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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Prof. José Geraldo de Sousa Jr. e o Prof. João Batista de Sousa tomam posse na UnB


Coincidência ou não, guardando a devida proporção, Obama foi eleito nos EUA e o Prof. José Geraldo toma posse na UnB. Ambos inciam uma fase que é pós-aborto de uma politica desastrada, retrógrada e maléfica dos velhos dirigentes de suas respectivas áreas de atuação. Ambos suscitam a esperança de que haverá um espaço mais democrático para a cidadania. Não haverá uma grande mudança. Uma retomada da esperança é a pauta.

O Prof. José Geraldo é mais otimista. Disse o mestre em sua posse: “Os alunos souberam ser os tradutores dessa memória histórica porque não atuam por interesses individuais ou econômicos. Eles só se movem pelo horizonte da utopia. São a nossa razão de ser”. Um discurso audaz e cativante. Mas não se acredita mais em ilusionismo. Na realidade da instituição permeia o pragmatismo das relações de troca, de mercantilização do saber, dos clubinhos de excelência e das aulas de conveniência. Ouve-se muita reclamação de assédio moral que sustenta esta rede sociopatologica. Uma patologia social que precisa ser tratada com doses cavalares de democracia, participação e transparência. Aliás, esta última palavra foi adotada pela gestão do Prof. José Geraldo. Merece crédito, vejamos os resultados.
A posição do DCE é interessante: apoio crítico, com uma pauta de reivindicações (veja abaixo).

Pauta da Carta de Princípios elaborada pelo DCE:

1. Defesa da universidade pública, gratuita, de qualidade e a serviço de uma sociedade mais justa;

2. Pela não implementação do Reuni (Decreto de Expansão do Governo Federal) até que haja amplo debate com toda a comunidade universitária. Expansão da UnB com recursos correspondentes, garantindo de forma qualitativa o tripé da universidade: pesquisa, ensino e extensão;

3. Pelo fim das fundações privadas nas universidades públicas;

4. Priorização da política de assistência estudantil, como dimensão importante do papel da universidade na manutenção do estudante, garantindo seus direitos;

5. Concurso público para contratação de professores e servidores técnico-administrativos de forma a suprir o atual déficit no quadro da UnB;

6. Pela paridade nas eleições para todos os cargos eletivos da universidade e na composição de todas as instâncias deliberativas da UnB;

7. Convocação do Congresso Estatuinte Paritário, para discussão do modelo estrutural de nossa universidade;

8.Pela construção imediata de um Restaurante Universitário no campus de Planaltina;

9. Pela ampliação dos horários de circulação do transporte interno e gratuito da UnB e que este faça o trajeto até a rodoviária;

10. Construção de novos prédios de moradia estudantil, e reforma dos prédios usados atualmente, preservando a dignidade dos moradores.

domingo, 27 de julho de 2008

Um texto sobre clientelismo, voto e crime


O jornalista Luiz Carlos Azedo publicou uma matéria explicando em poucas palavras como funciona o esquema de milícias, política e drogas no Rio de Janeiro. O elo entre o cidadão e o criminoso é um contrato de venda amplamente vantajoso a esse último. Permite-se ao cidadão "viver" em troca do voto e do silêncio. Existem dois tipos de contratos: um escrito pela violência (coação) e outro pela letra do clientelismo.
O jornalista enfatiza as palavras do sociólogo Werneck Viana, de que o fenômeno não é localizado, somente carioca. Está em todas as grandes cidades. Pode-se dizer que está em todas as instituições.

Cusiosamente o clientelismo foi uma das marcas da gestão denunciada da ex-reitoria. Não são poucos os comentários e as denúncias de coação na UnB: verbal, processual, assédio, etc.

O texto do sagaz jornalista, que pode ser lido na íntegra aqui, poderia ser transposto à UnB, guardando as devidas proporções? Tire a sua conclusão.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Aluno paga indenização por achar a professora péssima


Isso mesmo! R$ 12.000,00! Mais um caso de "realismo fantástico" em nossa capenga educação. Esse é um típico caso de educassédio moral. Ocorreu na Facet (Faculdade de Artes, Ciências e Tecnologias), particular de Salvador (BA). Clique aqui para ver a matéria completa.

Vamos supor que fosse o contrário. Que os alunos resolvessem processar os professores pelos absurdos que falam em sala de aula, nos corredores, nas reuniões, sobre os alunos. Você já ouviu algum professor ou professora manifestar racismo, sexismo, xenofobia, homofobia, injúria, calúnia, difamação etc de alunos ou alunas?

Vamos pensar em um caso concreto: aquele do Prof. Gustavo Lins Ribeiro ( da Antropologia) que publicamente no Consuni, considerou os docentes "dotados de um pensamento mais complexo do que o dos alunos" (veja aqui no blog Ciência Brasil) . O que ocorreria? Seriam os professores condenados à pagar indenização? Quem pagaria a conta, a UnB ou o professor? Ou a Adunb? Ou haveriam auxílios financeiros pelas fundações da UnB, ao professor que apresentasse um projeto para se defender dos processos movidos pelos alunos?

domingo, 18 de maio de 2008

O Assédio Moral e a violência tácita dentro da academia


Muitos colegas recebem diariamente as mais diversas agressões no cotidiano da academia. São colegas que não se alinham aos grupos econômicos fortes, que são ideologicamente independentes ou que não possuem raízes na corrupção dentro de uam instituição. A ameaça pode ser implícita ou explícita.
Alguns exemplos:
1. Um processo de progressão funcional ou de requisição de materiais recebe pareceres desfavoráveis , ou é dificultado por requisição de novos adendos, por relatores instrumentalizados pelos grupos hegemônicos.
2. Um aluno em estágio ou de pós-graduação é reprovado ou não tem seus pleitos aprovados quando inserido em pesquisas com professores não alinhados com os grupos hegemônicos.
3. Distribuição desigual de carga de trabalho ou carga didática aos professores não alinhados.
4. Interdição às informações essenciais sobre questões e pareceres relativos ao professor não alinhado, quando requerido pelo mesmo.
5. Ameaça de processo administrativo quando há questionamentos de procedimentos de chefes e membros departamentais, pelos professores não alinhados.
6. Ofensas públicas não advertidas por chefes imediatos.
7. Sumiço de processos e requerimentos.
8. Alienação deliberada e sistemárica de um professor não alinhado das decisões colegiadas ou da unidade de lotação.
9. Calúnias e difamações perpetradas em colegiados das unidades acadêmicas.
10. Manipulação de dados funcionais, acadêmicos e administrativos em desfavor de um profesor não alinhado.

Tem mais algumas centenas de exemplos. A academia que deveria se pautar pela relação respeitosa à diferença e pela ética nas relações sociais, em algumas universidades tem se notabilizado por praticas odiosas, racistas, elitistas, discriminatórias e amorais. A maioria dos docentes é vítima desta situação. Alguns acham que isso é até normal.
Não é normal. A situação perdura devido às vantagens que alguns adquirem em pressionar, calar e amedrontar aos demais. As vantagens adquiridas são materiais e sociais. Os cargos de chefia são os pontos chaves desta estrutura maligna. O assédio moral vem acompanhado freqüentemente de patologia social; seus perpetradores possuem as vezes características de sociopatia.
A UnB não é exceção.
Um sindicato, uma administração em qualquer nível, deve zelar peolo bem-estar dos seus membros e coligados. Espera-se que a situação de assédio moral seja explicitada, discutida entre todos e achado soluções rigorosas para impedir esta patologia social no nosso meio.

A ANDES SN fará um seminário em breve aqui em Brasília, sobre o assédio moral. Veja aqui: 3ª Reunião Intersetorial do ANDES-SN discutirá práticas anti-sindicais e assédio moral.