma marcha de protesto em Porto Alegre (RS), que se dirigia ao palácio do governo. Eis que no caminho os policiais, devidamente fustigados pelo preconceito de seu comandante, açoitaram, bateram, quebraram, lançaram bombas de efeito moral e apontaram armas para as pessoas. A manifestação pacífica garantida na Carta Magna, virou palco de atrocidades, de pisoteio dos coturnos na democracia.

A tática utilizada não é inédita; faz parte do manual de sobrevivência do coroné Mendes: bater antes, explicar (se necessário) depois. São vários os episódios desse tipo no des-governo de Yeda. As vítimas preferidas são as pessoas que formam o movimento do campo pela reforma agrária. Em um estado em que as terras estão cada vez mais depauperadas e caras, o agrobusiness aconchavou-se com a política da porretada. Próprio de quem tem apenas um argumento.


O lixo da história os aguarda.

Soberania alimentar e a agricultura


JOÃO PEDRO STEDILE e TOMÁS BALDUINO

Atualmente, não mais do que 30 conglomerados transnacionais controlam toda a produção e o comércio agrícola mundial

EM 1960 , havia 80 milhões de seres humanos que passavam fome em todo o mundo. Um escândalo! Naquela época, Josué de Castro, que agora completaria 100 anos, marcava posição com suas teses, defendendo que a fome era conseqüência das relações sociais, não resultado de problemas climáticos ou da fertilidade do solo.

O capital, com as suas empresas transnacionais e o seu governo imperial dos Estados Unidos, procurou dar uma resposta ao problema: criou a chamada Revolução Verde. Ela foi uma grande campanha de propaganda para justificar à sociedade que bastava "modernizar" a agricultura, com uso intensivo de máquinas, fertilizantes químicos e venenos. Com isso, a produção aumentaria, e a humanidade acabaria com a fome.

Passaram-se 50 anos, a produtividade física por hectare aumentou muito e a produção total quadruplicou em nível mundial. Mas as empresas transnacionais tomaram conta da agricultura com suas máquinas, venenos e fertilizantes químicos. Ganharam muito dinheiro, acumularam bastante capital e, com isso, houve uma concentração e centralização das empresas. Atualmente, não mais do que 30 conglomerados transnacionais controlam toda a produção e comércio agrícola.

Quais foram os resultados sociais?

Os seres humanos que passam fome aumentaram de 80 milhões para 800 milhões. Só nos últimos dois anos, em função da substituição da produção de alimentos por agrocombustíveis, de acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), aumentou em mais 80 milhões o número de famintos. Ou seja, agora são 880 milhões.

Nunca a propriedade da terra esteve tão concentrada e houve tantos migrantes camponeses saindo do interior e indo para as metrópoles e mudando de países pobres para a Europa e os Estados Unidos. Somente neste ano, a Europa prendeu e extraditou 200 mil imigrantes africanos, a maioria camponeses. Há oito milhões de trabalhadores agrícolas mexicanos nos Estados Unidos. Setenta países do hemisfério sul não conseguem mais alimentar seus povos e estão totalmente dependentes de importações agrícolas. Perderam a auto-suficiência alimentar, perderam sua autonomia política e econômica.

O pior é que, em todos os países do mundo, os alimentos chegam aos supermercados cada vez mais envenenados pelo elevado uso de agrotóxicos, provocando enfermidades, alterando a biodiversidade e causando o aquecimento global. Isso acontece porque as empresas transnacionais padronizaram os alimentos para ganhar em escala e lucros. Os alimentos devem ser produzidos de acordo com a natureza, com a energia do habitat.

A comida não pode ser padronizada, uma vez que faz parte de nossa cultura e de nossos hábitos. Diante disso, qual é a saída? O Estado, em nome da sociedade, deve desenvolver políticas públicas para proteger a agricultura, priorizando a produção de alimentos. Cada município, região e povo precisa produzir seus próprios alimentos, que devem ser sadios e para todos. Assim nos ensina toda a historia da humanidade. A lógica do comércio e intercâmbio dos alimentos não pode se basear nas regras do livre mercado e no lucro, como pretende impor a OMC.

Por isso, consideramos o alimento um direito de todo ser humano, e não uma mercadoria, como, aliás, já defende a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Cada povo e todos os povos devem ter o direito de produzir seus próprios alimentos. Isso se chama soberania alimentar. Não basta dar cesta básica, dar o peixe. Isso é a segurança alimentar, mas não é soberania alimentar. É preciso que o povo saiba pescar!

No Brasil, com um território e condições edafoclimáticas tão propícias, não temos soberania alimentar. Importamos muitos alimentos, do exterior e entre as regiões do país. Mesmo em nossas "ricas" metrópoles, o povo depende de programas assistenciais do governo para se alimentar. A única forma é fortalecer a produção dos camponeses, dos pequenos e médios agricultores, que demandam muita mão-de-obra e têm conhecimento histórico acumulado.

A chamada agricultura industrial é predadora do ambiente, só produz com agrotóxicos. É insustentável a longo prazo. Por isso, neste 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, as organizações camponesas, movimentos de mulheres, ambientalistas e consumidores faremos manifestações em o todo mundo para denunciar problemas e apresentar propostas para que a humanidade, enfim, resolva o problema da fome no mundo.

JOÃO PEDRO STEDILE , 54, economista, integrante da coordenação nacional do MST e da Via Campesina.

DOM TOMÁS BALDUINO , 85, mestre em teologia, bispo emérito da Diocese de Goiás, é conselheiro permanente da CPT (Comissão da Pastoral da Terra), órgão vinculado à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Fonte: Notícias Agrícolas.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Romilda e nós.


O que tenho para dizer não necessita de muitas palavras. Acredito que muitos, em especial os que já são antigos na UnB, me entenderão.

Quando ingressei na nossa universidade, em junho de 1985, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o que poderíamos chamar de “o protocolo” dos funcionários da Universidade de Brasília, seu grau de humildade, obediência e respeito aos professores. Reinava, e acredito que continua sendo assim na maioria das unidades, uma etiqueta que poderia dizer-se rígida, apesar da cordialidade. Os funcionários da UnB eram e, em muitos casos, continuam a serem pessoas que aceitam a hierarquia das tarefas que fazem parte do dia a dia da instituição acadêmica, e ainda hoje se pode constatar a fidelidade a esse padrão.

Em 1986, quase recém chegada, tive a oportunidade de ter que tratar com Romilda Maccarini, então diretora de Convênios, sobre a liberação de fundos da Fundação Ford que tinham entrado na UnB para o Núcleo de Pesquisas Etnológicas do Depto. de Antropologia. Eu necessitava desses fundos para a realização de uma pesquisa de campo na fronteira entre Argentina, Chile e Bolívia, e a Romilda cooperou com a maior eficiência e demonstrando grande sentido do dever. Impressionou-me a forma em que encarnava sua missão de auxiliar o nosso trabalho. Sua disponibilidade e abnegação para atravessar em tempo a quantidade de barreiras burocráticas que se interpunham entre os fundos depositados e a finalidade que deveriam cumprir foram notáveis, e senti-me agradecida por poder contar com seu apoio e respeito à minha causa científica.

Vinte dois anos se passaram e agora me pergunto: o que aconteceu com a Romilda?

Certa estou de que com a praxe de obediência, disponibilidade e cortesia com que os funcionários trabalhavam à época, sempre se percebendo como peça importante do trabalho acadêmico, porém subordinados à demanda e até, poderíamos dizer, à tutela dos docentes, teria sido impossível que Romilda escolhera por sua própria conta e risco o caminho que escolheu. Não acredito que sem tutela, beneplácito ou influência de alguém o que aconteceu com ela ao longo das duas décadas que se seguiram tivesse acontecido. Em outras palavras, me parece inverossímil que Romilda tenha percorrido esse caminho só, sem a supervisão ou encobrimento de um de nós ou, mais exatamente, daqueles que nos gabinetes administrativos da universidade continuaram a encomendar e supervisar o seu trabalho.

Não estou com isto tentando livrar Romilda das suas responsabilidades. Não a estou isentando do peso de ter que responder perante todos nós e na Justiça se é verdadeiro ou não o que o Correio Braziliense de domingo informa sobre sua conduta na direção do CESPE, e, caso seja verdadeiro, de explicar à comunidade acadêmica e à Justiça a quantidade de abusos e discricionariedades cometidos na gestão institucional.

O que estou afirmando é que não podemos deixar passar a oportunidade de aproveitar o caso emblemático da Romilda para rever as práticas que levaram à deterioração geral da UnB e à corrupção de alguns que, como ela, se encontram em posição subordinada com relação à classe professoral dos dirigentes. Porque, inescapavelmente, o descalabro da Romilda não é outra coisa que um sintoma do descalabro de toda a instituição e, principalmente, dos seus responsáveis. Deixar passar essa oportunidade de entender o profundo vínculo da funcionária Romilda com seus superiores será aceitar que alguns sejam punidos para que outros fiquem impunes e livres para continuar com suas práticas lesivas aos interesses da instituição e da comunidade que dela depende. Não estou invocando a “obediência devida” como justificativa, mas insisto em que há uma hierarquia de responsabilidades.

Conhecendo a UnB, a praxe obediente e a consciência dependente de muitos entre nós, posso arriscar que sei, que efetivamente sei, que a “Romilda” personagem do Correio não é somente Romilda, que não pode ter agido sozinha. Isto é, posso dizer que sei que alguém corrompeu Romilda, e a levou pelos caminhos que ela foi, indicou a ela que era possível agir assim, praticar o que praticou impunemente. Fez a ela acreditar na própria onipotência, garantiu a ela proteção e segurança onde não havia nem poderia haver.

Por isso, em uma palavra, pergunto: quem deseducou Romilda? Tem que ter sido um docente: um de nós.

Rita Laura Segato

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Educadores fazem greve de fome contra sucateamento das escolas gaúchas do MST



A manchete divulgada pela agencia Chasque, refere-se a 27 educadores que não recebem salário há 9 meses do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Há falta de material escolar, cadeiras, mesas e salas para os alunos. Também há falta de merendeiras. A (des) governadora do PSDB, Yeda Crusius tem se notabilizado por uma perseguição incessante aos movimentos populares, em particular o MST.

A governadora reproduz o velho pacto entre a classe dos capitalizados emergentes, a imprensa oficiosa, os proprietários de terras e parte da intelectualidade de conveniência.

A Brigada Militar (Polícia Militar do estado) desajolou os educadores da Secretaria da Educação, mas os mesmos estão acampados em frente ao prédio. A Brigada tem deixado a sua marca nesse desgoverno de Yeda Crusius . Mais precisamente, com a escrita de seus cassetetes, na carne e nos ossos dos sem terra, de estudantes, de professores...