quinta-feira, 31 de julho de 2008

Heróis e vilões da Nação


31 de Julho de 2008 - 13h26 - Última modificação em 31 de Julho de 2008 - 13h59


Secretários de educação querem revisão da lei do piso nacional para professores

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil






Porto Alegre - A lei que instituiu o piso nacional para professores da rede pública, sancionada pelo presidente Lula no último dia 16, está sendo discutida em Porto Alegre na 3ª Reunião do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). Além do piso de R$ 950, a lei estabelece que um terço da carga horária do professor deve ser reservado para atividades fora de sala de aula, como planejamento e coordenação. Mas, uma resolução anterior do Conselho Nacional de Educação (CNE), prevê que esse tempo deve variar entre 20% e 25% da carga total. Para os secretários estaduais, a proposta inicial foi deturpada pelo Congresso, ao incluir a jornada de trabalho no texto.

Assim, com mais tempo de atividades fora de sala, as redes terão que contratar mais professores para compor o quadro, o que, segundo a presidente do Consed, Maria Auxiliadora Rezende, é atualmente inviável para muitos estados e municípios. “A preocupação dos estados não é referente ao piso em si, mas a outros fatores que passaram a compor a lei e entram em critérios de carreira, trazendo uma série de complicações para estados e municípios. E o que é pior, passa a inviabilizar a lei do piso que para nós é importante assegurar” , afirmou Auxiliadora.

Segundo ela, o gasto com pessoal deve aumentar imediatamente em cerca de 20% as folhas de pagamento das secretarias, levando-se em conta apenas a mudança da carga horária em sala de aula. Como a nova demanda implica em aumento do orçamento num ano que já está em curso, o artigo é visto pela entidade como inconstitucional, por ferir a Lei de Responsabilidade Fiscal. O mesmo argumento foi usado para impedir a retroatividade do pagamento a janeiro de 2008, prevista no projeto. O ponto foi vetado pelo presidente e os ajustes começam a partir de 2009.

A secretária de Educação do Rio Grande do Sul, Mariza Abreu, afirmou que “o Congresso [Nacional] estragou o projeto”. “A proposta original do Executivo era correta, tratava de piso e não de jornada. Foi o Congresso que se submeteu à pressão do movimento sindical", analisou."



Seria tacanho se não fosse abjeto o pronunciamento desta secretaria. O piso salarial DOS HERÓIS DESSA NAÇÃO, é considerado um "gasto" e não um investimento. Argumentam aqueles energúmenos secretarios que poderia comprometer as contas dos municípios e dos estados...Ora, vá catar coquinhos! Que se diminua o cargo comissionado de um grupo privilegiado, que se economize nas viagens e diárias; e que se diminuam as secretarias, que se extinga o nepotismo; e que se puna a corrupção....Haverá dinheiro de sobra para pagar os PROFESSORES, HERÓIS DESSA NAÇÃO!

VEJAM COMO SÃO OS GESTORES DE EDUCAÇÃO NESSE PAÍS!!!! MERCADO, MERCADO, CONTABILIDADE, CONTABILIDADE....

PALAVRAS ESQUECIDAS



VERRINA


Crítica apaixonada e violenta. Acusação violenta escrita ou feita em discurso público.
Exemplos:
1. Sua verrina não é moralmente fundamentada.
2. Uma verrina de quem quer que seja somente serve para tumultuar a reunião.

terça-feira, 29 de julho de 2008

PALAVRAS ESQUECIDAS



ABLUÇÃO


Ato de abluir-se, lavar-se.
Exemplos:
1. A ablução matinal seguia um ritual invariável.
2. Após a ablução, dirigiu-se serenamente para a cama.

ANIMAIS ESFOLADOS VIVOS NA CHINA


A China, um país que deu contribuições gigantescas à ciência e à humanidade, ainda persiste em erros tão bárbaros. Um vídeo desenvolvido por uma equipe suíça e veiculado pela ONG PETA (People for the Ethical Treatment of Animals), mostra cenas horripilantes de animais (racoons, cães e raposas) sendo esfolados vivos em um mercado na China. As cenas são de extrema violência e o vídeo é desaconselhável a quem possa não ter "nervos de aço". As peles sevem ao comércio mundial. Aproximadamente 50% das peles consumidas nos EUA vêm da China.

"NÃO É NECESSÁRIO VER O VÍDEO....É MUITO FORTE!! POR FAVOR ASSINEM E ENCAMINHEM, ABAIXO EXPLICA O PROCESSO.


Por favor, ganhe uns minutos do teu tempo e assine esta petição.

Com uma câmera escondida filmaram animais sendo retirada a pele todos ainda vivos, dizem que é para permitir um corte limpo, depois as carcaças são jogadas em pilhas ainda vivos e por mais ou menos 10 minutos o coração bate e olhos piscam e as patas dos cachorrinhos tremem, teve um que levantou a cabeça e fixou os olhos ensanguentados direto para câmera. Se não quiserem ver o vídeo ao menos assinem a petição, precisamos agir.

O vídeo que se segue é de uma violência dolorosa. Os seus silêncios atingem fundo cada um de nós.
Protegendo os animais tornamo-nos maiores. O planeta não é nosso, apenas o dividimos entre todos...
Por favor, ganha uns minutos do teu tempo e assina esta petição.
Faz também chegar esta mensagem a quem consideres poder ser sensível a esta causa
Cuidado ao ver o vídeo, é mesmo muito violento.
Não é necessário ver o vídeo para assinar esta petição. Escreve o teu nome e sobrenome, cidade e país em:
Obrigado.

PALAVRAS ESQUECIDAS


ESTRILAR


Soltar estrilo ou som estrídulo; zangar-se, exasperar-se; vociferar.
Exemplos:
1. Não é bom estrilar sem razão.
2. A voz dela estrilava pelo corredor.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Fundações Estatais de Direito Privado: a porta de entrada da privatização do Estado e da mercantilização do Serviço Público


Fundações Estatais de Direito Privado: a porta de entrada da privatização do Estado e da mercantilização do Serviço Público.


O Projeto de Lei Complementar (PLP) 92/07 cria a figura das fundações estatais de direito privado para atuar em todas as áreas de atividades não exclusivas do Estado, regulamentando o inciso XIX do art. 37 da Constituição Federal e abrindo espaço para profundas modificações na estrutura do serviço público e do próprio Estado brasileiro.

As novas fundações terão receitas e patrimônio próprios, autonomia financeira, de gestão de pessoal, gerencial e, principalmente, orçamentária. Isto significa que os recursos das fundações estatais não transitarão pelo Orçamento da União e que elas terão ampla liberdade para captar recursos, celebrar contratos e convênios com órgãos do setor público, do setor privado e do chamado terceiro setor, terceirizar atividades, contratar e demitir trabalhadores pela CLT e comprar e vender toda sorte de serviços, indiscriminadamente. O que as fundações arrecadarem poderá ser utilizado de acordo com seus próprios critérios e prioridades, sem precisar do aval do Tesouro Nacional.

As fundações estatais somente poderão ser criadas ou extintas por Lei Ordinária. O PLP, em sua versão original, lista nove áreas nas quais poderão ser criadas fundações estatais: saúde (incluindo hospitais universitários), assistência social, cultura, desporto, ciência e tecnologia, meio-ambiente, previdência complementar do servidor público, comunicação social e promoção do turismo nacional. Mas com a tramitação do PLP no Congresso Nacional, evidentemente abre-se espaço para que todas as áreas de atuação do Estado - com exceção do aparato policial e judiciário, do fisco, das atividades fazendárias e da diplomacia, que são atividades exclusivas do Estado - passem a ser conduzidas pelas fundações.

Neste sentido, o substitutivo do deputado Pedro Henry (PP-MT), aprovado na Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, permite a criação de fundações para atuar também nas áreas de ensino, pesquisa, formação profissional e cooperação internacional. Com isso, as fundações poderão operar também no ensino médio e fundamental e as próprias universidades públicas, escolas federais e IFETs poderão ser transformadas em fundações.

Sob o pretexto de dotar o Estado da agilidade e da "flexibilidade" necessárias para concorrer com o setor privado, a criação das fundações estatais de direito privado representam um aprofundamento decisivo da reforma neoliberal do Estado iniciada nos anos 90, dando continuidade ao processo de privatização do Estado brasileiro ao abrir espaço para delegar progressivamente ao setor privado e ao chamado terceiro setor, pela via das fundações, toda a prestação de serviços públicos a população brasileira.

Seus principais impactos negativos estão listados abaixo:
a) com a criação das fundações estatais de direito privado, a contratação de servidores públicos, em caráter provisório, passará a se dar pela CLT, abrindo espaço para a eliminação do concurso público, da estabilidade no emprego e do RJU, importantes avanços propiciados pela Constituição de 1988 na direção do combate ä utilização patrimonialista do Estado e da necessária profissionalização do serviço público no país. Com isso, não só retiram-se direitos dos trabalhadores, como se abrem as comportas para a utilização corrupta e corruptora do poder público para fins privados, materializada, entre outros pontos, no poder arbitrário de contratar e demitir trabalhadores com o fim de formar redes clientelistas de distribuição de poderes, cargos, recursos e privilégios, como ocorria sistematicamente nos tempos anteriores à CF de 1988.
b) as fundações estatais de direito privado abrem espaço para que se generalize a prática da terceirização na contratação de trabalhadores e de serviços - o que, como demonstra a experiência, tende a se tornar mais um grave foco de corrupção, sobretudo porque as fundações gozarão da mais ampla autonomia administrativa, orçamentária e financeira. Mais do que isso, na medida em que elas terão receitas e patrimônio próprios, autonomia financeira, de gestão de pessoal, gerencial e orçamentária, liberdade para captação de recursos públicos e privados e contratar e vender serviços, as fundações estatais de direito privado dispõem de todas as condições estruturais para se tornarem verdadeiros balcões de negócios, como já ocorre com muitas das fundações privadas ditas de apoio à pesquisa nas universidades públicas.
c) com a criação de fundações estatais de direito privado para atuar em todas as áreas de atividade não exclusiva do Estado, o próprio Estado tende a se dissolver num conjunto fragmentado e descentralizado de fundações de direito privado. Para que a concorrência das fundações estatais com o setor privado na prestação de serviços à população possa se viabilizar, as próprias fundações terão de atuar como verdadeiras empresas privadas. Com isso, não é difícil prever que os serviços públicos prestados a população terão de se converter, de direitos de todos e deveres do Estado, como na Constituição de 1988, em mercadorias as quais terão acesso apenas os que por elas podem pagar.

Estamos assim diante de um imenso retrocesso na história do serviço público e do Estado brasileiro, com graves conseqüências para os servidores públicos e para a população como um todo, que pode tornar-se ainda mais destrutivo a depender das emendas que ainda poderão ser incluídas neste PLP.

Por tudo isso, lutamos pela rejeição do PLP 92/07 e conclamamos as entidades da sociedade civil, os sindicatos, os movimentos sociais, os parlamentares de todos os partidos, os servidores públicos e a população brasileira em geral a juntarem-se a nós nesta luta.

Em defesa do Serviço Público

Em defesa dos direitos dos trabalhadores

Em defesa das funções sociais do Estado

Em defesa do Estado e da Constituição Brasileira

Diga não ao PLP 92/07

Rodrigo Dantas. Professor de Filsofia Política na UnB e 2º vice-presidente do ANDES-SN

CUIL: o novo sítio de busca na web


Sua criadora, Anna Patterson, diz que será melhor do que o google. Para quem não sabe, Anna é uma das responsáveis pela tecnologia google de busca. Agora ela tem o seu próprio sistema de buscas. Quer experimentar?

PALAVRAS ESQUECIDAS


AQUADRILHAR

Significa reunir-se em quadrilha.
Exemplos:
1. Aquelas quatro pessoas se aquadrilharam para espoliar o erário.
2. O ato e o efeito de se aquadrilhar é crime.

R$ 160.000.000.000,00 em corrupção e fraudes


R$ 160 bilhões é quanto o Brasil perde, por ano, com corrupção e fraudes, diz estudo da KPMG

"As empresas e o governo brasileiros estão entre os mais expostos no mundo a crimes de colarinho branco, revela levantamento feito pela KPMG. De acordo com estimativas da consultoria, o país perde anualmente cerca de R$ 160 bilhões — ou 6% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país) — com corrupção e fraude, puxados principalmente pelos crimes de colarinho branco, como lavagem de dinheiro e sonegação fiscal."
Leia mais em O Globo

domingo, 27 de julho de 2008

Um texto sobre clientelismo, voto e crime


O jornalista Luiz Carlos Azedo publicou uma matéria explicando em poucas palavras como funciona o esquema de milícias, política e drogas no Rio de Janeiro. O elo entre o cidadão e o criminoso é um contrato de venda amplamente vantajoso a esse último. Permite-se ao cidadão "viver" em troca do voto e do silêncio. Existem dois tipos de contratos: um escrito pela violência (coação) e outro pela letra do clientelismo.
O jornalista enfatiza as palavras do sociólogo Werneck Viana, de que o fenômeno não é localizado, somente carioca. Está em todas as grandes cidades. Pode-se dizer que está em todas as instituições.

Cusiosamente o clientelismo foi uma das marcas da gestão denunciada da ex-reitoria. Não são poucos os comentários e as denúncias de coação na UnB: verbal, processual, assédio, etc.

O texto do sagaz jornalista, que pode ser lido na íntegra aqui, poderia ser transposto à UnB, guardando as devidas proporções? Tire a sua conclusão.

PALAVRAS ESQUECIDAS


TEDA

Tocha, archote; também se designa uma corda de esparta untada de breu, que se acende para iluminar um caminho.

Exemplos:
1. A teda iluminava o caminho de quem passava.
2. Confiamos em quem carrega a teda, não em quem se acha dono dela.

sábado, 26 de julho de 2008

PALAVRAS ESQUECIDAS


Um termo pouco usado, mas interessante:

SAZÃO

Substantivo feminino, refere-se acada estação do ano; tempo ótimo de colheita de frutos. No sentido figurativo, pode ser usado como oportunidade, situação favorável.
Exemplos:
1. Na sazão chuvosa teremos que nos proteger da umidade.
2. Chegou a sazão de democratizarmos a nossa instituição.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O segredo de estado que nem o estado sabe direito




A RAPOSA ESTÁ NO GALINHEIRO

Importantes fontes revelaram à AEPET que a multinacional norte-americana Halliburton, através da sua subsidiária no Brasil, Landmark Digital and Consulting Solutions, está administrando o Banco de Dados de Exploração e Produção (BDEP), da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sem ter passado por processo licitatório. E mais: as fontes informaram, ainda, que tiveram acesso ao parecer da Procuradoria Geral da República (PROGE), emitido em 2004, no qual exige que serviços prestados no BDEP sejam feitos mediante licitação. Mas, incrivelmente, a ANP até hoje não cumpriu a determinação da PROGE. A Landmark recebe e tem acesso a todos os dados estratégicos de exploração e produção da Petrobrás, além de receber R$ 600 mil por mês. A Halliburton administra o BDEP há 10 anos. Lembramos que a Halliburton, que já foi presidida pelo vice-presidente norte-americano Dick Cheney, atua no Brasil há mais de 40 anos e recentemente colocou um diretor de sua subsidiária em Angola [Nelson Narciso] na direção da Agência Reguladora, para gerenciar os leilões e o BDEP. Recentemente, Nelson Narciso trouxe para sua diretoria a SDB - Superintendência de Definição de Blocos, que vão a leilão. Ou seja, a Halliburton é quem manda na ANP, sendo responsável pela principais áreas de atuação da Agência Reguladora. A raposa está ditando as regras do galinheiro e parece que as nossas autoridades estão cegas diante de tal gravidade, que precisa ser corrigida o quanto antes. A sociedade brasileira precisa ficar de olho vivo e agir contra tais ilegalidades. Especialistas dão conta de que esse tipo de atividade [administração do BDEP] só existe no Brasil, assim como a jabuticaba. Nessa história toda, vemos que o diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, não passa de uma simples `Rainha da Inglaterra` e `garoto propaganda` da entrega das áreas petrolíferas nos leilões, enquanto a Landmark [Halliburton] é paga para acessar dados altamente estratégicos, resultado de décadas de pesquisas realizadas pela Petrobrás, que foi constrangida a cedê-los com o advento da Lei 9478/97. A Halliburton, principal articuladora da invasão ao Iraque, tem executado uma série de atividades de bilhões de dólares, sem licitações. A Halliburton é o principal membro da corporotocracia norte-americana, que junto com CIA, Sistema Financeiro e outras corporações exploram os recursos dos países em desenvolvimento. Saiu no site da AEPET, Associação dos Engenheiros da Petrobrás.

PALAVRAS ESQUECIDAS


Outro verbete do idioma:

LUGAR-TENENTE

Diz-se de quem fica no lugar de alguém que comanda, do chefe.
Exemplos:
1. O reitor ao sair, tentou deixar o decano como seu lugar-tenente.
2. Cada chefe escolheu o seu lugar-tenente.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

PALAVRAS ESQUECIDAS


CORVACHA

Fêmea do corvo. A palavra pode ser usada de forma objetiva ou pejorativa. Por exemplo:
1. A corvacha se aproximou do alimento voando em círculos.
2. Aquela corvacha há anos está nos círculos do poder.

Uma visão sobre as fundações nas Universidades públicas


O texto abaixo é uma visão sobre o processo administrativo e político das universidades federais. Não implica necessariamente em uma opinião do Coletivo UnB Livre. Em nome da diversidade de opiniões, publicamos . Foi veiculado pelo Correio Braziliense de hoje (24/07/08).

"A universidade abandonada

Aurélio Wander Bastos

Professor de direito e doutor em ciência política

As universidades públicas brasileiras formaram-se como agrupamento de faculdades isoladas e evoluíram como arranjos burocráticos com orçamentos organizados em função das faculdades. Esse modelo fortalecia os diretores, ficando os alunos fragilizados, os funcionários como bedéis e os reitores como chanceleres. O Decreto-lei nº 200/67, combinado com a sucessiva Reforma Universitária (1968 — 1971), fortaleceu financeiramente os reitores, mas engessou os orçamentos e departamentalizou as faculdades. Engessadas administrativamente e com a subsunção das universidades estatais, e autárquicas, à administração direta, criaram-se fundações mantenedoras, não apenas com verbas públicas, mas com recursos de empresas estatais e privadas em que o reitor era também o presidente.

O modelo provocou dois efeitos subseqüentes: por um lado os recursos orçamentários ficaram na responsabilidade da administração e por outro as empresas não subsidiaram as universidades. Nesse contexto, as instituições reverteram o quadro e criaram fundações mantidas por elas próprias com verbas privadas, administrando também parte das verbas orçamentárias não vinculadas ao pessoal. Os efeitos descentralizantes provocaram alterações nos diferentes mecanismos licitatórios e comprometeram os programas de ensino e pesquisa.

Esse quadro evoluiu para situações heterodoxas e as fundações de apoio não vêm aplicando as verbas segundo os objetivos fixados pelos conselhos, que se transformaram em órgãos homologatórios. A situação levou à ruptura com o rígido modelo licitatório e com os controles administrativos. O fortalecimento das fundações de apoio viabilizou a desconexão da universidade com o Estado de Direito e contribuiu para a alteração do conceito constitucional de autonomia universitária, aproximando-o do conceito de independência (des)funcional, paradoxalmente dentro do Poder Executivo. Essa novidade na administração tem provocado efeitos na composição dos órgãos centrais, desconstruindo o modelo de ensino superior.

Nesse sentido, a universidade pública está transmudando-se endogenamente em circuitos abertos, em que a lei se confunde com coerção e a legitimidade democrática com o legitimismo populista. A aproximação com programas externos é importante, mas não exatamente comprometendo o projeto educacional do Estado Democrático de Direito com relações diretas de poder como relações legítimas.

Essa flutuação desconectou a legalidade como seu pressuposto organizativo, para aproximá-la do legitimismo, não como expressão de legitimidade, mas como pressuposto da independência administrativa, sustentada nas fundações de apoio com recursos orçamentários da União. Isso demonstra que a “autonomia” da universidade está transformando unidades do poder público vinculadas ao Poder Executivo em órgãos executivos de políticas independentes, resistentes aos programas de governo, mas apoiando-se nos recursos orçamentários da União para viabilizar os seus projetos por intermédio dessas fundações.

Finalmente, esse quadro tem contribuído para a privatização interna das verbas públicas, que se contrapõe aos procedimentos administrativos. Tal efeito tem revertido os mecanismos legais para a indicação dos reitores pelo Conselho Universitário e de Ensino e Pesquisa, por meio de portarias internas contra legem, contrapondo-se ao Estado de Direito que pode ter efeitos sobre os atos homologatórios de reitores pelo presidente da República."

quarta-feira, 23 de julho de 2008

PALAVRAS ESQUECIDAS


O Blog inicia hoje uma abordagem quase diária de reavivamento de palavras que estão esquecidas em nosso cotidiano. Um papel de Preservação do nosso idioma e da nossa cultura. Hoje elegemos

CORUSCAR

significa brilhar; pode ser coisa que brilha ou olhar de alguém ou animal que brilha. Por exemplo:
1. O olhar dele coruscava ao ouvir falar da reitoria.
2. A limpeza fez com que os vidros coruscassem ao meio dia.

Lista dos candidatos com processos: eis uma boa idéia para a UnB


A AMB (Associação dos Magistrados do Brasil) divulgou ontem uma lista com os nomes de candidatos nas próximas eleições municipais que estão com processos na justiça eleitoral, fazendária e criminal. Os candidatos estão indignados pois consideram apenas que se justificaria a divulgação da lista depois de esgotadas todas as instâncias de apelação e condenção (algo que pode demorar em média uns 10 anos, com bons advogados de defesa). A AMB argumenta que não faz juízo de valor, que apenas divulga a lista. Quem julgará o valor do candidato é o eleitor.

Esta é uma boa idéia para as eleições a reitor na UnB. Já pensou eleger um reitor que no meio do mandato é condenado e preso? Seria como que condenasse toda a comunidade acadêmica. Um desgaste por aderência, ao nome da UnB e a todos nós. Um desastre! E sobre reitores desastrados e suspeitos, já tivemos experiências recentes - nauseantes.

Senado arquiva pedido de impeachment do Ministro Gilmar Mendes


O senado é ágil. Por considerar o pedido de impeachment, protocolado pela CUT, inconsistente, baseado apenas em notícias da mídia e sem fundamentação jurídica, o Senador Garibaldi Alves mandou arquivar o processo. O Senado é ágil e hábil.

terça-feira, 22 de julho de 2008

As Instituições do Estado são instrumentos de enriquecimento ilícito


"O historiador francês Ferdinand Braudel (1902-1985) observou que o capitalismo precisa se aproximar do Estado democrático para assegurar o processo de acumulação, mas é verdade também que muita democracia pode converte-se em obstáculo às ambições do capital. A generalização de procedimentos para a resolução de conflitos de forma pacífica; as exigências de transparência, de equidade e de reciprocidade nas regras do mercado e da política -- tudo isso dificulta em princípio a busca desenfreada do lucro e inspira incursões veladas ou explícitas para dentro do aparelho do Estado com vistas a conquistar e manter posições monopolistas e escapar assim da lei férrea da concorrência, que submete a todos democraticamente.

É nesse contexto que se explica a emergência de organizações criminosas, que buscam assenhorear-se do mercado, sobrepondo-se aos concorrentes de maneira ilegal e ilegítima -- o que somente se torna possível mediante acesso a recursos de poder que não estejam ao alcance dos concorrentes. Esses recursos ou instrumentos de poder localizam-se no Estado, a quem cabe o papel de guardião da livre competição.

Esse é o motivo por que o Estado se converte em alvo e butim do crime organizado, que busca infiltrar-se pela corrupção em suas instituições, na classe política, no poder Executivo, no Legislativo, no Judiciário, nos Tribunais de Contas, na burocracia estatal, enfim, nos seus mais altos e mais baixos escalões, para submeter o mercado, a sociedade e o Estado a seus desígnios de lucro e dominação, passando a usufruir de uma posição monopolista ou oligopolista. O livre mercado somente é bom para quem dele se livrou, ao se ter assenhoreado de uma posição estratégica que o mantém ao abrigo da erosão da livre competição, uma vez que esta ameaça reconduzir a todos, de modo recorrente, à sua insignificância inicial.

(...) Apropriar-se das políticas e do poder do Estado é tão importante como apropriar-se dos recursos do mercado -- e cada vez mais, no contexto ampliado da globalização, o êxito no mercado depende do êxito sobre o controle dos recursos (dinheiro e instrumentos institucionais) do Estado. E sempre que ocorrem momentos de mudança, ou de crise -- o da prevalência, na globalização, do capital financeiro sobre o capital produtivo, por exemplo -- o Estado deixa de funcionar como Estado formalmente de todos (o Estado na sua função pública de comando) para atuar como Estado de alguns, mais iguais que outros (o Estado com predomínio de sua função política de dominação)."

O texto selecionado acima é de autoria do deputado estadual Rui Falcão (PT-SP) e pode ser lido na íntegra na página eletrônica do mesmo.