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quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Estudantes de Alagoas ocupam a reitoria; e do Rio de Janeiro também


"Alunos ocupam reitoria da Uncisal após nota ruim da instituição

Universidade de Alagoas foi a pior em ranking divulgado pelo MEC.
Estudantes querem melhores condições de ensino.

Estudantes da Universidade de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) ocuparam a reitoria da instituição, no fim da manhã desta quarta-feira (10). O ato é um protesto pelo mau desempenho da universidade em ranking divulgado pelo Ministério da Educação (MEC). A Uncisal, que é estadual, teve o pior Índice Geral de Cursos (IGC) entre as universidades do país. "

Veja aqui, a matéria do G1.



"Estudantes ocupam reitoria da Uerj e pedem suspensão do vestibular

11/09/2008 - 20:05:57
Cerca de 300 estudantes de todos os cursos ocupam há quase vinte e quatro horas a reitoria da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Os alunos pedem, entre outras coisas, a suspensão temporária do vestibular, a melhoria na infra-estrutura da universidade e o aumento do número de professores e técnicos administrativos contratados". Cique aqui para ver matéria completa no Jornal de Brasília.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A OCUPAÇÃO, A TRANSFORMAÇÃO E A ELEIÇÃO

"O destino de sete homens após uma invasão

Quarenta anos depois da pior ocupação da Universidade de Brasília pelos militares, o Correio resgata a história dos estudantes considerados subversivos que teriam motivado a investida

Ana Beatriz Magno
Da equipe do Correio
Arquivo UnB - 29/8/68
Militares no câmpus em 29 de agosto de 1968: carro virado para incitar o confronto com alunos

Arquivo UnB - 29/8/68
Cinqüenta estudantes acabaram presos na invasão de agosto de 1968

A semana começou com a estréia do faroeste A volta dos sete homens no Cine Brasília e terminou com uma caçada sangrenta a sete moços que não voltaram para casa naquela quinta-feira, 29 de agosto de 1968.

O bangue-bangue de Burt Kennedy contava a saga de um grupo de mexicanos pelos Estados Unidos e era a continuação do famoso Sete homens e um destino, estrelado por Charles Bronson.

Como no filme, os sete estudantes caçados pelos corredores da Universidade de Brasília há exatamente 40 anos tinham um único destino: enfrentar a ditadura. Às 10h, cerca de 50 carros da polícia fecharam as ruas que davam acesso ao câmpus.

Os policiais chegaram com metralhadoras, mosquetões e pistolas. Espalharam medo e bombas de gás lacrimogêneo. Invadiram salas de aula, quebraram laboratórios, interromperam provas e entraram para a História como os responsáveis pela pior das oito invasões sofridas pela UnB durante o regime militar.

Os militares alegavam que estavam cumprindo mandado de prisão preventiva contra sete alunos subversivos. Prenderam 500 moças e rapazes numa quadra de esportes, carregaram 50 estudantes para a delegacia, atiraram na cabeça de um jovem.

Mauro Burlamaqui, José Prates, Paulo Sérgio Cassis, Paulo Speller, Samuel Babah, Lenine Bueno Monteiro e Honestino Guimarães eram os procurados. Seis conseguiram escapar. Honestino esperneou, berrou, teve os óculos e o braço quebrados, mas terminou no camburão.

“Hoje é o nosso dia”, gritava o major do Exército, José Leopoldino Silva, responsável pela prisão de Honestino, segundo relato de Antonio de Pádua Gurgel, autor do livro A rebelião dos estudantes, publicado pela editora Revan.

O filho de dona Maria Rosa tinha 21 anos de idade, passara no vestibular em primeiro lugar, cursava geologia e presidia a Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (Feub), instituição correspondente ao atual Diretório Central dos Estudantes.

Honestino era militante da chamada Ação Popular (AP), corrente política de inspiração católica. Sua prisão durou pouco. Em outubro ele foi solto e entrou de vez na clandestinidade. Em 1973, voltou para a cadeia e nunca mais retornou para as braços de sua mãe. Seu nome está na lista dos desaparecidos políticos.

Quatro décadas depois da invasão da UnB, o Correio Braziliense rastreou o paradeiro dos sete brasileiros que, em 29 de agosto de 1968, mostraram para o Brasil que a juventude de Brasília não se curvaria à ditadura. Dois deles morreram. Um mudou de país. Três seguem na militância política.
Editor: Samanta Sallum // samanta.sallum@correioweb.com.br
Subeditores: Ana Paixão, Roberto Fonseca, Valéria Velasco
e-mail: cidades@correioweb.com.br
Tels. 3214-1180 • 3214-1181"

Vale a pena ler a reportagem inteira que está publicada na versão impressa do Correio Braziliense de hoje. Uma jóia!

A eleição para reitor que se aproxima tem um grande diferencial. Alguns se omitiram dessa luta histórica; ou melhor dizendo, ignoraram do drama heróico dos indivíduos e das famílias que vivenciaram a morte dos seus.

Hoje alguns se regozijam como grandes feitores da academia, esquecendo que foi graças à luta destes heróis, com seus espiritos contestadores, inspiradores da incessante luta republicana, que suas vidas acadêmicas puderam ter impulso, receberam bolsas de estudo no exterior e de permitir a ocupação da academia por cientistas, não por testas-de-ferro políticos. Utilizam a UnB como se eles fossem o princípio de tudo. O que passou, a luta dos estudantes e a vergonha das atitudes de maus reitores, são pontos que alguns reitoráveis procuram desesperadamente esquecer e se desvincular.


Outros continuam e estão aí na luta para concretizar o sonho de democracia e liberdade na UnB. Cumprir o destino libertário e libertador da UnB. A escolha da comunidade não levará em conta as conveniências, mas o destino único da UnB como Universidade popular, pública, gratuita, transformadora e de qualidade.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Estudantes ocupam a reitoria da UFMS


Ocupação da Reitoria na UFMS:
Desde quinta-feira os estudantes ocupam a reitoria, com reinvidicações como paridade, reabertura do restaurante universitário e melhorias no alojamento estudantil. Veja aqui matéria do UOL.

Alguns dão como certa a ida de uma ex-professora da UnB especializada em gestão de crises de ocupação de reitoria para assessorar o reitor da UFMS.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Carta dos estudantes da UnB ao Presidente do STF, Ministro Gilmar Mendes

Um primor:
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"Prezado Ministro-presidente Gilmar Mendes,
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É com muita satisfação que congratulamos V.Exa. pela sua eleição como presidente do Supremo Tribunal Federal. Em que pese o conteúdo de seu discurso de posse, entretanto, muito sentimos a omissão de alguns assuntos importantes, extremamente sensíveis a toda a sociedade brasileira.
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Levando-se em conta que V.Exa. ocupa a mais elevada posição do judiciário brasileiro, esperávamos uma repreensão aberta aos repetidos casos de vendas de sentença que desvirtuam o verdadeiro ethos da justiça e corroem as bases do Estado democrático de direito.
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Esperávamos que também abordasse os massacres de Carajás e Corumbiara, cujo resultado fora as vidas de dezenas de pessoas e mais de doze anos de impunidade. Se a base do Rechtsstaat é a limitação do poder estatal, não há maior violação ao Estado de direito do que a omissão nos casos de abuso de autoridade. A sociedade ainda não se esqueceu dos oito mortos e das centenas de famílias desabrigadas pela queda do Palace II há mais de dez anos, na qual os responsáveis foram recentemente absolvidos e muitas das famílias permanecem sem indenização.
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Sob essa perspectiva, a denegação de justiça, a morosidade e a inércia por parte do judiciário em defender os principais pilares do estado democrático de direito são tão ou mais graves que a ilegalidade que V.Exa. atribui aos movimentos sociais, em especial ao da Universidade de Brasília citado por V.Exa. em entrevista coletiva.
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V.Exa. afirmou ainda em seu discurso que “nem os sérios casos de corrupção no estamento político deixaram de ser equacionados dentro dos marcos institucionais mais ortodoxos, sem qualquer contestação ou reclamo relevante”. Sobre os movimentos sociais, esclareceu ainda que “nesses casos, é preciso que haja firmeza por parte das autoridades constituídas”. A sociedade esperava, entretanto, que V.Exa. declarasse a firmeza no julgamento de autoridades corruptas com foro especial.
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Compreendemos como inadiável o compromisso de combater a corrupção, mas antes de tudo precisamos reconhecer que ela é uma realidade social, sob pena de continuarmos figurando entre os países mais corruptos e injustos. Fazemos coro a V.Exa. no que se refere ao papel singular do Ministério Público, a qual destacamos como umas das mais exemplares e indispensáveis instituições de nosso país, sem esquecer da Polícia Federal, que cada vez mais, ganha o merecido respeito da sociedade brasileira por sua atuação.
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Entretanto, se formos enfáticos em condenar movimentos sociais contra a corrupção, a impunidade e em defesa do patrimônio público, mas omissos com as autoridades transgressoras, estaremos longe de construir um Estado democrático e de direito. Estaremos senão muito mais pertos de um Estado de polícia aristocrático- aristokratischen Polizeistaat - aquele que verdadeiramente antecede um Estado de Direito, e contra o qual nossos pais lutaram.
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E dentro da UnB, seguiremos em defesa de uma universidade mais transparente e eficiente, cuja dedicação ao ensino, pesquisa e extensão sejam marcas inequívocas.
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Reiteramos também nosso apoio incondicional a V. Exa. para a construção e fortalecimento do Estado de direito e agradecemos desde já a disposição de V.Exa. em receber nossas considerações.
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União dos Estudantes Independentes (UnB)"

Estudantes criticam

Movimentos Sociais
Estudantes criticam presidente do STF

Um grupo de alunos da Universidade de Brasília (UnB) foi ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) entregar uma carta ao presidente da Corte, Gilmar Mendes, reclamando de críticas feitas aos movimentos sociais pelo ministro. Mendes, que também é professor da UnB, criticou invasões de prédios públicos — inclusive a ocupação da reitoria da universidade por alunos, que exigiam a renúncia do então reitor, Timothy Mullholand — durante a primeira entrevista depois de tomar posse no cargo, na semana passada.

Na carta, os estudantes alegam que a lentidão do Judiciário é um problema muito mais grave que a ocupação da reitoria. “A denegação de justiça, a morosidade e a inércia por parte do Judiciário em defender os principais pilares do Estado democrático de direito são tão ou mais graves que a ilegalidade que vossa excelência atribui aos movimentos sociais, em especial ao da Universidade de Brasília, citado por vossa excelência em entrevista coletiva”, escreveram os alunos.

A carta também reclama do discurso de posse do ministro, quando ele cobrou do governo rigor ao lidar com movimentos sociais que agem “na fronteira da legalidade”. Os estudantes escrevem que, em vez disso, o ministro deveria ter defendido “a firmeza no julgamento de autoridades corruptas com foro especial”. O grupo entregou o texto à assessoria de Gilmar. Os estudantes não chegaram a pedir audiência com o ministro.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

História de uma epopéia democrática

Um retrospecto histórico através de capas de jornais dos acontecimentos dos últimos meses na UnB, podem ser conferidos aqui. Um trabalho para consulta e situação histórica. Vale a pena conferir.
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Fotos de momentos cruciais da Crise na UnB, podem ser vistos clicando aqui e aqui.

domingo, 20 de abril de 2008

O Movimento Estudantil pensa, atua e muda a realidade.

O protagonismo estudantil mudou a História da UnB e está mudando o Brasil: veja abaixo links com matérias sobre o assunto.
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Globonews: 1968 (blog sobre o tema).

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Estudantes deixam a reitoria, mas jamais deixarão de ocupar um espaço fundamental na reconstrução da UnB

Hoje ao meio-dia, os estudantes entregaram a reitoria ao reitor pro tempore, Prof. Roberto Aguiar. Termina a ocupação do prédio, mas não termina a ocupação que os estudantes querem na UnB: a paridade e uma estatuinte paritária.

CRISE NA UnB: Gestão temporária será coletiva (matéria completa do Correio Braziliense aqui).
Reitor pro tempore convida estudantes, professores e técnicos a formar comissões para ajudá-lo.

terça-feira, 15 de abril de 2008

A luta continua


O CONSUNI reuniu-se nesta segunda-feira para decidir os rumos da crise.
Após calorosos debates, não foi possível extrair um nome para o reitor pro tempore. Nem ao menos retirar a paridade e definições sobre a assembléia estatuinte, uma conquista obtida pelos alunos e funcionários na pauta de discussões.
O CONSUNI, composto por sua maioria por professores, se recusa sistematicamente a discutir a paridade e a assembléia estatuinte. Sem surpresas. A maioria do CONSUNI é constituída por professores que vinham concedentemente homologando os atos aberrantes da antiga administração em nome do “respeito às normas e ao bom funcionamento da universidade”.
Hoje permanece o impasse, quando há a continuidade da reunião do CONSUNI.
Os estudantes permanecem na reitoria com a bandeira da paridade. E os funcionários também aderiram ao movimento e estão dispostos a engrossar o movimento ocupando também a reitoria, caso a paridade não seja conquistada.

Abaixo estão alguns dos destaques da imprensa nesta terça-feira:



sexta-feira, 11 de abril de 2008

Reitor "pede" para sair e vice-reitor quer assumir sob suspeitas


Agora, vejam, que ironia, o vice-reitor se diz indignado com os excessivos gastos do ex-reitor Timothy.
Como se estivesse viajando pela Asia em todos estes anos de gastança e irregularidades.
Se o vice-reitor não viu, é inapto para o cargo público. Mas não é só.
Sob suspeita de gastos irregulares em viagem pela Ásia, o vice-reitor deve obedecer a resolução das Assembléias dos três segmentos da universidade (alunos, funcionários técnicos administrativos e professores) e renunciar imediatamente. Não há gerenciamento legítimo sob esta decisão da comunidade acadêmica. E diga-se de passagem, sob a legitimidade da opinião pública.
Veja aqui o que o correioweb apurou.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Carta de um professor do Comitê UnB Livre


Um passeio pela reitoria com a Exma. Sra Juíza de Direito Dra. Cristiane
Exma. Sra Juíza de Direito, posso te chamar de Sra. Cristiane? Desculpa-me a intimidade, mas não é desrespeito meu. Andando por aqui, na reitoria, ficamos todos de cargos e funções destituídos, mais próximos um dos outros, que me parece lógico tratar a todos pelo nome de batismo.

Agradeço a sua vinda até aqui esta noite. Mas serei breve. Por favor, me dá a sua mão para andarmos neste escuro. Deixe-me te levara para conhecer pelo tato, a aspereza e o frio das paredes. Deixe-me conduzi-la por esta rampa, mas cuidado para não cair lá embaixo nas barraquinhas apertadas e na rala maciez dos colchões, que não são de plumas. Seria uma queda terrível, talvez pior do que aquele outro rapaz, se a sra. caísse por sobre um ou dois dos jovens lá embaixo e que sonham cair do céu somente uma educação melhor, não uma juíza.
Eles sonham e fazem. Como estes sinais, estes cartazes indicando o caminho, para a senhora e para mim. Está vendo estas velas acesas? Por aqui, desvie destas barreiras protegendo as salas repletas de documentos, ande mais um pouco, venha.
Sinta o cheiro Sra. Cristiane...está sentindo? Sim, sim é cheiro de marmita e de bolachas, mas não é esse o cheiro a que me refiro. Refiro-me a este cheiro que é diferente dos olores dos gabinetes, de madeira, cola e plástico. Por favor, neste escuro fica mais fácil sentir o cheiro de algo novo, orgânico, vivo..um cheiro de raiz, de algo que lembra a minha, a sua infância...as nossas adolescências; um cheiro de respiração fresca, leve, quase uma brisa emanada de um mar que pulsa solidariedade e generosidade...
E este som, este murmúrio, não lhe parece uma prece Sra. Cristiane? Sim, parece uma prece , uma cantiga, um mantra de louvor a um deus antigo e justo que diziam estar perdido na história desta instituição e deste país. Mas ele está aqui, presente, pela força de uma fé destes jovens.
Olhe, por favor, ali ao lado daquelas bandeiras do Brasil. Destas sombras que deslizam dançarinas nas paredes de concreto, emerge um deus que perdemos em nossas infâncias e em nossas adolescências. Lembra-se dele? Este deus justo está em cada palavra destes meninos e meninas que vieram servir os melhores dias de suas vidas neste templo escuro do Saber. Em homenagem a este saber, entregam suas preciosas horas em oferenda à justa causa da preservação do bem comum.

Mas aqui Sra. Cristiane, aqui neste pináculo é que eu gostaria de mostrar o que eles já me mostraram. Espere um pouco, na escuridão é difícil mesmo enxergar. Olhe com mais calma e longamente, a sra. poderá ver o que eles estão fazendo. Está vendo lá, depois do lago, depois do palácio, no cimo daquela colina? Enxergue longe, por favor. Aquele clarão no horizonte. São lanternas que eles carregam para iluminar o caminho e chegar aqui. Eu sei, a sra. tem razão, parece o alvorecer. Veja como são muitos. Veja o alcance da ocupação destes estudantes, como se estende. Veja que eles todos caminham desajeitados, em um terreno muito acidentado, lodoso, pedregoso para chegar até aqui. Muitos não chegam, ficam pelo caminho acidentados e depauperados. Mas alguns milhares chegam e cá estão. Chegando aqui, veja a sra. ali nos andares de baixo como eles são ordeiros, politizados e desapaixonados pelos bens materiais. Não, eles não estão cansados. Senão, não ficariam varrendo, limpando a sujeira, arrumando as tralhinhas deles, lendo, debatendo e atendendo a todos com cortesia. Veja como a ocupação, que a sra. chama de invasão (tanto faz a retórica neste momento) é ordeira, pacífica e organizada. Veja sra. Cristiane como este espaço está tão bem feito para os estudantes, de como eles agora se sentem tão em casa e como cuidam como se fosse a cada deles.

Não permitindo a religação de água e de luz, argumentando que eles são os responsáveis por tal situação, é colocá-los fora de um espaço que também lhes pertence - talvez mais do que a todos, e que estão zelando como se fosse a casa deles. Mandando a polícia retira-los, é punir a quem cuida bem da própria casa. Muitos moram aqui perto, avizinhados da reitoria, em um agregado de minúsculos apartamentos chamado Casa dos Estudantes. Eles estão em casa, uma casa que lhes foi negada na penúria de suas esperanças por uma educação cidadã melhor. Penúria de esperanças que juntas formaram a maior riqueza deste século na UnB: a dedicação à causa pública, o amor à causa dos mais fracos, balizando o uso ético dos recursos gerados por cada juiz, cada professor, cada faxineiro, cada um de nós trabalhadores.

Já pensou Sra. Cristiane se estes estudantes ocuparem (ou invadirem) o Brasil? Não haverá polícia, escuridão ou falta de água que façam eles se descuidarem daquilo que é meu, seu, deles e das tantas gerações que ainda vão pisar neste solo.

Vanner Boere
(vannerboere@uol.com.br)

terça-feira, 8 de abril de 2008

Apoiamos os estudantes



Os links para acompanhar a luta dos estudantes:

http://ocupacaounb.blogspot.com/

Para mensagens:

ocupacaounb@gmail.com

Envie a sua mensagem solidária, neste momento de esperança, angústia, abnegação, saudades...Eles precisam de nós, como nós todos precisamos desta luta davidiana contra o Poderoso Golias para uma UnB mais bela e justa.

UnB reprime alunos: ação gera reação


Abaixo, na íntegra, o que saiu hoje no Correio:
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Universitários Radicalizam
Depois de enfrentar seguranças, cerca de mil pessoas ocupam os três andares da reitoria
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por Pablo Rebello e Adriana Bernardes
(da equipe do Correio)
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Socos, pontapés, empurrões marcaram mais uma reviravolta na ocupação da Reitoria da Universidade de Brasília (UnB) na tarde de ontem. Após decidirem em assembléia desobedecer à determinação da Polícia Federal para que deixassem o local às 15h, os manifestantes acampados no local desde quinta-feira passada receberam o apoio de mais de mil estudantes, que forçaram a liberação da rampa de acesso ao prédio. Lá estavam 60 seguranças da UnB, que tentaram deter o avanço dos jovens. Na confusão, sobraram violência e reclamações dos dois lados. Mas a superioridade numérica fez valer a vontade dos universitários e, ao final do dia, os três andares do prédio tinham sido tomados.
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Sete seguranças compareceram à Superintendência da Polícia Federal (PF), onde apresentaram queixas da violência que sofreram. Na reitoria, outros universitários reclamaram da truculência dos seguranças. Uma garota chegou a pegar o megafone de um manifestante para denunciar que tinha recebido pancadas e arranhões. Único estudante a prestar ocorrência policial até as 20h, Flávio Macedo, 21 anos, afirmou que 10 vigilantes o agrediram por ele ter se recusado a deixar a reitoria.
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O diretor de Segurança da UnB, Weglisson Medeiros Ferreira, explicou que retirou toda a vigilância do prédio após a nova invasão. Ele afirmou que a segurança auxiliou gentilmente o movimento até a decisão dos estudantes de avançarem rampa acima. “Não respondemos mais pelo controle da situação. A responsabilidade do que aconteceu é exclusiva das lideranças do movimento”, desabafou. Os sete seguranças que apresentaram queixa na PF passaram por exame de corpo delito no Instituto de Medicina Legal (IML).
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A reação da UnB à nova invasão foi imediata. Além de cortar novamente a água e a energia da reitoria, a instituição se manifestou em nota oficial, pedindo mais uma vez a desocupação do prédio. A nota destacou que, “frustradas as negociações, o assunto volta à esfera do Judiciário, que determinou a reintegração de posse das instalações”. O documento ainda reforça as tentativas de chegar a uma solução pacífica, com o religamento da luz e água no segundo dia de invasão, a pedido dos estudantes; a proibição da entrada da Polícia Militar na UnB; as quatro reuniões realizadas com o movimento estudantil; a convocação dupla do Conselho Universitário (Consuni) para tratar das reclamações dos manifestantes e um novo termo de compromisso apresentado ontem.
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Excessos
Os líderes da ocupação, por sua vez, negaram ter incentivado os participantes da assembléia a fazer uma nova invasão. “Tratou-se de uma atitude espontânea de quem estava lá embaixo. Estávamos ilhados e eles queriam reforçar o movimento”, explicou a estudante Catharina Lincoln, 20 anos. Ela afirmou que a decisão foi legitimada na assembléia e que os universitários continuavam preocupados em manter o movimento pacífico. “Não houve depredação de patrimônio público”, ressaltou.
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Em nota divulgada no início da noite, os líderes admitiram que houve excessos de ambas as partes na nova invasão. Eles pediram o religamento da energia e da água no prédio para garantir a segurança dos manifestantes e do patrimônio público. O grupo responsável pela ocupação espera conseguir apoio do Ministério da Educação (MEC) para intermediar as negociações com a UnB. Uma comissão de estudantes irá hoje ao MEC para discutir o assunto. Os estudantes ainda avisaram que não abrem mão da principal exigência do movimento: que o reitor Timothy Mulholland deixe o cargo.
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Desde fevereiro, o Ministério Público do Distrito Federal acusa a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) de ter financiado, com recursos públicos, a reforma do apartamento funcional ocupado pelo reitor, bem como a compra de móveis e utensílios domésticos para o imóvel. Segundo o MPDF, foram gastos R$ 470 mil. Nas contas da UnB, esse total é de R$ 350 mil.
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LICENÇA PARA TIMOTHY
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) propôs ontem, no plenário do Senado, que o reitor da UnB, Timothy Mulholland, se licencie por um prazo e submeta sua administração à análise de uma comissão que ele julga deve ser da própria comunidade. Cristovam sugeriu a criação de uma comissão para investigar a legitimidade, e não apenas a legalidade, dos atos do reitor, especialmente os referentes a gastos elevados com apartamento funcional. Em fevereiro, quando surgiram as denúncias de irregularidades na aplicação de recursos da Finatec — Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos —, inclusive na compra da mobília do apartamento de Timothy, Cristovam defendera a administração do reitor da UnB.
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Em Minas gerais...
O prédio da reitoria da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) — câmpus de Belo Horizonte — foi invadido ontem à tarde por cerca de 300 estudantes. Vestidos de preto e com o nariz pintado de vermelho, eles exigiram a presença do reitor Ronaldo Tadêu Pena e explicações sobre a presença da PM no Instituto de Geociências (IGC) na noite de quinta-feira, quando alunos ficaram feridos e um foi detido em confronto com os soldados. Os policiais teriam sido chamados pela Divisão de Segurança Universitária (DSU), fato negado pelo reitor. Até o fechamento desta edição, os manifestantes permaneciam no prédio. O estopim da crise teria sido a tentativa de exibição, na noite de quinta-feira, do documentário Grass Maconha, na arena do prédio do IGC. Como a diretoria do instituto havia proibido a sessão, alguns seguranças teriam acionado a polícia.
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Correio Braziliense, 8 de abril de 2008
www2.correioweb.com.br/cbonline/cidades/pri_cid_194.htm?
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www2.correioweb.com.br/cbonline/cidades/pri_cid_208.htm?

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A Ocupação da reitoria aumenta

Após decidir manter ocupação, novo grupo de estudantes invade prédio da UnB

Após decidirem, em assembléia, manter a ocupação da UnB (Universidade de Brasília), um novo grupo de alunos da instituição conseguiu liberar a passagem para a reitoria, que estava sendo guardada por dezenas de seguranças, e invadiu outras salas do prédio. Além da rampa central de acesso, os alunos também usaram uma entrada lateral, sem que os guardas pudessem impedi-los. Veja a notícia completa clicando aqui.

A grande preocupação dos estudantes é com a falta de água, energia elétrica e manutenção do patrimônio. Acidentes, ação de provocadores e até roubos por pessoas estranhas ao movimento, estão sendo preocupações emergentes e representam um grande risco neste momento. A administração da reitoria deveria garantir o máximo de segurança para o seu patrimônio, as pessoas, os estudantes. O corte de luz e água é mais um ato autoritário para o currículo de Timothy, Mamiya & Cia.


Assembléia dos estudantes hoje as 12 horas


Os estudantes convocaram uma asembléia para hoje ao meio dia, na reitoria, para decidir os rumos a ocupação e avaliar a situação. Espera-se o comparecimento de um número alto de participantes. Depois desta semana, a UnB jamais será a mesma.

domingo, 6 de abril de 2008

Uma carta aos estudantes, do Professor Perci

Prezados estudantes do Movimento UnB/Livre,
É com imensa alegria que saúdo as palavras, os atos e as reflexões contidas no texto que acabo de receber, no qual vocês fazem os esclarecimentos necessários à comunidade da UnB sobre os fatos ocorridos no dia de ontem, 04 de abril de 2008.
Nesse dia, vocês nos deram uma lição que não se encontra nos livros nem na rotina acadêmica docente. Deram início não apenas a uma passeata de poucos metros de forma pacifica, em direção ao Gabinete do Reitor, mas o primeiro passo em direção a uma grande caminhada histórica pela retomada da honra e, quem sabe, de um projeto maior da Universidade de Brasília que nasceu dos olhos visionários e do brilhantismo intelectual de nomes como Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira, Honestino Guimarães e tantos outros. Esses nomes nunca saíram de minha mente, dentre outros motivos, por não se deixaram enganar pela idéia de que o grau de importância, eficiência e eficácia social de uma Universidade possa ser medido por fachadas de prédios e status quo de seus representantes de plantão.
Desde já, não só me filio e me coloco a disposição do Movimento UnB/Livre, como conclamo aos meus colegas professores a saírem do auto-exílio em relação aos rumos que a Administração Superior tem tomado e o significado histórico dessa crise de gestão que somos co-responsabilizados. Sejamos humildes para que não nos tornemos pequenos diante de uma universidade que está muito além dos nossos interesses mesquinhos e passageiros. Façamos, nós professores a luz da garra dos estudantes, uma autocrítica no sentido de percebermos que os estudantes no chamam a assumir nosso papel histórico nesse momento de humilhação da nossa querida UnB. A UnB não merece isso!. Façamos também uma reflexão sobre o grau de nossa co-responsabilidade nesse processo que poderá reacender a chama da ave Fênix que poderá se tornar essa Universidade, ou, pelo contrário, o túmulo definitivo de um sonho sonhado por muitos de várias gerações.
Para isso precisaremos responder, por exemplo as seguintes perguntas: Se nós, professores, queremos manter o peso diferenciado de responsabilidade de gestão a nosso favor, como é que justificaremos para história esse atual comportamento de alienação. Como é possível manter o paradoxo em que no encontramos de nos escondemos em nossos casulos individuais neste momento de crise aguda? Se assim procedermos, não teremos mais argumentos para sustentar a tese de crítica e oposição política à proposta dos estudantes e técnico-administrativos da PARIDADE NA GESTÃO DA UNB. Pessoalmente, já estou convencido pelos últimos acontecimentos de que é muita arrogância de nossa parte como professores acharmos que a UnB nos pertence como corporação. Os fatos falam por si. A UnB não pertence e nenhum grupo ou corporação em particular, ela é um patrimônio da sociedade brasileira e toda vez que houver abuso de poder e desonra da parte de nós servidores para com esse patrimônio, essa mesma sociedade é que irá arrombar a porta da reitoria cobrando-lhe uma satisfação. Hoje, como passado, quem ocupa a sla do Reitor
Timothy Mulholland, não são os estudantes "em fúria", mas a sociedade brasileira que faz uso das mãos limpas, honestas e francas de nossos estudantes para fazer cumprir sua vontade.
Um abraço fraterno.
Prof.Dr.Perci Coelho de Souza
Departamento de Serviço Social

Moção de apoio do Chefe da Segurança na UnB


Os estudantes da ocupação da reitoria em seu blog (www.ocupacaounb.blogspot.com), conseguiram obter uma moção de apoio do Sr. Weglisson Medeiros, Chefe dos Seguranças da UnB. Isso é normal em uma Instituição como a UnB? Isso é tolerável?

A Luta dos Estudantes Avança


OS ESTUDANTES ENSINAM AOS MESTRES

A resistência dos estudantes, baseada em princípios éticos indeléveis e uma organização solidária, conseguiu demover a idéia de invasão pela força da Polícia Federal na reitoria ocupada. A negociação entre as partes, polícia e estudantes, foi de uma maturidade política poucas vezes vistas na História do Brasil. A página que está sendo escrita neste momento na História do País já é um marco na retomada do movimento estudantil como um dos pilares da democracia no Brasil. A lição não poderá passar despercebida por qualquer mente minimamente atenta. Quem quiser sobreviver politicamente, terá que aprender com os Mestres-estudantes.


Veja aqui as últimas:



Blog UnB é sucesso absoluto

Olá internautas,
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Aqui é do setor de Propaganda & Marketing do Comitê UnB Livre. Estamos aqui para relatar que nosso blog já obteve mais de 2 mil visitas do Brasil (de 46 cidades).
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No total, até ontem, foram 2.536 visitas e 4.595 acessos de todo o mundo (31 paises). Lembrando que este blog nasceu dia 14 de março.
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Nosso blog é solidário à ocupação da reitoria. Aproveitamos para divulgar o Blog da Ocupação da UnB, que traz dezenas de manifestações de apoio e/ou solidariedade de todo o Brasil.
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........www.ocupacaounb.blogspot.com
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sábado, 5 de abril de 2008

Nota da rejeição dos estudantes à proposta da reitoria



Estudantes rejeitam Proposta da Reitoria

Os estudantes ocupados na Reitoria da Universidade de Brasília optaram por rejeitar a proposta da Reitoria para desocupar o prédio. Abaixo segue a Nota Oficial da Reitoria.
Nota Oficial
Termo de Compromisso
Efetuada a desocupação imediata do Prédio da Reitoria, a Administração Superior da Universidade de Brasília (UnB), em resposta a reivindicações constantes da pauta encaminhada pelos estudantes, compromete-se a:
1. Convocar reunião do Conselho Universitário (Consuni) para sexta-feira, 11 de abril de 2008, com a finalidade de discutir o papel das fundações de direito privado de apoio à universidade;
2. Convocar o Conselho de Administração (CAD) para quinta-feira, 10 de abril, com a finalidade de apresentar a prestação das contas da Fundação Universidade de Brasília (FUB), referentes ao exercício de 2007;
3. Encaminhar proposta ao Conselho Universitário (Consuni) para constituir comissão formada por professores, estudantes e servidores técnico-administrativos a fim de promover a discussão das regras referentes à Consulta à Comunidade Acadêmica para a escolha de reitores da UnB. Essa proposta será encaminhada ao Consuni ainda o primeiro semestre de 2008;
4. Aumentar em 20% o número de bolsas de permanência, concedidas a estudantes de baixa renda, a partir de maio de 2008;
5. Integrar representação estudantil e dos servidores técnico-administrativos à comissão que discute a expansão da UnB.
Brasília, 5 de abril de 2008, às 21h30
Timothy Mulholland
Reitor da Universidade de Brasília