segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Educadores fazem greve de fome contra sucateamento das escolas gaúchas do MST



A manchete divulgada pela agencia Chasque, refere-se a 27 educadores que não recebem salário há 9 meses do Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Há falta de material escolar, cadeiras, mesas e salas para os alunos. Também há falta de merendeiras. A (des) governadora do PSDB, Yeda Crusius tem se notabilizado por uma perseguição incessante aos movimentos populares, em particular o MST.

A governadora reproduz o velho pacto entre a classe dos capitalizados emergentes, a imprensa oficiosa, os proprietários de terras e parte da intelectualidade de conveniência.

A Brigada Militar (Polícia Militar do estado) desajolou os educadores da Secretaria da Educação, mas os mesmos estão acampados em frente ao prédio. A Brigada tem deixado a sua marca nesse desgoverno de Yeda Crusius . Mais precisamente, com a escrita de seus cassetetes, na carne e nos ossos dos sem terra, de estudantes, de professores...

domingo, 12 de outubro de 2008

sábado, 11 de outubro de 2008

Como ocorreu a crise dos sub-primes? Uma versão bem humorada




Humor negro, é claro. Veja aqui o vídeo.
A linguagem do vídeo em inglês possui legendas em espanhol.
Enviada por um colega que está morando em outro país.

CESPE é suspeito de fraudes em concursos que ocorreram até 2006


Mais uma queda. A reportagem no Correio Braziliense desse sábado (que pode ser acessada clicando aqui) relata que a Controladoria Geral da União aponta indícios de fraudes e irregularidades graves que favoreceram pessoas ligadas ao CESPE. O Ministério Público está investigando o caso.

A reitoria pró-tempore modificou a forma de gestão do CESPE, mas detalhes não são conhecidos pela comunidade. Necessitamso de mais transparência nessa questão do CESPE. Há a sugestão de privatizar o CESPE ou torná-lo uma Fundação.

A caixa-preta está sendo aberta. Algo que já se suspeitava há muitos anos nos corredores da própria UnB. A gestão dos ex-reitores e seus asseclas classificavam como "despeito e oportunismo eleitoreiro " a crítica na forma de gestão do CESPE. Deu nisso aí. Um abalo irreparável na lisura dos concursos coordenados pelo CESPE. Uma mancha que nem o tempo poderá remover.

E os processos administrativos? Por muito menos, muito menos mesmo, um funcionário técnico-administrativo ou um professor é ameaçado por processo.

A UnB precisa refazer a sua ordem estatutária, moral e ética.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Uma bomba nuclear foi detonada pelos EUA em combate no Iraque


O notícia foi comunicada por um iraquiano ou um terrorista?
Não, esta sendo denunciada por um ex-militar, veterano, oficial-mecânico dos EUA. Chama-se Jim Brown. A bomba foi lançada em 1992 durante a primeira guerra do golfo. Era uma bomba de 5 kilotons, de menor impacto do que aquelas lançadas sobre Horoshima e Nagasaki. A bomba é do tipo penetrante, explode debaixo da terra e seus efeitos (radiação) tambem servem como dissuasivo ao emitir radiação em determinada área por longo tempo.

Seria a terceira bomba nuclear lançada em combate na história da humanidade. A bomba foi detonada na região de Basrah, proximo ao Irã. O abalo sísmico gerado foi detectado por alguns centros sismológicos no mundo, coincidindo com a data e o horário relatado. Jim Brown tem ouvido testemunhos de ex-combatentes que participaram do evento. Um médico iraquiano (Dott Jawad Al Ali) relata que houve um aumento de 39 casos em 1989 para mais de 600 casos de cânceres na região em 2002-. Alguns dos tumores são raros.

A notícia está veiculada pela RAI (italiana) e pelo jornal espanhol El País (clique e veja). Há vídeos, apresentação power point a reportagem inteira. As imagens dos tumores no arquivo em power point não deveriam ser vistas por quem é sensível. São imagens perturbadoras, inclusive de muitas crianças atingidas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

CARTA ABERTA AO BRADESCO


Senhores Diretores do Bradesco,

Gostaria de saber se os senhores aceitariam
pagar uma taxa, uma pequena taxa mensal, pela existência
da padaria na esquina de sua rua, ou pela existência do posto
de gasolina ou da farmácia ou da feira, ou de qualquer
outro desses serviços indispensáveis ao nosso dia-a-dia.

Funcionaria assim: todo mês os senhores, e
todos os usuários, pagariam uma pequena taxa para a
manutenção dos serviços (padaria, feira, mecânico, costureira,
farmácia etc). Uma taxa que não garantiria nenhum direito
extraordinário ao pagante.

Existente apenas para enriquecer os
proprietários sob a alegação de que serviria para
manter um serviço de alta qualidade.

Por qualquer produto adquirido (um pãozinho,
um remédio, uns litros de combustível etc) o usuário
pagaria os preços de mercado ou, dependendo do produto, até um
pouquinho acima. Que tal?

Pois, ontem saí de seu Banco com a certeza que
os senhores concordariam com tais taxas. Por uma questão de equidade e de honestidade. Minha certeza deriva de um raciocínio simples.
Vamos imaginar a seguinte cena: eu vou à padaria para
comprar um pãozinho.

O padeiro me atende muito gentilmente. Vende o
pãozinho. Cobra o embrulhar do pão, assim como, todo e
qualquer serviço. Além disso, me impõe taxas. Uma 'taxa de
acesso ao pãozinho', outra 'taxa por guardar pão quentinho' e
ainda uma 'taxa de abertura da padaria'. Tudo com muita
cordialidade e muito profissionalismo, claro.

Fazendo uma comparação que talvez os
padeiros não concordem, foi o que ocorreu comigo em seu Banco.

Financiei um carro. Ou seja, comprei um produto
de seu negócio. Os senhores me cobraram preços de
mercado. Assim como o padeiro me cobra o preço de
mercado pelo pãozinho.

Entretanto, diferentemente do padeiro, os
senhores não se satisfazem me cobrando apenas pelo produto
que adquiri.

Para ter acesso ao produto de seu negócio, os
senhores me cobraram uma 'taxa de abertura de crédito' -
equivalente àquela hipotética 'taxa de acesso ao
pãozinho', que os senhores certamente achariam um absurdo e se negariam
a pagar.

Não satisfeitos, para ter acesso ao
pãozinho, digo, ao financiamento, fui obrigado a abrir uma conta
corrente em seu Banco. Para que isso fosse possível, os senhores me
cobraram uma 'taxa de abertura de conta'.

Como só é possível fazer negócios com os
senhores depois de abrir uma conta, essa 'taxa de abertura
de conta' se assemelharia a uma 'taxa de abertura da
padaria', pois, só é possível fazer negócios com o
padeiro depois de abrir a padaria.

Antigamente, os empréstimos bancários eram
popularmente conhecidos como papagaios'. Para liberar o 'papagaio', alguns gerentes
inescrupulosos cobravam um 'por fora', que era devidamente
embolsado.

Fiquei com a impressão que o Banco resolveu se
antecipar aos gerentes inescrupulosos.
Agora ao invés de um 'por fora' temos muitos
'por dentro'.

- Tirei um extrato de minha conta - um único
extrato no mês - os senhores me cobraram uma taxa de R$
5,00. - Olhando o extrato, descobri uma outra taxa de
R$ 7,90 'para a manutenção da conta' semelhante àquela 'taxa pela existência da padaria na esquina da rua'.

A surpresa não acabou:- descobri outra taxa de R$ 22,00 a cada
trimestre - uma taxa para manter um limite especial que
não me dá nenhum direito. Se eu utilizar o limite especial vou
pagar os juros (preços) mais altos do mundo - semelhante
àquela 'taxa por guardar o pão quentinho'.

Mas, os senhores são insaciáveis. A gentil
funcionária que me atendeu, me entregou um caderninho onde
sou informado que me cobrarão taxas por toda e qualquer
movimentação que eu fizer.

Cordialmente, retribuindo tanta gentileza,
gostaria de alertar que os senhores esqueceram de me cobrar
o ar que respirei enquanto estive nas instalações de seu
Banco. Por favor, me esclareçam uma dúvida: até
agora não sei se comprei um financiamento ou se vendi a alma?

Depois que eu pagar as taxas correspondentes,
talvez os senhores me respondam informando, muito cordial e
profissionalmente, que um serviço bancário é muito
diferente de uma padaria.

Que sua responsabilidade é muito grande, que
existem inúmeras exigências governamentais, que os
riscos do negócio são muito elevados etc e tal. E, ademais, tudo o
que estão cobrando está devidamente coberto por lei,
regulamentado e autorizado pelo Banco
Central.

Sei disso. Como sei, também, que existem seguros e
garantias legais que protegem seu negócio de todo e
qualquer risco. Presumo que os riscos de uma padaria, que não
conta com o poder de influência dos senhores, talvez sejam
muito mais elevados.

Sei que são legais. Mas, também sei que
são imorais. Por mais que estejam garantidas em lei, tais taxas
são uma imoralidade. É como diz o velho ditado: a esperança é a
última que morre!
Anônimo

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Uma pesquisa com resultados formidáveis sobre a biodiversidade do DF


O Biólogo Pedro de Podestá Uchôa de Aquino , orientado pela Profa. Caludia Padovesi (IB/UnB), encontrou a poucos quilômetros de onde trabalhamos (UnB), 12 novas espécies de peixes. O estudo está relatado na dissertação de mestrado Distribuição da taxocenose íctica em córregos de cabeceira da bacia do Alto Rio Paraná, DF, defendida pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia. Veja o link da Secom aqui.

Parabéns Pedro e Profa. Claudia!

A foto acima é meramente ilustrativa e não se refere ao estudo.

Os números da eleição no Brasil

Oi pessoal,
Querem saber como ficou o mapa eleitoral no Brasil ? Pois bem, basta clicar na figura acima. A fonte é o Correio Braziliense de hoje.
.
Vejamos os vencedores (por número de prefeitos e/ou vereadores):
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Região Norte
Acre - PT
Amazonas - PMDB
Roraima - PSDB
Amapá - PDT
Pará - PMDB
Rondônia - PMDB e PT
.
Nordeste
Maranhão - PDT
Piauí - PTB
Ceará - PSDB
Rio Grande do Norte - PSB
Paraiba - PMDB
Pernambuco - PSB
Alagoas - vários vencedores
Sergipe - PMDB e PSB
Baiha - PMDB
.
Centro Oeste
Mato Grosso - PR
Mato Grosso do Sul - PMDB
Tocantins - PMDB
Goiás - PMDB
DF - não teve eleições
.
Sudeste
Minas Gerais - PSDB e PMDB
Espírito Santo - PMDB
Rio de Janeiro - PMDB
São Paulo - PSDB
.
Região Sul
Paraná - PMDB
Santa Catarina - PMDB
Rio Grande - PP

IMAGÈTICA


Capa do New Yorker, dessa semana. Acostumada às miras e aos tiros de caça, o estilo da mulher de um alvo só e indefeso, quer se viabilizar na política nacional dos USA. A brancura do Alaska pode servir de inspiração para a faxina na "fuligem" que ameaça a alternância política daquele país. Nada como não perder de vista a complexidade de um estado norte-americano avizinhado com o eterno tirano vermelho . Aliás, Palin representa o Id de McCain. O que ele não pode confessar em público, ela simboliza em estilo: poucas luzes, paroquial, supérflua e grotesca.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Antes e depois das eleições: a lenda da cornucópia


Menos de 24 horas após os resultados das eleições para prefeito e vereadores, onde o PT e seus aliados se jactam de uma vitória esmagadora, veem a público dois grandes guardadores* da cornucópia nacional para anunciar que a mão generosa, ao fundo chegou. Saem de lá somente ajuda suculenta aos exportadores (ah, a Sadia do Ex-ministro Furlan) e aos bancos maiores para devorarem os menores, claro, separando a carne dos ossos.

Adivinha quem vai limpar os pratos e as panelas dos maganos, Sr e Sra. contribuinte?

Enquanto isso, Joseph Stiglitz declara em estrevista sobre o Plano Paulson: "para aprovar o Plano Paulson enveredaram pelo inveterado caminho do suborno e da corrupção".


*Sr. Henrique Meirelles e o Sr. Guido Mantega

Observando a Ciência no Brasil e na América Latina


Tatiana P. Martins publicou recentemente um artigo no Le Monde Diplomatique "Ciência no Brasil e na América Latina: conquistas e desafios", sobre a ciência em nosso continente. Parte dos seus argumentos são baseados em um estudo de 2007 do Prof. Marcelo Hermes-Lima, da UnB, e colaboradores.

Abaixo estão algumas das provocações da Tatiana (clique nas sentenças que verás o artigo inteiro):

" Nos últimos quinze anos, a produção científica latino-americana cresceu num ritmo superior ao dos países desenvolvidos."

"Estranhamente, ao longo do período de 1990 a 2004, os investimentos em Ciência e Tecnologia (C&T) não acompanharam o crescimento do número de publicações. Nestes anos, as inversões brasileiras no setor permaneceram estagnadas em 1% do PIB, enquanto as dos norte-americanos correspondem a 2,4%. Ainda, os recursos recebidos pelos cientistas brasileiros, em média, neste período, seriam 75% menores que nos Estados Unidos."

"É necessário publicar pelo menos dez artigos a cada três anos, a fim de manter uma bolsa de produtividade em pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em algumas áreas. É insustentável dedicar-se constantemente a pesquisas inovadoras e de grande impacto com a obrigação de manter tal quantidade de publicações."


"Altas cobranças, baixos salários, dependência financeira em relação ao governo e dificuldade em comprar equipamentos necessários para pesquisa são fatores que, somados à burocratização, falta de agilidade na importação e alto custo de produtos e de insumos de pesquisas científicas, colocam muitos cientistas em posição nada competitiva, quando comparada às de países desenvolvidos."

"Ainda que em condições desiguais, o cientista brasileiro tem sido responsável por pesquisas científicas bastante relevantes no contexto mundial.
Um estudo realizado com base em dados do Centro Latinoamericano de Demografia mostrou que cerca de 1,2 milhões de latinos, com formação altamente qualificada, deixou seu país de origem entre 1961 e 2002, emigrando para os países desenvolvidos. Esta perda de cérebros, muitas vezes denominada brain drain, tem custo estimado de 30 bilhões de dólares apenas no tocante à formação acadêmica destas pessoas (aproximadamente 25 mil dólares per capita). Os custos indiretos, associados ao que estes profissionais economicamente ativos poderiam agregar ao PIB do país, transformariam a perda econômica em 400 bilhões de dólares. Ou seja, formamos cientistas qualificados que são absorvidos por outros países. Observamos que o brain drain se traduz em money drain."


domingo, 5 de outubro de 2008

Uma visão mágica da crise econômica mundial na UnB


Um economista premio Nobel não é deus. Nem um ex-diretor do Federal Reserve Bureau (Banco Central Americano). Nem Stiglitz e nem Greenspun são deuses e podem errar tanto quanto nós. Em tese, é claro, pois eles possuem um preparo intelectual em suas especialidades assombroso.

Para ser um bom cientista ou um excelente artista há antes de mais nada ter muita coragem. Ser uma espécie de personagem lendário, daqueles que vemos de vez em quando na história ou na literatura. A UnB parece ter uma dessas pessoas que coloca em cheque o pensamento corrente, o "main stream" da economia. Vale a pena ler a entrevista do Prof. Dr. Carlos Pio, do Instituto de Relações Internacionais, concedida à SECOM da UnB. Para apreciarmos criticamente.


Esta frase está lá na entrevista (clique aqui para ver). Se a idéia do Prof. Dr. Carlos Pio vir a ser comprovada em bases empíricas, ele será um sério nome para concorrer à Presidencia de algum Banco Central; ou a um Nobel de Economia. Ou no mínimo ao Prêmio IgNóbel, aquele dado anualmente aos cientistas com as pesquisas mais inusitadas.

Sobre o IgNobel o blog do prof. Marcelo Hermes-Lima traz umas informações interessantes. Dois brasileiros ganharam esse ano. Clique e veja.

sábado, 4 de outubro de 2008

Cálculo da remuneração de servidor público pode ser alterado a critério da administração


O STJ indeferiu solcitação de servidores públicos do Rio de Janeiro, que pediam a manutenção da gratificação por titulação. Os servidores já haviam perdido em primeira e em segunda instância. O indeferimento baseou-se na MP 2.048-27/00 que modificou o regime de cálculo.

Veja abaixo ou clicando aqui, a informação completa e tire as suas conclusões:

"Os servidores públicos têm resguardado o direito à irredutibilidade de vencimentos e proventos (proventos: valores relativos à aposentadoria), mas não possuem direito adquirido com relação ao regime de remuneração.

Isso significa que o cálculo dos valores que compõem a remuneração, como gratificações, adicionais, entre outros, pode sofrer alterações promovidas a critério da Administração Pública, não sendo permitida, apenas, a redução da remuneração. Esse é o entendimento da Quinta Turma do STJ."

Professor: quantos por cento representam em seu contra-cheque as gratificações? Que tamanho será a crise no ano que vem?

Uma história de futebol de arrepiar: a partida da morte


"A história do futebol mundial inclui milhares de episódios emocionantes e comovedores, mas seguramente nenhum seja tão terrível como o protagonizado pelos jogadores do Dinamo de Kiev nos anos 40. Os jogadores jogaram um partida sabendo que se ganhassem seriam assassinados e, no entanto, decidiram ganhar. Na morte deram uma lição de coragem, de vida e honra, que não encontra, por seu dramatismo, outro caso similar no mundo."
Veja a história completa clicando aqui, no blog da Marise.Vale a pena!

A crise do capitalismo e o plano para salvá-lo

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Placa educativa, método curto e grosso

Copiado de um blog lusitano.

Diário do Nordeste: Fundações privadas geram distorção no ensino público


Clique para Ampliar

Nesta entrevista, o presidente do Sindicato Andes Nacional, Ciro Correia, fala sobre os efeitos negativos das fundações sobre as universidades públicas, destacando que suas atividades, de cunho comercial, desvirtuam as funções básicas do ensino superior gratuito, dentre as quais a pesquisa

Para o movimento docente, é preciso que as instituições públicas retomem para si o papel que delegaram às fundações. De que forma isso seria possível?

Primeiro, é preciso esclarecer que a maioria das tarefas que hoje essas fundações executam em nada se relacionam com as finalidades das universidades públicas. Com a desculpa de “apoio”, essas entidades é que usam da credibilidade da universidade pública para realizar atividades comerciais e se beneficiarem de favores fiscais. Onde elas assumiram funções burocráticas e funcionais nas universidades, isso precisa ser desfeito e isso passa pelo devido provimento de cargos e infra-estrutura da instituição, através do Estado, que é quem tem a responsabilidade de manter e financiar a universidade pública.

A universidade pública dispõe de verba para assumir essas funções?

É preciso garantir verbas para a manutenção da universidade pública e isso não deveria ser problema num País que, neste ano, vai investir cerca de 12 bilhões de reais nas universidades federais, ao mesmo tempo em que vai pagar mais de 100 bilhões de reais em juros para o sistema financeiro nacional e internacional.

Atualmente, qual é a principal fonte de recurso das fundações?

As fundações se beneficiam fundamentalmente de contratos e parcerias com o setor público: órgãos do governo federal, secretarias de Estado, municípios etc. Assim, é uma inverdade quando afirma captar recursos privados que iriam contribuir para financiar a universidade pública.

A sua arrecadação é convertida em benefício das atividades acadêmicas das universidades de alguma forma? O senhor poderia citar exemplos?

Pelo contrário, a arrecadação é utilizada pelas fundações em interesse próprio, criando infra-estrutura para que ela opere dentro da universidade e possa pagar a professores e funcionários para que se dediquem a atividades que não são as de ensino, pesquisa e extensão, previstas como finalidades da instituição.

O senhor vislumbra alguma maneira de essas fundações contribuírem para a melhoria do ensino público?

Não, elas prejudicam o ensino público ao colocá-lo na perspectiva enviesada do interesse comercial, enquanto o ensino deve ser um direito de todos financiado pelo Estado.

Qual é a melhor forma de a universidade pública promover essa extensão de conhecimentos aos setores público e privado? Por meio de convênios?

Em primeiro lugar, o que a universidade pública faz de modo reconhecidamente mais eficiente que o setor privado: formando profissionais qualificados para todos os setores das atividades profissionais de nossa sociedade. Convênios podem e devem ser feitos, desde que na perspectiva de interagir com a sociedade para gerar conhecimento novo ou no estudo de situações que se relacionem com ensino e pesquisa. Isso sempre se reverte em favor do desenvolvimento. Prejudicial é tirar docentes e instituições de sua finalidade na perspectiva de gerar recursos, como as fundações propugnam.

Mesmo considerando incompatível a relação entre universidades públicas e fundações, o Sindicato admite a qualidade do serviço prestado por alguma delas?

A questão não é se há qualidade. A questão dever ser se esses serviços devem se dar no âmbito das universidades.

O movimento dos estudantes questiona, de alguma forma, o fato de pagarem por cursos de pós-graduação e até de graduação que deveriam ser gratuitos?

Sim, e o fazem com razão, uma vez que educação é um direito que deve ser oferecido para todos, em função da capacidade de cada um, como prevê nossa legislação e é óbvio que essa capacidade não se refere à capacidade econômica.

Como manter a qualidade do objetivo fim das universidades — ensino, pesquisa e extensão — se, muitas vezes, as atenções do corpo docente são desviadas para outros fins, como consultorias remuneradas para terceiros via essas fundações?

Provendo as necessárias condições de infra-estrutura nas universidades, condições adequadas de trabalho e salários compatíveis com a responsabilidade de trabalho docente.

O senhor vislumbra alguma mudança nessa realidade a partir do anúncio, o do presidente Lula, de reforço na universidade pública com novos concursos?

Os novos concursos são bem-vindos, no entanto, ainda insuficientes para significarem uma inflexão no sentido de investir o que seria necessário para efetivamente permitir que as universidades atendam à demanda por educação superior no Brasil.

O Andes possui dados sobre a situação das fundações no Ceará?

É longo o histórico de problemas criados por fundações ditas de apoio a universidades públicas no Ceará, em particular os relacionados com cursos pagos, o que é irregular e ilegal nesses casos. Várias publicações do Andes-SN ou de suas seções sindicais já trataram destes problemas. Nesse momento, estamos lançando a segunda publicação especial do Andes-SN sobre a questão: o “Dossiê Nacional 2” , sobre as fundações privadas “de apoio”. Novamente nele o tema aparece na matéria da página 51: “Procurador federal, promotoria e alunos investigam fundações privadas na UFC”. Nesse artigo, são detalhados vários problemas que se relacionam com as cinco entidades “de apoio” que oferecem cursos pagos e usam o nome da universidade para vender serviços ao poder público sem licitação, na mesma linha de atuação que tem gerado escândalos em outras instituições do País.

FIQUE POR DENTRO

Quem é Ciro Correia

O presidente do Andes-SN, Ciro Correia, é livre-docente, professor associado do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), e possui um extenso currículo de militância em defesa da universidade pública e dos trabalhadores de uma forma geral.

Quando cursava Geologia, na Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Rio Claro , interior de São Paulo, onde se formou em 1979, foi presidente do Centro Acadêmico de Geologia e o representante discente no primeiro conselho universitário da recém-criada instituição de ensino estadual.

Em 1980, foi cursar pós-graduação na USP e, dois anos depois, foi admitido como professor do então Departamento de Mineralogia e Petrologia da Universidade.

Ali, imediatamente filiou-se à Associação dos Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp) e começou a atuar no movimento docente, intercalando momentos de militância com períodos de maior dedicação às atividades acadêmicas.

Em 1984, foi eleito representante do Instituto de Geociências no Conselho de Representantes da Adusp. Nos dois anos seguintes, conciliou a representação docente com o mestrado em Mineralogia e Petrologia. Em 1988, durante a histórica greve das estaduais paulistas, teve atuação destacada.

De 1991 a 1993, foi 2º tesoureiro da Adusp. Prosseguiu seus estudos e pesquisas nas áreas de Mineralogia, Petrologia, Geotectônica e Geoquímica Isotópica, que lhe permitiram concluir o doutorado em 1994, feito, como o mestrado, em parte na Itália. Em 2001, concluiu a livre docência a partir dos resultados do pós-doutorado realizado na Austrália.

De 2001 a 2003, foi presidente da Adusp. Ao retomar suas funções no Departamento de Mineralogia e Geotectônica, foi eleito chefe do Departamento por dois mandatos (2003-2005 e 2005-2007).

CARTILHA

Os principais trechos da cartilha elaborada pelo Andes

"Fundações privadas acabaram por gerar profundas distorções nas atividades de ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas na universidade, submetendo-as à lógica do mercado e suas prioridades - incompatíveis com a produção de conhecimento científico e socialmente referenciado"

"É preciso que essas instituições retomem para si o papel que delegaram a essas fundações"

"Os defensores da mercantilização da educação têm disseminado cada vez mais, entre a comunidade acadêmica, a falsa idéia de que as universidades públicas não podem viver sem as fundações ditas de apoio"

"As fundações não são mais do que entes privados intermediando a relação financeira entre os órgãos públicos"

O fim da empulhação do liberalismo econômico do século XX


Caem os pilares de areia que sustentavam a ponte para o Xangri-lá da economia do livre mercado. Caminhavam pela ponte colorida os incautos, os néscios, os vendedores de ilusões. E com verniz acadêmico. O doce acabou.

Como escreveu o
sociólogo Cristóvão Feil:

"Quando Stiglitz diz que estamos assistindo a uma “queda do muro de Berlim do liberalismo” não está fazendo retórica vazia. Em novembro de 1989, um muro caiu sobre a esquerda, mesma a que não estava no poder. Em setembro de 2008, cai a muralha mundial do liberalismo sobre o poder do Império."

Atolado em dívidas e em guerras perdidas, os comandantes do USA querem uma saída. O meteoro de 700 bilhões faria mais vítimas do que os grandes dinossauros na Era Jurássica. A economia dos USA se tornaria uma nova Península de Yucatán, cheia de chineses. O meteoro ainda gira sobre a órbita do Planeta USA.


Texto de Vanner Boere Souza. Não reflete necessariamente o pensamento do Coletivo UnB Livre.

domingo, 28 de setembro de 2008

Compromisso


Na nota pública de agradecimento, o reitor escolhido e o seu vice, Prof. José Geraldo e Prof. João Batista, se comprometem pela estatuinte, um dos eixos de luta do Coletivo UnB Livre:

"Com este ponto de partida, esperamos instaurar, com a mediação do Congresso Estatuinte paritário e dos órgãos colegiados deliberativos, um modo republicano, solidário e democrático de gerir a universidade, de forma a garantir a gestão compartilhada, a reestruturação e expansão com qualidade, o ensino com compromisso social, a pesquisa de excelência, a extensão inclusiva e a assistência à comunidade universitária."



Reconhecimento e esperança

O coletivo UnB Livre parabeniza o Professor José Geraldo de Sousa Júnior e sua equipe pela vitória nas eleições para Reitor, e faz votos de sucesso na transformação da UnB numa universidade mais democrática, mais libertária e mais sensível aos problemas da Nação.
Parabeniza também os estudantes, que, mais uma vez, tiveram um papel crucial em resgatar a Universidade e colocá-la a salvo do retrocesso.
Esperamos que a convocção de uma estatuinte de poderes amplos e capaz de revisar todos os aspectos da instituição coroe este momento de alegria e celebrações.

UnB Livre