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sábado, 29 de novembro de 2008

Pode um acadêmico ser realmente livre? Ou pode um libertário ser acadêmico?


"Who wants to be an academic these days, and what do they do? All the smart people go and work for McKinsey, right? They’re all bankers or something. Who wants to come and waste seven, eight years of their life on their intellectual passion to be trained and prepared for a life as teacher in a university? I don’t want to sacrifice my professional probity, but most academics are not people who change the terms of academic debate; they are people who recycle and elaborate on the insights of others. That’s what most of us do. And if you’re not one of those people, if you have an original agenda of your own, it’s not always easy to get it recognized. It’s not always easy to work across disciplinary lines; it’s not always attractive to be an intellectual—and I don’t mean a public intellectual, but to be an intellectual rather than a scholar. Sometimes those things are pulled in different directions, and it would be silly to pretend that tension isn’t there."
Paul Gilroy em http://www.transitionmagazine.com/articles/shelby.htm

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Prof. José Geraldo de Sousa Jr. e o Prof. João Batista de Sousa tomam posse na UnB


Coincidência ou não, guardando a devida proporção, Obama foi eleito nos EUA e o Prof. José Geraldo toma posse na UnB. Ambos inciam uma fase que é pós-aborto de uma politica desastrada, retrógrada e maléfica dos velhos dirigentes de suas respectivas áreas de atuação. Ambos suscitam a esperança de que haverá um espaço mais democrático para a cidadania. Não haverá uma grande mudança. Uma retomada da esperança é a pauta.

O Prof. José Geraldo é mais otimista. Disse o mestre em sua posse: “Os alunos souberam ser os tradutores dessa memória histórica porque não atuam por interesses individuais ou econômicos. Eles só se movem pelo horizonte da utopia. São a nossa razão de ser”. Um discurso audaz e cativante. Mas não se acredita mais em ilusionismo. Na realidade da instituição permeia o pragmatismo das relações de troca, de mercantilização do saber, dos clubinhos de excelência e das aulas de conveniência. Ouve-se muita reclamação de assédio moral que sustenta esta rede sociopatologica. Uma patologia social que precisa ser tratada com doses cavalares de democracia, participação e transparência. Aliás, esta última palavra foi adotada pela gestão do Prof. José Geraldo. Merece crédito, vejamos os resultados.
A posição do DCE é interessante: apoio crítico, com uma pauta de reivindicações (veja abaixo).

Pauta da Carta de Princípios elaborada pelo DCE:

1. Defesa da universidade pública, gratuita, de qualidade e a serviço de uma sociedade mais justa;

2. Pela não implementação do Reuni (Decreto de Expansão do Governo Federal) até que haja amplo debate com toda a comunidade universitária. Expansão da UnB com recursos correspondentes, garantindo de forma qualitativa o tripé da universidade: pesquisa, ensino e extensão;

3. Pelo fim das fundações privadas nas universidades públicas;

4. Priorização da política de assistência estudantil, como dimensão importante do papel da universidade na manutenção do estudante, garantindo seus direitos;

5. Concurso público para contratação de professores e servidores técnico-administrativos de forma a suprir o atual déficit no quadro da UnB;

6. Pela paridade nas eleições para todos os cargos eletivos da universidade e na composição de todas as instâncias deliberativas da UnB;

7. Convocação do Congresso Estatuinte Paritário, para discussão do modelo estrutural de nossa universidade;

8.Pela construção imediata de um Restaurante Universitário no campus de Planaltina;

9. Pela ampliação dos horários de circulação do transporte interno e gratuito da UnB e que este faça o trajeto até a rodoviária;

10. Construção de novos prédios de moradia estudantil, e reforma dos prédios usados atualmente, preservando a dignidade dos moradores.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

sábado, 18 de outubro de 2008

Frei Leonardo Boff é proibido de falar em evento hoje em Brasília


Notícia veiculada no blog do jornalista Ricardo Noblat:

"Diocese de Brasília proibe palestra de Leonardo Boff

A Diocese de Brasília proibiu o ex-frade Leonardo Boff de fazer uma palestra, no fim desta tarde, durante o encontro chamado "Cebração Latino-americana e Caribenha - 800 anos de Carisma de São Francisco", que reúne cerca de 1.200 pessoas entre religiosos e leigos de nove países.

O encontro foi aberto ontem à tarde no Colégio Santo Antônio e será encerrado amanhã com uma caminhada até o Palácio do Planalto. Ali, os organizadores do encontro entregarão ao vice-presidente da República José Alencar o documento "Carta aos Governantes".

O veto à palestra de Boff foi anunciado por ele mesmo por meio de uma carta lida há pouco. Boff não revelou as razões do veto. E não compareceu ao encontro."

Pensar e falar livre é um pesadelo para algumas instituições.



sexta-feira, 29 de agosto de 2008

A OCUPAÇÃO, A TRANSFORMAÇÃO E A ELEIÇÃO

"O destino de sete homens após uma invasão

Quarenta anos depois da pior ocupação da Universidade de Brasília pelos militares, o Correio resgata a história dos estudantes considerados subversivos que teriam motivado a investida

Ana Beatriz Magno
Da equipe do Correio
Arquivo UnB - 29/8/68
Militares no câmpus em 29 de agosto de 1968: carro virado para incitar o confronto com alunos

Arquivo UnB - 29/8/68
Cinqüenta estudantes acabaram presos na invasão de agosto de 1968

A semana começou com a estréia do faroeste A volta dos sete homens no Cine Brasília e terminou com uma caçada sangrenta a sete moços que não voltaram para casa naquela quinta-feira, 29 de agosto de 1968.

O bangue-bangue de Burt Kennedy contava a saga de um grupo de mexicanos pelos Estados Unidos e era a continuação do famoso Sete homens e um destino, estrelado por Charles Bronson.

Como no filme, os sete estudantes caçados pelos corredores da Universidade de Brasília há exatamente 40 anos tinham um único destino: enfrentar a ditadura. Às 10h, cerca de 50 carros da polícia fecharam as ruas que davam acesso ao câmpus.

Os policiais chegaram com metralhadoras, mosquetões e pistolas. Espalharam medo e bombas de gás lacrimogêneo. Invadiram salas de aula, quebraram laboratórios, interromperam provas e entraram para a História como os responsáveis pela pior das oito invasões sofridas pela UnB durante o regime militar.

Os militares alegavam que estavam cumprindo mandado de prisão preventiva contra sete alunos subversivos. Prenderam 500 moças e rapazes numa quadra de esportes, carregaram 50 estudantes para a delegacia, atiraram na cabeça de um jovem.

Mauro Burlamaqui, José Prates, Paulo Sérgio Cassis, Paulo Speller, Samuel Babah, Lenine Bueno Monteiro e Honestino Guimarães eram os procurados. Seis conseguiram escapar. Honestino esperneou, berrou, teve os óculos e o braço quebrados, mas terminou no camburão.

“Hoje é o nosso dia”, gritava o major do Exército, José Leopoldino Silva, responsável pela prisão de Honestino, segundo relato de Antonio de Pádua Gurgel, autor do livro A rebelião dos estudantes, publicado pela editora Revan.

O filho de dona Maria Rosa tinha 21 anos de idade, passara no vestibular em primeiro lugar, cursava geologia e presidia a Federação dos Estudantes Universitários de Brasília (Feub), instituição correspondente ao atual Diretório Central dos Estudantes.

Honestino era militante da chamada Ação Popular (AP), corrente política de inspiração católica. Sua prisão durou pouco. Em outubro ele foi solto e entrou de vez na clandestinidade. Em 1973, voltou para a cadeia e nunca mais retornou para as braços de sua mãe. Seu nome está na lista dos desaparecidos políticos.

Quatro décadas depois da invasão da UnB, o Correio Braziliense rastreou o paradeiro dos sete brasileiros que, em 29 de agosto de 1968, mostraram para o Brasil que a juventude de Brasília não se curvaria à ditadura. Dois deles morreram. Um mudou de país. Três seguem na militância política.
Editor: Samanta Sallum // samanta.sallum@correioweb.com.br
Subeditores: Ana Paixão, Roberto Fonseca, Valéria Velasco
e-mail: cidades@correioweb.com.br
Tels. 3214-1180 • 3214-1181"

Vale a pena ler a reportagem inteira que está publicada na versão impressa do Correio Braziliense de hoje. Uma jóia!

A eleição para reitor que se aproxima tem um grande diferencial. Alguns se omitiram dessa luta histórica; ou melhor dizendo, ignoraram do drama heróico dos indivíduos e das famílias que vivenciaram a morte dos seus.

Hoje alguns se regozijam como grandes feitores da academia, esquecendo que foi graças à luta destes heróis, com seus espiritos contestadores, inspiradores da incessante luta republicana, que suas vidas acadêmicas puderam ter impulso, receberam bolsas de estudo no exterior e de permitir a ocupação da academia por cientistas, não por testas-de-ferro políticos. Utilizam a UnB como se eles fossem o princípio de tudo. O que passou, a luta dos estudantes e a vergonha das atitudes de maus reitores, são pontos que alguns reitoráveis procuram desesperadamente esquecer e se desvincular.


Outros continuam e estão aí na luta para concretizar o sonho de democracia e liberdade na UnB. Cumprir o destino libertário e libertador da UnB. A escolha da comunidade não levará em conta as conveniências, mas o destino único da UnB como Universidade popular, pública, gratuita, transformadora e de qualidade.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

ATENTADO À LIBERDADE SINDICAL DO ANDES

A PROPÓSITO DO EDITAL DE CONVOCAÇÃO DE ASSEMBLÉIA DE CRIAÇÃO DE UM SINDICATO NACIONAL DOS PROFESSORES DO ENSINO SUPERIOR PÚBLICO FEDERAL.


Quando, em 1988, a Associação Nacional dos Docentes de Ensino Superior - ANDES transformou-se, por decisão democrática de seus associados, em Sindicato Nacional, tornou-se o ANDES-SN representante legítimo dos docentes de todas instituições brasileiras de ensino superior.
Nesta condição, em seus 27 anos de existência, o ANDES-SN sempre se orientou pela luta em defesa da valorização do trabalho docente e da universidade pública, gratuita, autônoma, democrática, laica e de qualidade socialmente referenciada. Mais do que isso, a partir da compreensão política da necessidade concreta de articular suas lutas com as lutas do conjunto da classe trabalhadora, o sindicato se pautou pela preocupação de jamais apartar a universidade, o trabalho acadêmico e a atividade política e sindical da dura realidade social em que estamos inseridos.
Assim articulado, o ANDES-SN nunca se ausentou do debate das grandes questões nacionais. Infelizmente todo esse esforço não foi suficiente para deter o processo de desvinculação da educação de suas verdadeiras finalidades em relação à sociedade. Reagimos com preocupação à situação desastrosa da educação e ao avanço do processo nefasto de sua privatização e mercantilização, a desvalorização contínua do trabalho docente e os ataques sistemáticos dos governos de plantão contra a universidade pública, situação que se coloca em xeque este importante patrimônio do povo brasileiro. Para além disso, assiste-se no país a generalização de práticas anti-sindicais, a crescente subordinação do movimento sindical ao Estado, ao governo e à patronal e os ataques sistemáticos que vêm sendo desferidos contra o sindicalismo autônomo, classista e combativo, do qual o ANDES-SN é expressão.
Nesse contexto, o empenho sistemático do governo Lula, no sentido da cooptação e da domesticação dos movimentos sociais e dos sindicatos, visa garantir que os organismos construídos pela classe trabalhadora sejam imobilizados e se tornem a garantia segura de que não haverá resistência à continuidade da implementação da agenda neoliberal imposta à sociedade pelos governos que se sucederam no poder nas últimas décadas.
A constituição artificial de um ente pretensamente sindical na base do ANDES-SN (Proifes), pelo governo Lula, pela CUT e pelas forças políticas que o apóiam, insere-se neste quadro e representa uma ameaça para o SINDICATO NACIONAL e para toda a nossa luta em defesa da Universidade e da valorização do trabalho docente.
É nesse cenário que compreendemos a publicação no Diário Oficial da União e em outros órgãos da imprensa, da convocação de uma assembléia, para o dia 6 de setembro, na sede da CUT em São Paulo, com o objetivo de criar um sindicato nacional de Professores do Ensino Público Federal (Universidades Federais), conforme deliberado no IV encontro nacional do Proifes.
O ANDES-SN sempre defendeu a independência dos sindicatos e entidades sociais do aparelho do estado, o livre direito de organização e de reunião e não renunciará a estes princípios. No entanto, não há como deixar de identificar nessa convocação a tentativa de criar uma nova entidade na enviesada perspectiva da vinculação estreita com o governo e da fragmentação da organização e da luta que os docentes do ensino superior têm conduzido na defesa de políticas efetivas para mudar a realidade da educação no país e para conquistar as devidas condições de trabalho nas nossas universidades.
Confiamos que, mais uma vez neste momento, os docentes das universidades federais saberão dar a devida resposta a mais esta tentativa de destruir nossa unidade de ação e o Sindicato Nacional que efetivamente tem feito o combate na defesa de nossos princípios, ideais e propostas democraticamente construídas pela categoria.


Brasília, 14 de agosto de 2008




Diretoria do ANDES-SN

terça-feira, 22 de julho de 2008

Blitzkrieg contra o MST: um sinal da repressão e do amodarçamento social



TENDÊNCIAS/DEBATES

Luz vermelha no Rio Grande do Sul

PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO


Explicam-se, pois, as manifestações de perplexidade e indignação ante o tom raivoso e sectário do Ministério Público gaúcho

UMA LUZ vermelha se acendeu em todos os setores democráticos com a publicação da ata de uma reunião do Conselho Superior do Ministério Público do Rio Grande do Sul, dedicada à análise da situação do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).
O motivo do alerta são as propostas aprovadas unanimemente pelos conselheiros: a primeira foi designar uma equipe de promotores para promover ação civil pública visando a dissolução do MST e a declará-lo ilegal.
A essa medida draconiana seguem-se outras: suspender deslocamentos em massa de trabalhadores sem terra; impedir a presença de crianças e adolescentes em marchas e acampamentos; investigar acampados e dirigentes do movimento por crime organizado e uso de verbas públicas; verificar ocorrência de desequilíbrio eleitoral nos locais de acampamentos e assentamentos, promovendo, em caso positivo, o cancelamento dos eleitores; intervir em três escolas mantidas pelo MST; verificar se há paridade entre assentamentos e empresas rurais na avaliação do Incra a respeito do cumprimento da função social da propriedade e da produtividade dos imóveis; desativar acampamentos próximos à fazenda Coqueiros.
A simples leitura dessa "Blitzkrieg" de medidas inibidoras da ação dos sem terra deixa perplexos os que se habituaram a ver no Ministério Público uma instituição formada por profissionais do mais alto nível, pois, além de evidentes inconstitucionalidades, o texto está vazado em linguagem imprecisa e, em alguns casos, evidentemente emprestada dos manifestos das organizações ruralistas mais reacionárias.
Isso ocorre no momento em que os cultores do Estado democrático de Direito estão preocupados com o ciclo de restrição das garantias e liberdades individuais e coletivas que surgiu com a desvairada reação norte-americana aos atentados do 11 de Setembro. Essa onda reacionária, que já se manifestou igualmente na França, na Itália e em outros países, parece estar chegando ao Brasil e precisa ser energicamente repelida.
Não será difícil para os advogados do MST barrar na esfera judicial as medidas propostas na infeliz reunião do Ministério Publico gaúcho. Por isso, não há necessidade de refutá-las uma a uma. O que, sim, demanda consideração pelas pessoas de formação democrática é o grave dano que a injustificada atitude de um braço estadual causa ao Ministério Público de todo o país.
Os constituintes de 1988, com plena consciência do passo que estavam dando, talharam de forma inovadora o capítulo do Ministério Público na Constituição Federal. Tratava-se de dotar o Estado brasileiro de uma instituição com poderes adequados à fiscalização e à promoção do cumprimento da lei.
Por isso, além das tradicionais atribuições relativas à perseguição criminal, o Ministério Público adquiriu poder para, na defesa de interesses coletivos ou difusos, acionar a Justiça contra pessoas jurídicas de direito privado, órgãos da administração pública e até Poderes do Estado.
A magnitude desse avanço na concepção do Estado democrático de Direito pode ser medida pela confiança que as organizações populares, as igrejas, os sindicatos, os partidos e os grupos de cidadãos, em todos os cantos do país, passaram a depositar nos promotores de Justiça.
Esse conceito tem um preço: imparcialidade, coragem, sintonia total com o texto e o espírito da Constituição. Explicam-se, pois, as manifestações de perplexidade e de indignação de entidades da sociedade civil e, inclusive, de associações de promotores de Justiça de várias partes do país diante do tom raivoso e sectário do Ministério Público gaúcho.
A proposta de jogar o MST na ilegalidade é insensata e revela crasso desconhecimento do papel que esse movimento desempenha no grave conflito agrário do país. Como a burguesia brasileira imagina que possa sobreviver uma população de milhões de pessoas sem terra para produzir o seu sustento, sem emprego no campo, sem emprego na cidade e sem reforma agrária?
Ao organizar a pressão dessa população, o MST lhes oferece a esperança que mantém a disputa dentro de parâmetros compatíveis com a vida democrática. Exagerar a gravidade dos atos de desobediência civil que o movimento promove para sensibilizar a opinião pública é estratégia dos grandes proprietários. Não tem o menor cabimento que um órgão do Estado a encampe.
As pessoas que têm elevada consideração pelo Ministério Público esperam uma reação enérgica dos membros da corporação contra o que constitui, sob qualquer ângulo de análise, uma deturpação das atribuições que a Constituição conferiu à instituição.


PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO , 78, advogado, é presidente da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária) e diretor do "Correio da Cidadania". Foi deputado federal pelo PT-SP (1985-91) e consultor da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação).
Folha de São Paulo, 22/07/08.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

CENSURA NA WEB, UM RETROCESSO NA LIBERDADE DE EXPRESSÃO


TSE inaugura censura à internet
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por Ruy Fabiano
Jornalista do Correio Braziliense
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estendeu sua jurisdição à internet. Proibiu que no espaço virtual, que não é concessão do Estado, circule material informativo sobre as eleições. Nessa rubrica constam não apenas propaganda, mas também material analítico e notícias.
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Hoje, a internet — com seus milhares de sites, blogs, portais e comunidades — é a mais abundante fonte de consulta, jornalística ou não, acessada pelo público. Seu índice de leitura supera o dos jornais. Não por a caso, para lá migraram praticamente todos os jornais e revistas e alguns dos melhores jornalistas — e o fenômeno não é apenas nacional: é mundial.
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Censurá-la, pois, é atentado à liberdade de informação, o que infringe a Constituição Federal. Coloca o Brasil no mesmo patamar de China e Cuba — ditaduras temerosas da liberdade de expressão —, que exercem implacável fiscalização sobre a rede mundial.
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Configura, inclusive, retrocesso em relação ao próprio tribunal. Há dias, o TSE reviu decisão análoga da Justiça comum, relativa à mídia impressa. Três órgãos de imprensa — Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e Veja — haviam sido punidos por cumprir o papel institucional de informar. O TSE, diante da insustentabilidade daqueles atos, reconheceu que jornalismo não é propaganda. E os revogou.
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Entrevistar candidatos não significa vendê-los ao público. Propaganda é forma específica de comunicação, em que não atua o contraditório. Vendem-se as supostas excelências de um produto, sem menção aos seus eventuais efeitos colaterais. Propaganda eleitoral não é diferente.
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Já informação jornalística é outra coisa: divulga fatos e acontecimentos. Quando o jornal faz opção por algum candidato, legítimo direito que tem, expõe seus argumentos. Acompanha-o e compra-o quem quiser. Nem por isso, deixa de expor o contraditório, ao noticiar a campanha dos adversários e seus respectivos argumentos. Se não o fizer, encalha.
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Entrevista jornalística é diálogo, em que cabe ao entrevistador extrair o máximo do entrevistado, fazendo com que diga não apenas o que quer, mas também o que não quer. As melhores entrevistas são exatamente aquelas em que o entrevistado trai a si próprio, revelando o que não planejara dizer. O resultado de uma entrevista depende do talento de ambos, mas sobretudo de quem entrevista. Caracterizar entrevista como propaganda é desconhecer seu significado e objetivo. E a Justiça havia punido a Folha de S.Paulo por entrevistar dois pré-candidatos — Marta Suplicy e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab —, por entender que, ao publicar suas respectivas plataformas, havia feito propaganda política.
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Uma procuradora chegou a mencionar o que era possível em entrevistas com candidatos: mencionar preferências culinárias, hábitos domésticos e culturais etc. Mostrou-se aprendiz em culinária jurídica e um desastre em jornalismo. O jurista Saulo Ramos lamentou o despreparo técnico dos protagonistas daquele ato.
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O TSE corrigiu isso. Mas sua Resolução n° 22.718, recém-publicada, reincide na falta. Equipara equivocadamente a internet ao rádio e à televisão, concessões públicas. Proíbe assim a mídia eletrônica de difundir opinião em relação a candidaturas e de dar tratamento diferenciado aos postulantes. Jornais e revistas, empresas privadas — compreensão que a Justiça só teve depois de forte reação da mídia —, continuam (felizmente) livres dessas restrições. Mas o precedente é perigoso.
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A internet é um espaço democrático mundialmente respeitado como tal. Nela, o poder econômico não exerce (ainda) monopólio. Blogueiros avulsos obtêm grande repercussão e fazem o contraponto às informações e opiniões do establishment.
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Tem-se ali um verdadeiro mercado da informação, em que prevalece quem melhor vende seu peixe. É o público que confere prestígio aos habitantes do espaço virtual. À exceção de ditaduras, ninguém se atreveu a mexer nisso. Ingerência só em casos específicos, que configuram crime, como a pedofilia ou a incitação à violência. Mesmo assim, essa intervenção, indispensável, tem sido largamente discutida, exatamente para que não sirva de pretexto a restrições ilegítimas.
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Pena que a maioria do TSE não tenha dado ouvidos ao ministro Carlos Ayres Britto, que em poucas palavras disse tudo: “O direito não tem como dar conta desse espaço. É um espaço que não nos cabe ocupar. Deixemos os internautas em paz”. Deixem mesmo.

terça-feira, 8 de julho de 2008

EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRA


"Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral. O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância. Se, como diz o projeto de lei, é crime "obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida", não podemos mais fazer nada na rede. O simples ato de acessar um site já seria um crime por "cópia sem pedir autorização" na memória "viva" (RAM) temporária do computador. Deveríamos considerar todos os browsers ilegais por criarem caches de páginas sem pedir autorização, e sem mesmo avisar aos mais comum dos usuários que eles estão copiando. Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação on-line em um blog, também seria crime. O projeto, se aprovado, colocaria a prática do "blogging" na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém! Se formos aplicar uma lei como essa as universidades, teríamos que considerar a ciência como uma atividade criminosa já que ela progride ao "transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado", "sem pedir a autorização dos autores" (citamos, mas não pedimos autorização aos autores para citá-los). Se levarmos o projeto de lei a sério, devemos nos perguntar como poderíamos pensar, criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos. O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Todo conhecimento se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos, pelas palestras que assistimos, pelas idéias que nos foram dadas por nossos professores e amigos... Como podemos criar algo que não tenha, de uma forma ou de outra, surgido ou sido transferido por algum "dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular"?


terça-feira, 17 de junho de 2008

Na USP os estudantes e os funcionários técnico-administrativos se mobilizam juntos em torno de suas pautas


A USP está dividida. Os funcionários querem 200 reias de aumento e os estudantes reivindicam um novo estatuto na Istituição, além de eleições diretas. A reitoria se mostra insensível a qualquer negociação. Hoje ocorreram piquetes e parte da atividades foram paralisadas. A Reitoria acionou a Justiça que mandou desmontarem os piquetes, com riscos de multas pesadas. Uma greve geral está sendo preparada para o segundo semestre letivo . Veja o que saiu no UOL aqui.

Quando o direito vira ABUSO contra a Liberdade de Expressão

Leiam o artigo - assinado por André Toso - publicado no Jornal Última Hora, do Mato Grosso do Sul, clicando aqui. Ele fala da "indústria dos processos", em especial contra jornalistas.