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segunda-feira, 24 de novembro de 2008

HUB, uma ligeira visita e algumas impressões


Hoje estive no HUB. Fui acompanhar um paciente e na espera do atendimento fiquei rondando por lá. Não é um espaço que eu vá, mesmo que esporadicamente. Não quero ir, cemitério e hospital são dois locais que me trazem a lembrança do sofrimento. Mas deveria ir mais, me envolver mais com aquele espaço público de desafios entre o sofrimento e o linimento. Entre a dor e a esperança. Deveria me envolver mais como professor, servidor público e cidadão.

Estive por um par de horas. Pude constatar algumas mudanças, desde que estive lá há dois anos. Está mais limpo e mais organizado. Ainda vemos filas, mas há cadeiras e poltronas, velhas, consertadas, remendadas, que cumprem o papel de servir algum conforto ao paciente. Olhei no interior das salas dos atendentes e dos médicos; as cadeiras eram de igual ou de menor conforto do que as cadeiras dos pacientes. Algumas sem estofados serviam para os atendentes e para o médico. Lembrei agora de uma famosa cadeira na reitoria, mas deixa para lá. Observei as mesas austeras, com poucos adornos e sem ostentação.

Em uma sala um atendente mostrava orgulhoso um computador para uma colega, que havia conseguido de um outro setor. Um computador com Windows 98, da geração Pentium alguma-coisa. Ele estava orgulhoso por ter recuperado aquele aparelho e colocado a funcionar. No momento navegava na internet, sem nada mais urgente para fazer.

Estive somente no andar térreo, entre a unidade de EEG/ECG,a pediatria e o atendimento oncológico. Falei com atendentes, com porteiros, com seguranças e outros funcionários. Todos solícitos, formais e envolvidos em informar ou atarefados em seus ofícios. Não fiz comentários sobre a administração, apenas pedi informações.

Fui a dois banheiros. Não havia naquela hora da manhã papéis jogados e excrementos emersos nos vasos sanitários. Estão mais decentes, menos olorosos e funcionais.

Fiquei observando a arquitetura do prédio principal. As paredes externas e a decoração são austeras, frias, sem graça e sem energia. Não chegam a ser hostis, mas são cores e contrastes que velam pelo sofrimento. Não irradiam esperança.

Ao sair pensei que as coisas estão funcionando por lá. Essa foi uma impressão ligeira. Claro que há melhorias gigantescas a fazer e que minha rápida visita não permitiu aquilatar com mais profundidade. Na linha de mudança prometida pelo atual reitor, me questionei se o HUB precisa de uma administração colegiada, com maior participação de segmentos da sociedade. Para angariar mais fundos, apoiar mais pesquisas e mais ação médica e paramédica naquele espaço. Investir mais em saúde preventiva e menos curativa.

Verdade que há escassez de verbas no sistema de saúde no Brasil. Ou melhor, as verbas são desviadas. A mídia está dando destaque essa semana ao grave problema da FUNASA, denunciada inclusive pelo Ministro da Saúde. Que recebeu um puxão-de-orelha dos chefões do seu partido para não mexer nesse vespeiro ou nessa mina de ouro. Um jogo político que envolve toneladas de dinheiro, empurra parte desta verba para paraísos fiscais, fazendas e doleiros.

Foram só algumas impressões. Há muito que fazer, eu sei. De todas as impressões, uma sensação daquele ambiente está me inquietando. Parece haver falta de mulher na administração, na condução daquele espaço. Explico-me: parece haver falta de uma mão feminina, de decoração feminina, do arranjo feminino daquela espaço. Senti a falta disso. Não vi uma estética feminina. A sobriedade do ambiente me parece com a falta de um acolhimento materno. Falta uma estética feminina com mais cores, contrastes, flores, mais detalhe, mais vida, mais sorrisos iluminados que só as mulheres possuem. Talvez, mesmo com as dificuldades, o investimento em um ambiente mais feminino, pudesse diminuir o sofrimento e dar a esperança que só as mães, mulheres, podem dar à dor dos filhos e filhas. É isso, nesse momento, acho que falta um pouco mais de feminino no HUB.

Vanner Boere, Professor.

O texto não reflete necessariamente o pensamento do Coletivo UnB Livre.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Romilda e nós.


O que tenho para dizer não necessita de muitas palavras. Acredito que muitos, em especial os que já são antigos na UnB, me entenderão.

Quando ingressei na nossa universidade, em junho de 1985, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi o que poderíamos chamar de “o protocolo” dos funcionários da Universidade de Brasília, seu grau de humildade, obediência e respeito aos professores. Reinava, e acredito que continua sendo assim na maioria das unidades, uma etiqueta que poderia dizer-se rígida, apesar da cordialidade. Os funcionários da UnB eram e, em muitos casos, continuam a serem pessoas que aceitam a hierarquia das tarefas que fazem parte do dia a dia da instituição acadêmica, e ainda hoje se pode constatar a fidelidade a esse padrão.

Em 1986, quase recém chegada, tive a oportunidade de ter que tratar com Romilda Maccarini, então diretora de Convênios, sobre a liberação de fundos da Fundação Ford que tinham entrado na UnB para o Núcleo de Pesquisas Etnológicas do Depto. de Antropologia. Eu necessitava desses fundos para a realização de uma pesquisa de campo na fronteira entre Argentina, Chile e Bolívia, e a Romilda cooperou com a maior eficiência e demonstrando grande sentido do dever. Impressionou-me a forma em que encarnava sua missão de auxiliar o nosso trabalho. Sua disponibilidade e abnegação para atravessar em tempo a quantidade de barreiras burocráticas que se interpunham entre os fundos depositados e a finalidade que deveriam cumprir foram notáveis, e senti-me agradecida por poder contar com seu apoio e respeito à minha causa científica.

Vinte dois anos se passaram e agora me pergunto: o que aconteceu com a Romilda?

Certa estou de que com a praxe de obediência, disponibilidade e cortesia com que os funcionários trabalhavam à época, sempre se percebendo como peça importante do trabalho acadêmico, porém subordinados à demanda e até, poderíamos dizer, à tutela dos docentes, teria sido impossível que Romilda escolhera por sua própria conta e risco o caminho que escolheu. Não acredito que sem tutela, beneplácito ou influência de alguém o que aconteceu com ela ao longo das duas décadas que se seguiram tivesse acontecido. Em outras palavras, me parece inverossímil que Romilda tenha percorrido esse caminho só, sem a supervisão ou encobrimento de um de nós ou, mais exatamente, daqueles que nos gabinetes administrativos da universidade continuaram a encomendar e supervisar o seu trabalho.

Não estou com isto tentando livrar Romilda das suas responsabilidades. Não a estou isentando do peso de ter que responder perante todos nós e na Justiça se é verdadeiro ou não o que o Correio Braziliense de domingo informa sobre sua conduta na direção do CESPE, e, caso seja verdadeiro, de explicar à comunidade acadêmica e à Justiça a quantidade de abusos e discricionariedades cometidos na gestão institucional.

O que estou afirmando é que não podemos deixar passar a oportunidade de aproveitar o caso emblemático da Romilda para rever as práticas que levaram à deterioração geral da UnB e à corrupção de alguns que, como ela, se encontram em posição subordinada com relação à classe professoral dos dirigentes. Porque, inescapavelmente, o descalabro da Romilda não é outra coisa que um sintoma do descalabro de toda a instituição e, principalmente, dos seus responsáveis. Deixar passar essa oportunidade de entender o profundo vínculo da funcionária Romilda com seus superiores será aceitar que alguns sejam punidos para que outros fiquem impunes e livres para continuar com suas práticas lesivas aos interesses da instituição e da comunidade que dela depende. Não estou invocando a “obediência devida” como justificativa, mas insisto em que há uma hierarquia de responsabilidades.

Conhecendo a UnB, a praxe obediente e a consciência dependente de muitos entre nós, posso arriscar que sei, que efetivamente sei, que a “Romilda” personagem do Correio não é somente Romilda, que não pode ter agido sozinha. Isto é, posso dizer que sei que alguém corrompeu Romilda, e a levou pelos caminhos que ela foi, indicou a ela que era possível agir assim, praticar o que praticou impunemente. Fez a ela acreditar na própria onipotência, garantiu a ela proteção e segurança onde não havia nem poderia haver.

Por isso, em uma palavra, pergunto: quem deseducou Romilda? Tem que ter sido um docente: um de nós.

Rita Laura Segato

domingo, 12 de outubro de 2008

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Heróis e vilões da Nação


31 de Julho de 2008 - 13h26 - Última modificação em 31 de Julho de 2008 - 13h59


Secretários de educação querem revisão da lei do piso nacional para professores

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil






Porto Alegre - A lei que instituiu o piso nacional para professores da rede pública, sancionada pelo presidente Lula no último dia 16, está sendo discutida em Porto Alegre na 3ª Reunião do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). Além do piso de R$ 950, a lei estabelece que um terço da carga horária do professor deve ser reservado para atividades fora de sala de aula, como planejamento e coordenação. Mas, uma resolução anterior do Conselho Nacional de Educação (CNE), prevê que esse tempo deve variar entre 20% e 25% da carga total. Para os secretários estaduais, a proposta inicial foi deturpada pelo Congresso, ao incluir a jornada de trabalho no texto.

Assim, com mais tempo de atividades fora de sala, as redes terão que contratar mais professores para compor o quadro, o que, segundo a presidente do Consed, Maria Auxiliadora Rezende, é atualmente inviável para muitos estados e municípios. “A preocupação dos estados não é referente ao piso em si, mas a outros fatores que passaram a compor a lei e entram em critérios de carreira, trazendo uma série de complicações para estados e municípios. E o que é pior, passa a inviabilizar a lei do piso que para nós é importante assegurar” , afirmou Auxiliadora.

Segundo ela, o gasto com pessoal deve aumentar imediatamente em cerca de 20% as folhas de pagamento das secretarias, levando-se em conta apenas a mudança da carga horária em sala de aula. Como a nova demanda implica em aumento do orçamento num ano que já está em curso, o artigo é visto pela entidade como inconstitucional, por ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal. O mesmo argumento foi usado para impedir a retroatividade do pagamento a janeiro de 2008, prevista no projeto. O ponto foi vetado pelo presidente e os ajustes começam a partir de 2009.

A secretária de Educação do Rio Grande do Sul, Mariza Abreu, afirmou que “o Congresso [Nacional] estragou o projeto”. “A proposta original do Executivo era correta, tratava de piso e não de jornada. Foi o Congresso que se submeteu à pressão do movimento sindical", analisou."



Seria tacanho se não fosse abjeto o pronunciamento desta secretaria. O piso salarial DOS HERÓIS DESSA NAÇÃO, é considerado um "gasto" e não um investimento. Argumentam aqueles energúmenos secretarios que poderia comprometer as contas dos municípios e dos estados...Ora, vá catar coquinhos! Que se diminua o cargo comissionado de um grupo privilegiado, que se economize nas viagens e diárias; e que se diminuam as secretarias, que se extinga o nepotismo; e que se puna a corrupção....Haverá dinheiro de sobra para pagar os PROFESSORES, HERÓIS DESSA NAÇÃO!

VEJAM COMO SÃO OS GESTORES DE EDUCAÇÃO NESSE PAÍS!!!! MERCADO, MERCADO, CONTABILIDADE, CONTABILIDADE....

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Morreu Jefferson Peres, referência ética do Senado e defensor da Amazônia

O senador Jefferson Peres, referência ética do Senado brasileiro e autor do relatório que levou à demissão do presidente daquele órgão Renan Calheiros, pela alegada ligação a casos de corrupção, morreu hoje em Manaus, Brasil, segundo fontes oficiais.
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Jefferson Peres, 76 anos, sucumbiu a um enfarte cardíaco na sua casa. Peres foi uma das pessoas que "emparedou" o ex-reitor Timothy na CPI das ONGs.
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Leia mais sobre o senador clicando aqui.

domingo, 20 de abril de 2008

Magnífico Reitor Ícaro Moreira (UFC) vai ao encontro das estrelas

Leitores,
Nosso blog esta de Luto pelo falecimento do jovem reitor da UFC, Prof. Ícaro Moreira (químico sintético, pesquisador 1C do CNPq). Vide foto acima.
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Aqui vai uma mensagem recebida (pelo Prof MHL) por um amigo e colaborador científico do Prof Ícaro.
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"Queridos,
Apenas para registrar meus sinceros sentimentos na perda de um amigo e grande pesquisador na tarde desta última quinta-feira Prof. Ícaro de Sousa Moreira. A mídia registra a cada dia o uso fútil de cartões corporativos, uso pessoal de verba pública por alguns reitores. Podemos observar um cargo político estrito onde a maioria que o acupa tem baixo indice de produção científica e didática. O Brasil perdeu ontem uma grande exceção a este quadro.
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Professor Ícaro possuia uma alta produtividade científica, ponto chave em vários projetos importantes para o Brasil e, um administrador Professor. Preocupado com o ensino superior brasileiro, apresentou um programa de expanção universitário no programa REUNI coerente, centrado na qualidade do ensino superior e não no populismo do programa REUNI como observamos na maioria das Universidades Federais.
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Grande Professor Ícaro, Seus amigos sentirão saudades! Continuaremos firmes nos projetos e agora dedicados!
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Descanse!!
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Rodrigo Stabeli
Prof. da Universidade Federal de Rondonia "
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E aqui, o que saiu na internet:
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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Moção de apoio aos estudantes da UnB


Professores, leiam com atenção a mensagem que anexei abaixo, postada por um estudante: ela é absolutamente essencial para todos, sobretudo para aqueles que não estão no "chão da universidade" possam sentir o que realmente se passa no coração digno e generoso dos estudantes - QUE MAIS MUMA VEZ ESTÃO FAZENDO HISTÓRIA NA UnB.
Não imaginem, nem por um momento, que eles poderão ser derrotados pelo autoritarismo, pela intimidação, pela arrogância, por argumentos falaciosos, manobras sórdidas ou quaisquer dos meios de que sempre lançam mão os poderosos quando se vêm ameaçados em seus "podres poderes". Se a polícia não foi abjetamente lançada para cima dos estudantes, é porque o sentido de moralidade e dignidade humana da sociedade e da "opinião pública" brasileira está do nosso lado.
A instauração de uma ditadura na UnB, ancorada no poder material, com a omissão e a cumplicidade da base de apoio ao reitor no Consuni (vejam os ignominiosos atos do reitor de 09 de julho de 2007, que abolem o poder dos conselhos e colegiados da universidade e concentram todos os poderes em sua figura, que começa a ser identificada com a de Hitler e de outros sociopatas semelhantes pelos estudantes) está sendo derrotada dentro e fora da universidade. Se quem está sendo acuado pela sociedade e pela força avassaladora de nossa luta ainda ousar uma última manobra para lançar os professores contra os estudantes - possivelmente a última cartada de que ainda dispõe o esquema de poder instalado na UnB -, a Universidade de Brasília estará definitivamente desmoralizada e estigmatizada aos olhos da sociedade brasileira.
Não podemos permitir que isso aconteça. Os professores perderiam todo o respeito dos estudantes - e isso, sim, é a maior de todas as tragédias que pode ocorrer a uma universidade.
Não tenham dúvidas quanto a isso: a maioria esmagadora dos estudantes e da opinião pública apóia nossa luta. Cabe agora aos professores de nossa UnB compreenderem a verdadeira dimensão e significado histórico do que está se pássando e demonstrarem, com toda sua dignidade, que ainda não perderam o sentido mais elementar da moralidade, da ética e da justiça. O belo caminho vitorioso que foi aberto pelos mestres-estudantes e agora se abre para nós, professores, nos convida a nos juntarmos aos estudantes e aos funcionários, com toda a nossa inteligência e todas as nossas melhores energias, para começarmos a construir, coletivamente uma nova UnB - que será de todos e para todos nós!!!
hasta la victoria, siempre.
Rodrigo Dantas. Chefe do Departamento de Filosofia da UnB, eleito pelo voto universal.


Assunto: Moção de apoio aos estudantes da UnB Queridos colegas e companheiros de luta! Em nossa UnB, a muito tempo não se via um movimento como esse. Ontem a reocupação por parte dos estudantes e a presença de tantos na assembleia foi uma mostra de que nós não nos rendemos à corrupção, ao autoritarismo e ao descaso em relação a nossa universidade. Grito aqui um protesto, repudiando a ação dos seguranças da reitoria, sim, eles cumprem ordens, mas deviam no mínimo respeitar os estudantes, sendo que estes são praticamente os únicos que estão lutando para que haja mudança no quadro atual da UnB. É triste ver que á vários professores e funcionários defendendo o reitor por deverem favores a ele, eles não são dignos de estarem na Universidade de Brasília. Aos que criticam a ação dos estudantes, peço para reverem sua posição. Em um país onde poucos reinvidicam seus direitos, deveríamos ficar felizes de vermos tantos estudantes realizando um grande movimento, organizado e politizador, para proteger o dinheiro público e a nossa universidade da corrupção, do autoritarismo e do descaso. Para frente estudantes!!! Resistam!!
Thiago V. Marques
Mestrando em Filosofia pela UnB
"Sábio é quem morre para deixar Deus viver em si!" (Chiara Lubich) http://blogdothiagodf.blogspot.com/