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domingo, 21 de setembro de 2008

O que será que será


Muitos contestadores da gestão do ex-reitor processado, que se tornaram críticos da chapa 73, foram humilhados e ameaçados com processos administrativos e cíveis ao longo desses anos todos. Pessoas sérias, honestas e preocupadas com o bem público. Pessoas que não se calaram no confronto com a truculência do poder. Os nossos detratores são tão covardes que mesmo não tendo poder algum que não seja sobre as nossas próprias idéias, somos ameaçados.

Diariamente somos desprezados em nossas reivindicações e em nossos questionamentos. Há ofensas veladas e correm as mais abjetas inverdades a nosso respeito. Esse processo degradante não se iniciou na renuncia do ex-reitor processado. Esse processo é antigo e cotidiano.

Vivemos atravessando precárias pontes preênseis de um caminho que não foi e nunca será o mais cômodo.

Com uma possivel vitória da chapa 73, estaremos vaticinados ao ostracismo na forma de sermos ignorados como expressões legítimas de um grupo que ousa pensar diferente?

A perseguição dentro da instituição por indivíduos rancorosos (e como os há!) será o nosso cotidiano?

As opções de pressão e de degradação são muitas. Espera-nos o cerco moral de nossas esperanças. Embora estejamos acostumados a viver a “pão-e-água” em um ambiente hostil, acredito que viveremos um mundo na instituição pior do que já vivemos com um retorno da chapa 73 ao comando da UnB. Por essas poucas e suficientes razões acredito que a chapa 73 nunca foi a melhor opção para a reitoria.

Não nos calaremos à mistificação e ao fetichismus da "excelência acadêmica" dissociada da humanização e da democracia na UnB.


Esse texto é de autoria de Vanner Boere Souza e não reflete necessariamente a opinião do Coletivo UnB Livre.



Em tempo: em resposta ao anônimo , os termos "metralhas" e "petralhas" se referindo às chapas concorrentes são engraçados, um bom jogo de palavras. Mas se levado a sério, é muito generalizante e não concordo. Há bons e maus cidadãos em ambas as chapas. Quanto ao meu voto no segundo turno, embora encontre contradições na Chapa 76, ainda assim é uma chapa que confio mais do que a outra chapa.

Vanner

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Projeto de um candidato a reitor


"Quero ser o primeiro reitor formado pela própria UnB"
Márcio Pimentel.

Em destaque no blog da chapa concorrente à reitoria da UnB, essa frase demonstra bem o que quer o candidato. Um projeto pessoal, de ser o "primeiro", de ser o símbolo de políticas da Instituição.
Desdobra-se a frase e o que pode se ler é "quero mostrar que o projeto de UnB que aí está (esteve), é um projeto viável e se você fizer como eu, pode chegar até a ser reitor".

Acima de um projeto de Universidade, nota-se que há um projeto pessoal.

"EU QUERO SER O PRIMEIRO..."

sexta-feira, 27 de junho de 2008

1968 a 2008 na UnB


O jornalista Zuenir Ventura e o fotógrafo Luis Humberto falaram ao Correio Braziliense sobre as causas, a luta e o reflexo de 1968 no mundo de hoje. Uma forte ênfase está no papel da UnB. Vejam partes da entrevista:
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UnB: utopia
“A UnB era a grande utopia dos intelectuais brasileiros. Ser convidado para ser professor da UnB era se sentir como um dos eleitos” (Zuenir)

Era um Eldorado da inteligência brasileira. A gente acabava as aulas no entardecer e já ficava pensando na hora de voltar no dia seguinte: um emprego raro no Brasil. Tinha uma proposta transformadora. E qualquer coisa que represente inteligência e transformação era péssima para os militares, habituados a pensar por esquemas e de forma bruta” (L.Humberto)

UnB: invasão
“O (presidente) Costa e Silva não queria a invasão da UnB. Ele falou: ‘Diz pra essa gente que, com a universidade, nada. Eu quero dormir tranqüilo’. No dia seguinte, ele se surpreendeu com a invasão, que foi autorizada pelo Gama e Silva, um civil muito mais linha-dura do que os militares.” (Zuenir)

“Em 1968, o Rio era o centro de tudo. Os acontecimentos de maior repercussão – a morte de Edson Luiz, a passeata dos 100 mil, o AI-5 – foram lá. A notícia da invasão da UnB chegou sem grande alarde. Depois da invasão e do discurso do Marcito (Márcio Moreira Alves, então deputado federal), veio o AI-5. E a invasão da UnB foi o pretexto que a linha-dura esperava; isso, para mim, ficou claríssimo. Porque, em abril, houve uma tentativa de AI-5, de um golpe dentro do golpe, que acabou abortado. Era preciso arranjar pretextos para justificar o endurecimento. Foi quando a linha-dura ganhou a parada. Para mim, isso ficou claríssimo 20 anos depois, quando fui fazer o livro 1968 – o ano que não terminou” (Zuenir)

“A invasão da UnB foi uma espécie de Viagra da Revolução” (Luis Humberto)

1968 no mundo
“Foi o momento de uma geração que estava descontente com o que estava acontecendo depois da guerra. Porque todo mundo tinha acreditado que viria a paz, a fraternidade entre os homens, não veio nada disso. E os que se dispunham a reformar o mundo, como os soviéticos, se mostraram uns facínoras quando invadiram a Tchecoslováquia” (Luis Humberto)

“ Em 1968, havia rebeldia e insatisfação, mas não necessariamente de origem política, de esquerda. Isso foi mais forte no Brasil: aqui, a luta era para derrubar uma ditadura. Mas, na França, o maio de 1968 começou como motivação social – a reivindicação dos estudantes era por dormitórios mistos: eles queriam ter acesso aos dormitórios femininos” (Zuenir) "