sexta-feira, 18 de abril de 2008

Estudantes deixam a reitoria, mas jamais deixarão de ocupar um espaço fundamental na reconstrução da UnB

Hoje ao meio-dia, os estudantes entregaram a reitoria ao reitor pro tempore, Prof. Roberto Aguiar. Termina a ocupação do prédio, mas não termina a ocupação que os estudantes querem na UnB: a paridade e uma estatuinte paritária.

CRISE NA UnB: Gestão temporária será coletiva (matéria completa do Correio Braziliense aqui).
Reitor pro tempore convida estudantes, professores e técnicos a formar comissões para ajudá-lo.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Os afundadores da UnB


O desastre da Tenebrosa administração fez estagos na UnB que ainda permanecerão por muitos anos atrapalhando a evolução da Instituição. Ao passo que se aprofundam as investigações sobre as irregularidades e desonestas operações com verbas que deveria servir à UnB, mais podridão aparece. Parece que desta fossa ainda serão drenadas dezenas de práticas criminosas que foram operacionalizadas por personagens obscuros, muitos dos quais são criminosos travestidos de acadêmicos.

Aqueles que defendem e defendiam a
Tenebrosa administração devem ser lembrados como autores e co-autores dos prejuízs causados à Instituição. O Comitê UnB Livre estará registrando para a História da UnB todos os episódios de descalabro, corrupção e assédio moral que os funcionários, professores e estudantes honestos sofreram nestes últimos anos. Os autores e seus co-autores não serão esquecidos.
Veja nos cabeçalhos abaixo mais episódios de crime e as suas conseqüências imediatas, divulgadas pela mídia.
TCU veta repasse de R$ 30 milhões à UnB.
CPI dos Cartões aprova convocações de reitor da Unifesp e de ex-vice-reitor da UnB.
Promotoria investiga contratos entre governos do PT e fundação da UnB.

Carta Aberta aos Professores e à Comunidade da UnB


Mais uma vez o protagonismo dos mestres-estudantes fez história na UnB. A ditadura lauro-timotista - ancorada no poder material, na supressão do poder dos conselhos e colegiados e na formação de uma grande rede de distribuição discricionária de recursos, poderes, favores, privilégios e honrarias - foi derrotada. Sua desmoralização foi implacável, completa, irreversível. Em menos de duas semanas, a força avassaladora do movimento da comunidade universitária desencadeado pela ocupação estudantil e amplamente apoiado pela opinião pública abriu o caminho da construção de uma nova UnB.
Decerto que ainda há muitos obstáculos e etapas a serem superadas. Sabemos que não são pouco poderosos os que farão de tudo para preservar intactas as bases materiais e estruturais da ditadura lauro-timotista e das políticas encaminhadas pelo MEC, pelo Banco Mundial e pelo projeto histórico do capitalismo educacional - mesmo depois de elas terem ruído com a vergonhosa derrocada de Timothy, Mamya, de seu decreto ditatorial e de toda sua despótica administração superior. Mas sabemos também que vivemos dias que valem semanas, semanas que valem meses, meses que valem anos, anos que valem décadas. A queda da ditadura lauro-timotista abriu um dos momentos mais fecundos na história da UnB e da universidade pública brasileira: ela agora nos impõe o desafio de superar as estruturas corruptas e corruptoras deste modelo de universidade a fim de redefinir, reorientar e reconstruir publicamente e comunitariamente a nossa universidade. Todo o Brasil - e particularmente a universidade pública e a comunidade acadêmica - acompanham com o mais vivo interesse o processo histórico que protagonizamos na UnB. De sua crise mais profunda, abre-se a oportunidade histórica irrecusável para que a Universidade de Brasília encontre no diálogo inteligente e no embate dialético de projetos históricos o caminho de sua verdadeira autonomia e de seu sentido público, ético e socialmente orientado - que só poderá se materializar, com os mestres-estudantes, a partir da mais ampla democracia interna, paritária e auto-gestionária, o único regime político adequado à inteligência coletiva de uma comunidade do saber.
Vivemos um momento histórico na UnB. A força política, moral e espiritual do movimento desencadeado pelos mestres-estudantes, de sua ação direta, auto-determinada e auto-gestionada, de sua inteligência coletiva, é simplesmente arrebatadora. Ela e suas principais reivindicações já foram consagradas na assembléia dos servidores, aprovada por vários conselhos desta universidade e defendida pelo reitor pro-tempore, Prof. Roberto Aguiar. Ela já envolve amplamente e envolverá de forma cada vez mais arrebatadora estudantes e docentes de nossa universidade.
Os mestres-estudantes abriram o caminho para todos nós e agora nos convidam a compartilhar com eles e com os servidores de nossa UnB a obra ético-politica de criação de uma nova universidade. Nossos mestres-estudantes nos dirigem esse apelo sincero e este convite generoso, que não podemos recusar sem colocar em xeque as relações entre estudantes, funcionários e professores e. com isso, a própria universidade. A hora é de distensionar os espíritos, abrir o diálogo e desobstruir os caminhos para que possamos levar a cabo a tarefa comum de construirmos uma nova UnB. Estamos diante de uma mudança de paradigma, que representa também uma mudança de época: a UnB não poderá mais ser governada sem os estudantes e sem a mais ampla democratização interna de nossa instituição.
Nós, professores, saberemos compreender o profundo sentido humano do convite que nos dirigem nossos mestres-estudantes. O sentido socialmente orientado e essencialmente ético-político da docência nos inclina a sabiamentre acolher o convite generoso que nos fazem nossos mestres-estudantes: a consagração das Eleições Paritárias Gerais e a convocação de um Congresso Estatuinte Paritário, como próximas etapas no processo histórico de construção coletiva dos alicerces constituintes de uma nova UnB. Na assembléia da ADUnB, no chão das salas de aula, dos corredores e dos colegiados e conselhos desta universidade, na assembléia da comunidade da UnB, é chegada a hora de decidamente trilharmos os caminhos que nos permitirão construir com estudantes e servidores a auto-gestão de nossa comunidade do saber.

Rodrigo Dantas. Chefe do Departamento de Filosofia da UnB.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

PARIDADE AGORA!


O Comitê UnB Livre
entende que a paridade é uma reinvidicação justa dos estudantes e dos funcionários técnico-administrativos. Ambos os segmentos estão tentando recuperar um espaço que lhes pertenceu e funcionou muito bem no passado. A não paridade foi adotada durante a administração Tenebrosa que se foi. Com a Tenebrosa administração que se foi, ensejamos despachar junto o entulho elitista e autoritário da não-paridade.

Sem a paridade entre docentes, estudantes e funcionários, não há democracia verdadeira.

Junte-se a esta bandeira!
Assine
o manifesto no post clicando aqui.

Reitor pro tempore faz acordo com os estudantes


O Reitor pro tempore, Prof. Roberto Aguiar, faz acordo com estudantes e fecha uma pauta com todos os 28 intens de negociação


E SE DECLARA A FAVOR DA PARIDADE!


Parabéns estudantes por conseguirem alguém digno para a UnB!


Roberto Aguiar, quanta diferença!

Que diferença de estilo e de pensamentos em relação ao ex-reitor!
O reitor nomeado pro tempore pelo MEC foi dialogar nesta quarta-feira com os alunos que ocupam a reitoria. O diálogo não foi acompanhado pela imprensa mas os relatos indicam uma capacidade de negociação e compreensão digna dos homens essencialmente democráticos. Sentou em uma mesa comum, não exigiu a saída dos alunos e prometeu manter uma série de reivindicações dos alunos na pauta da reestruturação da UnB, durante a protemporiedade.
Quanta diferença!
O Comitê UnB Livre manifesta as boas vindas e acredita que as ações a partir de agora serão pautadas pelo diálogo franco, ético e despreendido de ambições mesquinhas.
Veja clicando aqui algumas notícias.

terça-feira, 15 de abril de 2008

O MANIFESTO EM DEFESA DA UNB - crescem as adesões - 46 professores querem uma UnB totalmente nova e com democracia plena


MANIFESTO EM DEFESA DA UnB

O primeiro semestre de 2008 se inicia e a Reitoria da UnB procura por todos os meios passar a idéia de um ambiente de normalidade. Longe disso, acreditamos que nossa instituição vive um dos momentos mais graves de sua história. Após o desgaste nacional irreversível da imagem do nosso Reitor, ligado a desvios na FINATEC, descobriram-se irregularidades também na Editora e outros órgãos ligados à Reitoria já estão na mira da justiça devido a razões similares. O uso indevido das fundações de apoio à pesquisa, o favorecimento pessoal, a mercantilização da atividade acadêmica e o clientelismo parece contaminar a tudo e a todos.
Circula pelo Brasil inteiro a idéia de que os professores da UnB perderam a vergonha ou a capacidade de reagir: assistiram ao seu Reitor justificar o injustificável e passaram a admitir o inadmissível. A partir do que ficou estampado na imprensa, para todo o país, a população começou a colocar-nos no rol dos políticos que absolvem figuras corruptas e desmoralizadas. Até o dia da assembléia da ADUnB (20 de fevereiro de 2008), que aprovou as atitudes do Reitor, a crise atual estava confinada à administração; depois disso, passou a ser de toda a comunidade acadêmica, como se fôssemos todos coniventes com o uso discricionário da coisa pública e a banalização das prioridades da universidade pública e gratuita.
Queremos deixar claro que a maioria dos 154 professores que absolveram o Reitor são pessoas que exercem cargos na administração e nos órgãos a ela diretamente vinculados ou que recebem ou receberam benefícios de projetos que dependem diretamente desta administração. Esse grupo propôs absolver a Reitoria invocando uma chantagem política maniqueísta elementar: se condenamos os desmandos cometidos estaremos fazendo o jogo dos nossos grandes inimigos – segundo eles, a Rede Globo, o Correio Braziliense, a Folha de São Paulo e os senadores da CPI, todos pressionando pela privatização da universidade pública. Nossa resposta é cristalina: não é com o estilo de gestão de Timothy Mulholland e Edgar Mamiya que defenderemos a universidade pública. Pelo contrário, devemos lutar contra as tentativas de desmonte da vida universitária pública tanto fora como dentro do campus. Por outro lado, é preocupante que o número de professores que estão se manifestando contra esse processo de declínio institucional seja ainda pequeno, comparado com o número total de docentes da UnB. Acreditamos que muitos que ainda não se pronunciaram, embora indignados, estão temerosos de algum tipo de retaliação. Afinal, esse recolhimento é resultado de um processo de desmonte dos mecanismos de participação e de autonomia que se iniciou há 10 anos. É penoso constatar que nossa universidade começa a distanciar-se perigosamente de seu digno passado de luta pela cidadania e pela democracia. E mesmo sua qualidade acadêmica periga: nos últimos 6 anos caíram os índices de vários cursos que antes eram de excelência e a administração procura abafar um assunto de tal gravidade com um forte investimento em publicidade institucional.
Vivemos um clima cotidiano de depressão e de intimidação. A mensagem subliminar que circula em todas as unidades, departamentos e centros é de que ou apoiamos politicamente a Reitoria ou nos expomos a retaliações, em geral manifestas pela indiferença e retardamento de atendimento dos pleitos acadêmicos, mesmo que sejam corretos e justos. Clientelismo aberto por um lado e punição velada por outro tem sido a linha adotada pela Reitoria nos últimos 10 anos. E foi a mistura desses dois princípios não democráticos – favorecimento privado e retaliação - que se evidenciou na última assembléia: os clientes compareceram ao chamado dos seus chefes e os não-clientes se retraíram, temerosos da punição anunciada pela truculência da tropa de choque da Reitoria.
O esvaziamento dos conselhos superiores é outro fato evidente do desmonte democrático da UnB. A decoração do apartamento do Reitor não passou pelo Conselho Universitário, órgão deliberativo máximo da instituição constituído por 60 membros, entre eles professores, estudantes e funcionários. Já o Conselho Diretor que aprovou o luxo escandaloso é presidido pelo Reitor e tem apenas 5 membros; um deles está lá há 12 anos e outro é um ex-Reitor de quem o atual foi chefe de gabinete. Na prática, esse Conselho funciona como uma ação entre amigos, esvaziado de transparência e impermeável à democracia representada pelos três segmentos da comunidade universitária.
O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE) também vem perdendo força progressiva: cursos novos são criados, concursos de professores são realizados, grandes convênios e projetos acadêmicos são firmados sem que o CEPE seja consultado. Ao invés de a comunidade acadêmica ouvir e deliberar, a Reitoria estabeleceu o sistema de negociações diretas com os institutos e as unidades. Somou-se a isso a negativa do Reitor em instituir uma Ouvidoria. Esse desmonte dos conselhos coloca os docentes em uma posição de grande vulnerabilidade que lembra os dias da ditadura militar: se a unidade escolher um representante de posições independentes, sofre sérios riscos de não ter seus pleitos atendidos.
Assim como o lugar ocupado pelo Grande Outro nos regimes totalitários, os nomes do Reitor e de seus enviados passam a ser invocados cada vez mais freqüentemente nas deliberações das unidades como lugar de referência e sentido em vez do nome dos conselhos apropriados. O resultado é uma pressão feroz nos colegiados por conformismo e adesão, o que leva uma grande parte dos docentes a concentrarem-se nos seus projetos individuais e se afastarem da participação na esfera pública acadêmica. Esse movimento de retração conduz inúmeras vezes a um estado depressivo, provavelmente generalizado neste momento na classe docente da UnB. Após 10 anos, esse sistema de intimidação velada começou a assumir uma aura de onipotência, como se a atual administração fosse um regime a eternizar-se na UnB.
O mesmo fenômeno que conduziu à quebra moral dos docentes (entre a retração temerosa e a cumplicidade sem ética) afetou também a categoria dos funcionários. Uma década de pressão para aderir politicamente à Reitoria em troca de pequenos favores certamente vem esfacelando a dignidade interna da categoria, fato agravado ainda mais pelo desestímulo devido à limitação de 15% na sua participação no processo eleitoral. Nós, docentes e servidores, teremos agora que lutar juntos para recuperar os nossos ideais de cidadania e mérito acadêmico.
A categoria dos estudantes é a nossa grande esperança neste momento. Apesar de desmobilizada no passado recente, é o único segmento que conseguiu evitar as pressões da Reitoria. Como no caso dos funcionários, não concordamos com os míseros 15% do total de votos a que estão condenados os estudantes da UnB.
Acreditamos que somente reverteremos este quadro se nos unirmos todos no debate aberto e criarmos coragem para nos apresentarmos com argumentos e fatos concretos em defesa da UnB. É hora de mudarmos essa situação que nos agride como docentes e cidadãos. O caminho do silêncio, da cumplicidade não revelada, dos acordos secretos, da retração individualista e depressiva é o caminho que conduziu ao atual desmonte institucional e à perda de rumos que nos envergonha nacionalmente.
Propomos uma mobilização intensa e coordenada dos três segmentos para não deixar este semestre começar sob o signo da mentira ou da covardia cúmplice da mentira. É preciso implementar mudanças urgentes para retomarmos a dignidade de nossa instituição em todos os planos – ético, acadêmico, de gestão institucional, de democracia e de justiça.

Algumas medidas que julgamos prioritárias
- Afastamento imediato do Reitor enquanto durar o processo legal de apuração dos desvios de gestão cometidos.
- Fim da reeleição para Reitor. Não é adequado para os ideais democráticos que uma mesma pessoa possa impor-se para controlar os destinos de toda a comunidade universitária por 16 anos seguidos (8 como Vice e 8 como Reitor).
- Retorno imediato à paridade nas eleições para Reitor. Os mecanismos atuais de desmonte do processo democrático e de generalização do clientelismo começaram a partir da eleição de 1997, a primeira na proporção 70-15-15. Essa concentração do poder decisório nos professores desestimulou inteiramente os estudantes e os funcionários a participar mais efetivamente do processo eleitoral e permitiu à Reitoria concentrar sua estratégia de poder na submissão da mente dos docentes em troca de pequenos benefícios individuais ou de pequenos grupos. É importante lembrar que na grande maioria das universidades brasileiras a eleição é paritária, na proporção 1/3, 1/3, 1/3.
- Transparência inteira e irrestrita de todos os convênios, projetos, pagamentos a pessoas físicas e jurídicas e situação financeira detalhada de todos os órgãos da UnB: FUB, FINATEC, FUBRA, EDITORA, CESPE, DATA-UNB, ESTUDOS DO FUTURO, etc.
- Recuperar o CEPE e o CONSUNI como as instâncias decisórias máximas da universidade e restringir o poder excessivo e discricionário que foi concentrado no Conselho Diretor.

Princípios que sustentam nossa luta pelo resgate da UnB:
- A Reitoria deve aplicar-se primordialmente, através de um projeto acadêmico claro e explícito, à promoção e proteção da atividade fim da instituição: a transmissão e produção do conhecimento.
- As Ciências e as Humanidades só podem prosperar em um ambiente plenamente democrático e de transparência, onde prevaleça o sentimento de que somos uma importante Casa do Saber de nossa cidade.
- O controle social da gestão de todos os órgãos que operam no campus é condição imprescindível para alcançar esses objetivos em benefício da nação.
*Assina este manifesto um coletivo autônomo de professores comprometidos com a UnB e abertos a adesões de colegas e aliados dos três segmentos, independente de afiliação sindical ou partidária.


Ademir Santana (FIS),
Carlos Lima (SER),
Cícero Lopes da Silva (FAV),
Deis Siqueira (SOL,ap),
Elida Campos (IB),
Elizabeth M. T. de Souza (IB),
Elisabeth Tunes (FE).
Elyeser Sturm (VIS),
Felicia Johansson (CEN),
Francisco Pinheiro (CIC),
Francisco Ricardo Cunha (ENM-FT),
Frederico Flósculo (FAU),
Glauco Falcão (FEF),
Gustavo Gilardoni (EST),
Hilan Bensusan (FIL),
Iara Brasileiro (IB),
Ivanete Boschetti (SER),
Jorge Alberto Cordón (ODT),
José Alves Donizeth (IPOL),
José Jorge de Carvalho (DAN),
José Luiz Alves da Fontoura Rodrigues (ENM-FT),
Juliano Serra Barreto (DIN-IDA)
Leda Barreiro (FE),
Liliane Maia (MAT),
Luiz Carlos Galvão (FT,ap),
Luiz Severino Macedo de Oliveira (ADM),
Marcelo Hermes Lima (IB),
Mario Cesar (IP)
Michelangelo Trigueiro (SOL),
Mireya Suárez (CEPPAC,ap),
Miroslav Milovic (FIL),
Oswaldo Araújo (IG),
Perci Coelho de Souza (SER),
Raquel Moraes (FE),
Regina Pedroza (IP),
Renato Hilário (MTC-FE),
Renato Vasconcellos (MUS),
Rita de Cássia Castro (CEN),
Rita Segato (DAN),
Roberto Francisco Bobenrieth Miserda (ENM-FT),
Rodrigo Dantas (FIL),
Sadi Dal Rosso (SOL),
Silvia Davini (CEN),
Vadim Varsky (MUS),
Vanner Boere (IB),
Vitor H. Casanova Alcalde (FT-ENE)
Wanderson Flor (FIL).
Adesões ao manifesto podem ser registradas no site : http://www.unblivre.blogspot.com/

47 nomes que estão ajudando a mudar a história da UnB
A lista está crescendo, venha conosco colega!

O reitor pro tempore


ROBERTO AGUIAR

O professor é aposentado, jurista e filósofo de 67 anos. Aguiar exerceu o cargo de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e do Rio de Janeiro.
Escolhido com maioria dos votos do CONSUNI, foi ungido pelo Ministro Haddad para ser o reitor pro tempore por 90 dias , com uma prorogação por mais 90 se for necessário.

O CONSUNI ainda deliberou o seguinte:

a) formação de uma comissão eleitoral paritária para apresentar propostas para a eleição em duas semanas;

b) formação de uma comissão eleitoral paritária para apresentar proposta de Congresso Estatuinte em duas semanas.

A luta continua


O CONSUNI reuniu-se nesta segunda-feira para decidir os rumos da crise.
Após calorosos debates, não foi possível extrair um nome para o reitor pro tempore. Nem ao menos retirar a paridade e definições sobre a assembléia estatuinte, uma conquista obtida pelos alunos e funcionários na pauta de discussões.
O CONSUNI, composto por sua maioria por professores, se recusa sistematicamente a discutir a paridade e a assembléia estatuinte. Sem surpresas. A maioria do CONSUNI é constituída por professores que vinham concedentemente homologando os atos aberrantes da antiga administração em nome do “respeito às normas e ao bom funcionamento da universidade”.
Hoje permanece o impasse, quando há a continuidade da reunião do CONSUNI.
Os estudantes permanecem na reitoria com a bandeira da paridade. E os funcionários também aderiram ao movimento e estão dispostos a engrossar o movimento ocupando também a reitoria, caso a paridade não seja conquistada.

Abaixo estão alguns dos destaques da imprensa nesta terça-feira:



segunda-feira, 14 de abril de 2008

A REUNIÃO COM O MINISTRO E O OPORTUNISMO DE PLANTÃO

Até as 18h da próxima terça feira (15), o Ministro Haddad espera receber um nome de consenso da comunidade acadêmica para ser anunciado na quarta-feira como o reitor protempore.
O reitor protempore deverá:
1. ficar no cargo por 90 dias, prazo que poderá ser prorrogado por mais 90 dias.
2. terá de conduzir as eleições para a escolha do novo dirigente da UnB.
3. ser alguém que não postule o cargo, para conduzir os trabalhos com isenção.


Caso o nome apresentado não seja de consenso, ficará a cargo do Ministério da Educação a escolha do reitor temporário.

“Se não for apresentado o nome de consenso, o MEC é obrigado a nomear um reitor, já que a instituição não pode ficar acéfala”.

O ministro reuniu-se na tarde de hoje com representantes de alunos, professores e funcionário da universidade para decidir sobre a situação da UnB diante da crise que começou no dia 3 deste mês, com a ocupação do prédio da reitoria pelos alunos.

O COLETIVO UNB LIVRE RECONHECE QUE A ADUnB POSSUI LIGITIMIDADE PARA FALAR EM NOME DOS DOCENTES. O COLETIVO UNB LIVRE, FORMADO POR PROFESSORES, FUNCIONÁRIOS E ALUNOS, QUESTIONA A REPRESENTATIVIDADE DE ALGUNS INTEGRANTES DOCENTES DESTE petit comitê QUE SE REUNIU COM O MINISTRO. REPUDIAMOS E DENUNCIAMOS QUE ALGUNS PROFESSORES SÃO VISCERALMENTE LIGADOS À ADMINISTRAÇÃO LAURO-TIMOTISTA.

domingo, 13 de abril de 2008

TIMOTHY SAI DE VEZ

A crise na UnB, causada pela administração que afunda, vista pela imprensa livre

Os jornais dão destaque hoje ao movimento dos estudantes e à saída do ex-vice-reitor Edgar Mamiya. Veja abaixo as várias reportagens.

ATENÇÃO: O reitor licenciado, Timothy Mulholland e o Decano Érico Weidle, ainda detêm o cargo! ELES PODEM REASSUMIR A QUALQUER MOMENTO ENQUANTO NÃO SOLICITAREM EXONERAÇÃO!
Em 60 dias, esperam os dois docentes, que a crise tenha amainado e que retornem por manobras judiciais e normativas aos seus respectivos cargos. Este tempo de 60 dias é uma estratégia para reorganizarem suas forças destroçadas e tentar permanecer no cargo.
Enquanto o reitor licenciado e os decanos não pedirem exoneração definitiva, a UnB não voltará a funcionar com a democracia que queremos: livre, simétrica, limpa, clara, no campo da ética.

Correioweb: Vice-reitor da UnB também pede pra sair.
Jornal de Brasília: Vice-reitor pede afastamento do cargo.
O Globo: Vice-reitor da UnB pede exoneração cargo.
Folha de São Paulo: Vice-reitor da UnB pede afastamento; alunos discutem desocupação.

sábado, 12 de abril de 2008

Edgar Mamiya "pede" para sair


O agora ex-vice reitor encaminhou pedido de afastameto ao Ministro da Educação neste sábado.
O MEC deverá nomear alguém para substituí-lo. Os estudantes e a comunidade comemoram mas modificações nas normas devem se seguir para a retomada da democracia participativa na UnB.
Folha On Line: aqui.
No G1 (Globo): aqui.

Charges para rir e sorrir com esperança

Por Diego Novaes: http://diegonovaes.blogspot.com




Por Cícero do Jornal de Brasília.

Reitor interino (E.Mamyia) dura mais de 24 h no poder


No final da tarde, colaremos TUDO que saiu no Correio. Gente, vale a pena gastar 2 reais para ler, no papel, "estórias de arrepiar" sobre os "rolos" Funasa-Funsaúde e etc.

Edgar Mamiya, no início da reunião do Conselho Universitário (Consuni), anunciou a carta de pedido de afastamento por 60 dias do decano de Administração, Érico Weidle. Érico Weidle foi Decano de Administração (DAF) nas últimas três administrações da UnB, tendo iniciado na gestão do ex-reitor Lauro Morhy. O DAF é responsável pela contabilidade e pelas finança$ da universidade.
O vice-reitor se nega a deixar o cargo. A comunidade acadêmica da UnB e a sociedade não o reconhecem como legitítimo condutor na condução da crise. Ao contrário, pesam sobre seu nome graves denúncias de mau uso do dinheiro público, com uma viagem em comitiva à Ásia para conhecer parques tecnológicos, custeada com verbas que deveriam servir à saúde indígena (via convênio da FUBRA com a FUNASA). A FUNASA reconheceu que houve sérias irregularidades e cancelou o convênio com a UnB. O vice-reitor Edgar Mamiya não está atento que esta transição deverá ser realizada com tranquilidade, pois cada dia que passa o nome da UnB fica desgastado no contexto nacional. Se fosse um bom administrador e tivesse amor genuíno à UnB (não ao cargo), o vice-reitor se afastaria imediatamente, porque os contratos geradores de recursos para a manutenção da instituição estão sob o risco de serem protelados ou cancelados e um incalculável montante de recursos está sendo perdido.
A atual crise não foi gerada pelos segmentos da universidade mas PELA PÉSSIMA ADMINISTRAÇÃO perpetrada nos últimos anos por Timothy-MAMYIA & Cia.

A saída deve ser voluntária e definitiva de TODA a administração timothy-MAMYIA & Cia.

Outro fato que demonstra que o apego ao cargo pode ser tão ou maior que a do ex-reitor: é a agressão que o fotógrafo do Correio Braziliense Edson Gês sofreu pelos seguranças do vice-reitor Edgar Mamiya à saída da reunião do Consuni ontem à noite (veja as fotos abaixo).
A TV Record registrou os fatos (veja clicando aqui)
Esta ação truculenta é sintomática. Nas assembléias, nos comunicados oficiais e pelos corredores da UnB corre a teoria da conspiração da grande mídia contra a UnB. Esta falácia serve para desqualificar o papel da imprensa livre que é uma das propulsoras do impulso democrático no mundo. Com a exceção dos assessores mais diretos, ninguém acredita em um complô contra a UnB (leia-se contra a administração Timothy-MAMYIA & Cia) .
A agressão sofrida pelo repórter é intolerável e seu agente e responsável direto deve ser responsabilizado legalmente. Aliás, a atitude nociva do chefe dos seguranças Sr. Weglisson Medeiros (veja os gestos obscenos aqui), para com o público e os jornalistas, deve ser investigado e devidamente punido. E o será, agora ou nas próximas semanas.





Fotos: Ailton de Freitas/Agência O Globo












































Exemplos de Dr. T. Mulholland


Charge de Kacio, publicada hoje no Correio Braziliense.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

CONSUNI hoje ...e o golpe de 2007 (na UnB)

Decreto No. 12/2007 é derrubado no CONSUNI
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O CONSUNI se reuniu para deliberar sobre questões relacionadas à atual crise. Já no início da reunião, foi anunciada a regovação do famigerado Decreto No. 12/2007, promulgado pelo ex-reitor, que dava amplos poderes ao reitor na administração da UnB, passando por cima de sua instância superior, o CONSUNI. Este golpe foi denunciado em primeiro lugar neste Blog.
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O Conselho Diretor da FUB, em reuniões nos dias 28 de junho e 04 de julho de 2007, decidiu, mediante o decreto de número 12 de 2007, sem que tivesse passado pelo Consuni (órgão máximo de deliberação da Universidade de Brasília, que, em seu Artigo 12, parágrafo I, estabelece que a ele compete “formular as políticas globais da Universidade”), “Instituir o Programa de Modernização da Gestão da Fundação da Universidade de Brasília (FUB) com o objetivo de dar maior eficiência, agilidade e transparência ao processo de administração da Fundação e dos órgãos que a integram.
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O Comitê UnB Livre já havia se manifestado sua preocupação (veja carta do Prof. Michelangelo Trigueiro - aqui) sob este novo ordenamento administrativo na UnB, absolutamente anti-democrático. O Decreto 012/2007 concentrava poderes absolutistas na figura do reitor. A vitória de hoje deveu-se à intensa luta dos três segmentos da universidade, os quais compõem o UnBLivre. O peso estudantil no despertar do CONSUNI é inquestionavelmente o mais significativo. Ainda há muito o que caminharmos para a UnB dar um grande passo sócio-acadêmico. Na próxima semana o CONSUNI reune-se novamente.
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Em Tempo:
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Correioweb, 11/04/2008 (19h42)
.Conselho Universitário da UnB adia discussão sobre afastamento de reitor
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Permanece o impasse na Universidade de Brasília, onde há mais de uma semana cerca de 400 estudantes se revezam na ocupação à reitoria em protesto à atual direção da instituição. Em reunião na tarde desta sexta-feira, o Conselho Universitário da UnB não chegou a um consenso sobre a permanência do reitor Timothy Mulholland. A desocupação definitiva do prédio está condicionada à renúncia de Timothy, além da saída do vice-reitor Edgar Mmamiya e de cinco decanos. Em uma discussão marcada por polêmicas e opiniões divergentes sobre a possível substituição, a decisão ficou adiada para a próxima quarta-feira.
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O vice-reitor reagiu com veemência à posição dos estudantes que pedem também a sua saída. "Nenhuma decisão do conselho pode destituir nenhum membro da administração. Se nós insistirmos, vamos estar desrespeitando o conselho", afirmou. Para ele, a pressão imposta pelos estudantes deixou o âmbito político e tornou-se uma questão pessoal. "Eu me recuso discutir situações que não produzam resultados", afirmou.
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O Conselho Universitário da UnB é formado por 79 membros e presidido pelo reitor. Com o afastamento de Timothy, Mamiya assumiu a função. O órgão é composto por professores, integrantes do comando da universidade, técnico-administrativos e estudantes. De acordo com a assessoria da UnB, o conselho não tem poder para afastar o reitor nem o restante de sua equipe, mas pode pedir a abertura de inquérito para apuração das denúncias.
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Hospital Universitário: nota dos funcionários terceirizados


A Diretoria da ADUnB-S.Sind. divulga nota dos servidores contratados do HUB, recebida ontem (10).

“NOTA À COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA

NÓS SERVIDORES CONTRATADOS DO HUB, VIEMOS POR MEIO DESTA NOTA, NOS MANIFESTAR SOBRE OS PROBLEMAS AQUI ENFRENTADOS.

HOJE, MAIS DE 1000 TRABALHADORES DO HOSPITAL UNIVERSITÁRIO, SÃO VÍTIMAS DE UM CONTRATO DESUMANO E INDIGNO. ESTE, ADMINISTRADO PELA UNB E SEM QUALQUER DIREITO TRABALHISTA.

TRATA-SE UMA REALIDADE DE BAIXOS SALÁRIOS, SEM VALES-TRANSPORTE, INSALUBRIDADE E ADICIONAL NOTURNO. NOSSO INSS É DESCONTADO, PORÉM EM MUITOS CASOS NÃO CONSTA NA PREVIDÊNCIA SOCIAL.

SABENDO DA SITUAÇÃO DE CRISE EM QUE SE ENCONTRA A UNB,VIEMOS MANIFESTAR NOSSA INDIGNAÇÃO DIANTE DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS DESTA INSTITUIÇÃO QUE NOS LEVA A REFLETIR SOBRE AS PRIORIDADES DESSA UNIVERSIDADE.

RECONHECEMOS E RESPEITOMOS A MOBILIZAÇÃO ESTUDANTIL QUE ACONTECE HOJE NA UNB. SAUDAMOS ÀQUELES QUE TEM O DIREITO DE SE MANISFESTAR, POIS ESTE HOJE NOS FOI RETIRADO. ESTAMOS PRESOS NA “DEMOCRACIA” DO HUB, ONDE NÃO PODEMOS MANIFESTAR NOSSAS OPINIÕES, POIS ESTAREMOS SUJEITOS ÀS PUNIÇÕES DIANTE DAS CHEFIAS DITADORAS AQUI EXISTENTES.

SOMOS PAIS E MÃES DE FAMÍLIA QUE ACREDITAMOS QUE HÁ JUSTIÇA NESSE PAÍS. CIDADÃOS BRASILEIROS COMPROMETIDOS COM NOSSAS CAUSAS. TRABALHADORES QUE “DÃO O SANGUE” PELO HOSPITAL.

DIANTE DISSO TENTAMOS CONTRIBUIR COM O DEBATE DE UMA UNIVERSIDADE JUSTA E DIGNA, QUE TEM COMPROMISSO COM SUAS CLASSES COMPONENTES (ESTUDANTES, PROFESSORES E SERVIDORES) E QUE DEVE PAUTAR SUAS DISCUSSÕES DE MANEIRA DEMOCRÁTICA.

NÃO INDICAMOS CULPADOS PARA A SITUAÇÃO QUE SE VIVE HOJE AQUI, MAS SIM AGENTES SOLUCIONADORES QUE DENTRO DO CONTEXTO DA UNIVERSIDADE TEM MEIOS E DEVER DE SOLUCIONAR A QUESTÃO DO HUB.

MUITOS DE NÓS, APÓS LONGOS 15 ANOS DE TRABALHO AINDA NÃO DESISTIMOS QUE POSSA PREVALECER A SOLIDARIEDADE DA COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA DIANTE DESSA CAUSA.

A NÓS, NÃO IMPORTA SE É O REITOR DE HOJE OU DE AMANHÃ QUE NOS DARÁ OUVIDOS, MAS SIM QUE MESMO CALADOS NÃO DEIXAREMOS DE AMAR A UNB E NEM DE NOS DEDICARMOS DE TODO O CORAÇÃO À ESSA INSTITUIÇÃO.

QUEREMOS APENAS CONDIÇÕES DIGNAS DE TRABALHO, DIREITOS TRABALHISTAS GARANTIDOS E O SIMPLES RECONHECIMENTO QUE NOS É DEVIDO.

MESMO ESCRITA POR POUCAS PESSOAS, TEMOS CERTEZA QUE ESSE TEXTO REPRESENTA TODOS OS TRABALHADORES DO HUB QUE SE ENCONTRAM NESSE CONTRATO, E QUE POR MAIS DE UMA VEZ EXPRESSARAM ESSA OPINIÃO AQUI ABORDADA EM ASSEMBLÉIA DESSA CATEGORIA.”

Reitor "pede" para sair e vice-reitor quer assumir sob suspeitas


Agora, vejam, que ironia, o vice-reitor se diz indignado com os excessivos gastos do ex-reitor Timothy.
Como se estivesse viajando pela Asia em todos estes anos de gastança e irregularidades.
Se o vice-reitor não viu, é inapto para o cargo público. Mas não é só.
Sob suspeita de gastos irregulares em viagem pela Ásia, o vice-reitor deve obedecer a resolução das Assembléias dos três segmentos da universidade (alunos, funcionários técnicos administrativos e professores) e renunciar imediatamente. Não há gerenciamento legítimo sob esta decisão da comunidade acadêmica. E diga-se de passagem, sob a legitimidade da opinião pública.
Veja aqui o que o correioweb apurou.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Carta de um professor do Comitê UnB Livre


Um passeio pela reitoria com a Exma. Sra Juíza de Direito Dra. Cristiane
Exma. Sra Juíza de Direito, posso te chamar de Sra. Cristiane? Desculpa-me a intimidade, mas não é desrespeito meu. Andando por aqui, na reitoria, ficamos todos de cargos e funções destituídos, mais próximos um dos outros, que me parece lógico tratar a todos pelo nome de batismo.

Agradeço a sua vinda até aqui esta noite. Mas serei breve. Por favor, me dá a sua mão para andarmos neste escuro. Deixe-me te levara para conhecer pelo tato, a aspereza e o frio das paredes. Deixe-me conduzi-la por esta rampa, mas cuidado para não cair lá embaixo nas barraquinhas apertadas e na rala maciez dos colchões, que não são de plumas. Seria uma queda terrível, talvez pior do que aquele outro rapaz, se a sra. caísse por sobre um ou dois dos jovens lá embaixo e que sonham cair do céu somente uma educação melhor, não uma juíza.
Eles sonham e fazem. Como estes sinais, estes cartazes indicando o caminho, para a senhora e para mim. Está vendo estas velas acesas? Por aqui, desvie destas barreiras protegendo as salas repletas de documentos, ande mais um pouco, venha.
Sinta o cheiro Sra. Cristiane...está sentindo? Sim, sim é cheiro de marmita e de bolachas, mas não é esse o cheiro a que me refiro. Refiro-me a este cheiro que é diferente dos olores dos gabinetes, de madeira, cola e plástico. Por favor, neste escuro fica mais fácil sentir o cheiro de algo novo, orgânico, vivo..um cheiro de raiz, de algo que lembra a minha, a sua infância...as nossas adolescências; um cheiro de respiração fresca, leve, quase uma brisa emanada de um mar que pulsa solidariedade e generosidade...
E este som, este murmúrio, não lhe parece uma prece Sra. Cristiane? Sim, parece uma prece , uma cantiga, um mantra de louvor a um deus antigo e justo que diziam estar perdido na história desta instituição e deste país. Mas ele está aqui, presente, pela força de uma fé destes jovens.
Olhe, por favor, ali ao lado daquelas bandeiras do Brasil. Destas sombras que deslizam dançarinas nas paredes de concreto, emerge um deus que perdemos em nossas infâncias e em nossas adolescências. Lembra-se dele? Este deus justo está em cada palavra destes meninos e meninas que vieram servir os melhores dias de suas vidas neste templo escuro do Saber. Em homenagem a este saber, entregam suas preciosas horas em oferenda à justa causa da preservação do bem comum.

Mas aqui Sra. Cristiane, aqui neste pináculo é que eu gostaria de mostrar o que eles já me mostraram. Espere um pouco, na escuridão é difícil mesmo enxergar. Olhe com mais calma e longamente, a sra. poderá ver o que eles estão fazendo. Está vendo lá, depois do lago, depois do palácio, no cimo daquela colina? Enxergue longe, por favor. Aquele clarão no horizonte. São lanternas que eles carregam para iluminar o caminho e chegar aqui. Eu sei, a sra. tem razão, parece o alvorecer. Veja como são muitos. Veja o alcance da ocupação destes estudantes, como se estende. Veja que eles todos caminham desajeitados, em um terreno muito acidentado, lodoso, pedregoso para chegar até aqui. Muitos não chegam, ficam pelo caminho acidentados e depauperados. Mas alguns milhares chegam e cá estão. Chegando aqui, veja a sra. ali nos andares de baixo como eles são ordeiros, politizados e desapaixonados pelos bens materiais. Não, eles não estão cansados. Senão, não ficariam varrendo, limpando a sujeira, arrumando as tralhinhas deles, lendo, debatendo e atendendo a todos com cortesia. Veja como a ocupação, que a sra. chama de invasão (tanto faz a retórica neste momento) é ordeira, pacífica e organizada. Veja sra. Cristiane como este espaço está tão bem feito para os estudantes, de como eles agora se sentem tão em casa e como cuidam como se fosse a cada deles.

Não permitindo a religação de água e de luz, argumentando que eles são os responsáveis por tal situação, é colocá-los fora de um espaço que também lhes pertence - talvez mais do que a todos, e que estão zelando como se fosse a casa deles. Mandando a polícia retira-los, é punir a quem cuida bem da própria casa. Muitos moram aqui perto, avizinhados da reitoria, em um agregado de minúsculos apartamentos chamado Casa dos Estudantes. Eles estão em casa, uma casa que lhes foi negada na penúria de suas esperanças por uma educação cidadã melhor. Penúria de esperanças que juntas formaram a maior riqueza deste século na UnB: a dedicação à causa pública, o amor à causa dos mais fracos, balizando o uso ético dos recursos gerados por cada juiz, cada professor, cada faxineiro, cada um de nós trabalhadores.

Já pensou Sra. Cristiane se estes estudantes ocuparem (ou invadirem) o Brasil? Não haverá polícia, escuridão ou falta de água que façam eles se descuidarem daquilo que é meu, seu, deles e das tantas gerações que ainda vão pisar neste solo.

Vanner Boere
(vannerboere@uol.com.br)