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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Diretor do Cespe/UnB, Prof. Joaquim José Soares Neto, concedeu entrevista


O Prof. Soares Neto afirma que estão sendo tomadas as devidas providências para sanar as irregularidades do Cespe. O pessoal suspeito foi afastado pela reitoria pro-tempore. Está no Correio Braziliense de hoje (sexta-feira). Vale a pena conferir na versão impressa.
Esperemos o desfecho.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Romilda e nós.


O que tenho para dizer não necessita de muitas palavras. Acredito que muitos, em especial os que já são antigos na UnB, me entenderão.

Quando ingressei na nossa universidade, em junho de 1985, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o que poderíamos chamar de “o protocolo” dos funcionários da Universidade de Brasília, seu grau de humildade, obediência e respeito aos professores. Reinava, e acredito que continua sendo assim na maioria das unidades, uma etiqueta que poderia dizer-se rígida, apesar da cordialidade. Os funcionários da UnB eram e, em muitos casos, continuam a serem pessoas que aceitam a hierarquia das tarefas que fazem parte do dia a dia da instituição acadêmica, e ainda hoje se pode constatar a fidelidade a esse padrão.

Em 1986, quase recém chegada, tive a oportunidade de ter que tratar com Romilda Maccarini, então diretora de Convênios, sobre a liberação de fundos da Fundação Ford que tinham entrado na UnB para o Núcleo de Pesquisas Etnológicas do Depto. de Antropologia. Eu necessitava desses fundos para a realização de uma pesquisa de campo na fronteira entre Argentina, Chile e Bolívia, e a Romilda cooperou com a maior eficiência e demonstrando grande sentido do dever. Impressionou-me a forma em que encarnava sua missão de auxiliar o nosso trabalho. Sua disponibilidade e abnegação para atravessar em tempo a quantidade de barreiras burocráticas que se interpunham entre os fundos depositados e a finalidade que deveriam cumprir foram notáveis, e senti-me agradecida por poder contar com seu apoio e respeito à minha causa científica.

Vinte dois anos se passaram e agora me pergunto: o que aconteceu com a Romilda?

Certa estou de que com a praxe de obediência, disponibilidade e cortesia com que os funcionários trabalhavam à época, sempre se percebendo como peça importante do trabalho acadêmico, porém subordinados à demanda e até, poderíamos dizer, à tutela dos docentes, teria sido impossível que Romilda escolhera por sua própria conta e risco o caminho que escolheu. Não acredito que sem tutela, beneplácito ou influência de alguém o que aconteceu com ela ao longo das duas décadas que se seguiram tivesse acontecido. Em outras palavras, me parece inverossímil que Romilda tenha percorrido esse caminho só, sem a supervisão ou encobrimento de um de nós ou, mais exatamente, daqueles que nos gabinetes administrativos da universidade continuaram a encomendar e supervisar o seu trabalho.

Não estou com isto tentando livrar Romilda das suas responsabilidades. Não a estou isentando do peso de ter que responder perante todos nós e na Justiça se é verdadeiro ou não o que o Correio Braziliense de domingo informa sobre sua conduta na direção do CESPE, e, caso seja verdadeiro, de explicar à comunidade acadêmica e à Justiça a quantidade de abusos e discricionariedades cometidos na gestão institucional.

O que estou afirmando é que não podemos deixar passar a oportunidade de aproveitar o caso emblemático da Romilda para rever as práticas que levaram à deterioração geral da UnB e à corrupção de alguns que, como ela, se encontram em posição subordinada com relação à classe professoral dos dirigentes. Porque, inescapavelmente, o descalabro da Romilda não é outra coisa que um sintoma do descalabro de toda a instituição e, principalmente, dos seus responsáveis. Deixar passar essa oportunidade de entender o profundo vínculo da funcionária Romilda com seus superiores será aceitar que alguns sejam punidos para que outros fiquem impunes e livres para continuar com suas práticas lesivas aos interesses da instituição e da comunidade que dela depende. Não estou invocando a “obediência devida” como justificativa, mas insisto em que há uma hierarquia de responsabilidades.

Conhecendo a UnB, a praxe obediente e a consciência dependente de muitos entre nós, posso arriscar que sei, que efetivamente sei, que a “Romilda” personagem do Correio não é somente Romilda, que não pode ter agido sozinha. Isto é, posso dizer que sei que alguém corrompeu Romilda, e a levou pelos caminhos que ela foi, indicou a ela que era possível agir assim, praticar o que praticou impunemente. Fez a ela acreditar na própria onipotência, garantiu a ela proteção e segurança onde não havia nem poderia haver.

Por isso, em uma palavra, pergunto: quem deseducou Romilda? Tem que ter sido um docente: um de nós.

Rita Laura Segato

sábado, 11 de outubro de 2008

CESPE é suspeito de fraudes em concursos que ocorreram até 2006


Mais uma queda. A reportagem no Correio Braziliense desse sábado (que pode ser acessada clicando aqui) relata que a Controladoria Geral da União aponta indícios de fraudes e irregularidades graves que favoreceram pessoas ligadas ao CESPE. O Ministério Público está investigando o caso.

A reitoria pró-tempore modificou a forma de gestão do CESPE, mas detalhes não são conhecidos pela comunidade. Necessitamso de mais transparência nessa questão do CESPE. Há a sugestão de privatizar o CESPE ou torná-lo uma Fundação.

A caixa-preta está sendo aberta. Algo que já se suspeitava há muitos anos nos corredores da própria UnB. A gestão dos ex-reitores e seus asseclas classificavam como "despeito e oportunismo eleitoreiro " a crítica na forma de gestão do CESPE. Deu nisso aí. Um abalo irreparável na lisura dos concursos coordenados pelo CESPE. Uma mancha que nem o tempo poderá remover.

E os processos administrativos? Por muito menos, muito menos mesmo, um funcionário técnico-administrativo ou um professor é ameaçado por processo.

A UnB precisa refazer a sua ordem estatutária, moral e ética.