Mostrando postagens com marcador Barbárie. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Barbárie. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A falácia da anistia para os torturadores sob ótica do Direito Internacional


Urge repelir que a anistia vale tanto para torturados quanto para torturadores

Esquentam as mãos do ministro Eros Grau, no Supremo Tribunal Federal, dois processos que marcarão a cultura política e a imagem internacional do Brasil.

Como relator da ação em que a OAB questiona a interpretação da Lei de Anistia, Grau pediu vista dos pedidos argentino e uruguaio de extradição do general Manuel Cordero, um dos protagonistas da iniciativa supranacional de repressão política denominada Operação Condor.

Caberá, então, ao STF decidir não apenas sobre a possibilidade de julgar agentes públicos pelos crimes contra a humanidade praticados durante a ditadura militar brasileira, mas também exercer a espúria faculdade de impedir que países vizinhos façam o mesmo em relação aos seus acusados.

Num Brasil gravemente acometido de amnésia seletiva, o debate encontra-se turbado pela estapafúrdia tese do "vale para os dois lados" -isto é, rever a anistia dos militares implicaria necessariamente rever a dos subversivos, ditos "terroristas". Urge, portanto, repelir a idéia de que a anistia vale tanto para torturados quanto para torturadores.

Primeiro, pelo descalabro técnico.

Há quem reconheça como jurista só aquele que o defende. Porém, o direito aqui é cristalino. O Estado detém o monopólio da violência legítima. Dele apropriando-se ilegitimamente e agindo em seu nome, "autoridades" dispuseram de recursos estatais para promover sistematicamente a tortura, que resultou, em numerosos casos, na execução sumária, agravada pela ocultação de cadáver.
Depois, o poder estatal garantiu-lhes acordo leonino, pelo qual crimes comuns, entre eles o estupro, foram interpretados como se políticos fossem.

Ademais, quem se opõe à violação da ordem constitucional não é terrorista, é resistente. O direito à resistência é vigente no Brasil desde os anos 1950, por força do direito humanitário, que igualmente veda a tortura e a execução, mesmo durante a guerra.

Segundo, pela infâmia política.

Há quem defina como ideologia somente a dos outros. É o primeiro passo para criminalizá-la. Ora, nunca houve risco real de implantação de um regime comunista no Brasil. A ampla maioria dos cassados, torturados e desaparecidos jamais praticou qualquer violência. Contudo, impunes aves de rapina não cessam de difamá-los, argüindo que tiveram o que mereciam, como se as vítimas estivessem a jogar o queixo contra os punhos dos algozes. Diante de tal (in)cultura, não surpreende que, na atualidade, jovens favelados já nasçam suspeitos, esgueirando-se nas ruas diante dos temidos agentes do Estado.

É preciso também refutar o enganoso argumento da prescrição.

Farta e unânime jurisprudência internacional, inclusive da Corte Interamericana de Direitos Humanos, cuja jurisdição é aceita pelo Brasil, sustenta a imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade. Não se trata de imposição, eis que o direito internacional consiste justamente no exercício da soberania nacional em foro externo. Construído pelo consenso entre as nações, aplicá-lo é tarefa constitucional de cada Estado.

Contudo, orgulhoso por sua retumbante inserção comercial internacional, o Brasil está cada vez mais isolado do mundo no que tange à memória e à justiça. Cumpridor do direito do comércio, o país ainda engatinha quanto à aplicação do direito internacional dos direitos humanos.
Uma recente audiência pública da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e o anúncio de que uma vítima de Cordero levará o Brasil à corte interamericana auspiciam que a responsabilidade internacional do Estado poderá ser invocada em caso de omissão. Por outro lado, por força do princípio da jurisdição penal universal, outros países já deflagraram ações contra torturadores brasileiros.

Apesar de tudo, o governo brasileiro está dividido. No julgamento da ação bravamente movida pelo Ministério Público Federal contra o general Ustra, a atuação da Advocacia Geral da União foi constrangedora.

Os políticos favoráveis ao julgamento levam a pecha de revanchistas.

Seria também revanche o sentimento a mover os 400 juristas que assinaram o manifesto em prol do debate público nacional sobre a Lei de Anistia, lançado em 28/8/08, no pátio da Faculdade de Direito da USP? E as 3.500 pessoas de 38 diferentes países que se somaram à Campanha Internacional pela Extradição de Cordero?

No programa para crianças que anima na rádio Justiça ("Aprendendo Direitinho"), o ministro Eros apresenta-se como vovô Grau. Em breve, ele terá de contar aos netinhos-ouvintes uma história sobre terríveis condores, disfarçados de cordeiros e passarinhos. Que seja bem contada e sem páginas arrancadas, que a trama não se passe numa ilha e que, ao final, prevaleça a justiça.

Profa. Deisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP. Fonte: Folha de Sâo Paulo (19/11/08).

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Porque os filmes policiais não terão mais sucesso no Brasil


O teatro cotidiano do Brasil não tem igual. Somos os melhores em termos de crimes urbanos e rurais, considerando países que não estão oficialmente em guerra. Com a vantagem da interatividade inclusiva. Ou seja, a qualquer momento você se vê participando de uma peça. Ontem mais uma barbárie. Trinta projéteis no mínimo terminaram com a vida de um diretor de presídio de segurança máxima no Rio de Janeiro, em plena Av. Brasil. Veja aqui.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Polícia Militar do RS está contaminada pela truculência e pelo desrespeito aos movimentos populares


A mídia dá pouco destaque. A história da Polícia Militar do RS está sendo manchada por uma dupla de governo. A imponente (que impõe mas não se impõe) governadora Yeda Crusius (PSDB), filhotinha enjeitada na política nacional e filha de um partido moribundo, manda bater no povo que deveria proteger. A seu comando e agindo com a lógica de um lobotomizado, está um tal de coronel Paulo Roberto Mendes. O tal coroné faz juz a história gaúcha das charqueadas do século XIX, mantendo em conserva a turba, com sapecadas e sal. Mendes é um ente de tradição, cujas raízes estão na Espanha de 1939.

A marcha dos Sem, uma reunião de vários movimentos populares, fazia uma marcha de protesto em Porto Alegre (RS), que se dirigia ao palácio do governo. Eis que no caminho os policiais, devidamente fustigados pelo preconceito de seu comandante, açoitaram, bateram, quebraram, lançaram bombas de efeito moral e apontaram armas para as pessoas. A manifestação pacífica garantida na Carta Magna, virou palco de atrocidades, de pisoteio dos coturnos na democracia.

A tática utilizada não é inédita; faz parte do manual de sobrevivência do coroné Mendes: bater antes, explicar (se necessário) depois. São vários os episódios desse tipo no des-governo de Yeda. As vítimas preferidas são as pessoas que formam o movimento do campo pela reforma agrária. Em um estado em que as terras estão cada vez mais depauperadas e caras, o agrobusiness aconchavou-se com a política da porretada. Próprio de quem tem apenas um argumento.


O lixo da história os aguarda.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Uma bomba nuclear foi detonada pelos EUA em combate no Iraque


O notícia foi comunicada por um iraquiano ou um terrorista?
Não, esta sendo denunciada por um ex-militar, veterano, oficial-mecânico dos EUA. Chama-se Jim Brown. A bomba foi lançada em 1992 durante a primeira guerra do golfo. Era uma bomba de 5 kilotons, de menor impacto do que aquelas lançadas sobre Horoshima e Nagasaki. A bomba é do tipo penetrante, explode debaixo da terra e seus efeitos (radiação) tambem servem como dissuasivo ao emitir radiação em determinada área por longo tempo.

Seria a terceira bomba nuclear lançada em combate na história da humanidade. A bomba foi detonada na região de Basrah, proximo ao Irã. O abalo sísmico gerado foi detectado por alguns centros sismológicos no mundo, coincidindo com a data e o horário relatado. Jim Brown tem ouvido testemunhos de ex-combatentes que participaram do evento. Um médico iraquiano (Dott Jawad Al Ali) relata que houve um aumento de 39 casos em 1989 para mais de 600 casos de cânceres na região em 2002-. Alguns dos tumores são raros.

A notícia está veiculada pela RAI (italiana) e pelo jornal espanhol El País (clique e veja). Há vídeos, apresentação power point a reportagem inteira. As imagens dos tumores no arquivo em power point não deveriam ser vistas por quem é sensível. São imagens perturbadoras, inclusive de muitas crianças atingidas.