sexta-feira, 20 de junho de 2008

FATEC, fundação ligada à Universidade Federal de Santa Maria, estaria ligada a milionário esquema de corrupção


As fundações que afundam Instituições de renome.
Há quase 9 meses vem sendo desvendado um milionário esquema de corrupção envolvendo o DETRAN e as Fundações ligadas às Universidades no Rio Grande do Sul. A Universidade Federal de Santa Maria foi envolvida no escândalo por uma fundação coligada (FATEC que agora mudou seu nome e chama-se FATECENS). O Ex-reitor, Prof. Sarkis (da Faculdade de Engenharia) está indiciado como co-autor da fraude. O "esquema" levou à uma crise jamais vista na política gaúcha, porque o maior montante alimentava a base aliada da governadora Yeda Crusius (PSDB). Yeda está afundando aos poucos. Modificam-se os personagens, mas os atores são sempre os mesmos: fundações, reitores, universidades, políticos etc.

Veja o que saiu hoje na Folha de São Paulo:

Planilha mostra mapa da propina no RS, diz denúncia Procuradoria cita lista de empresas e valores como evidência de subornos no caso Detran

Arquivo mostra distribuição dos R$ 2,2 milhões por mês que fundação recebia do Detran; o esquema teria desviado R$ 44 milhões


GRACILIANO ROCHA
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE

Uma planilha apreendida pela Polícia Federal na Operação Rodin, em novembro, detalha o destino do dinheiro da fase final da fraude no Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Rio Grande do Sul.
Na denúncia do Ministério Público Federal, a que a Folha teve acesso, a lista é mencionada como evidência do pagamento de subornos. Seria uma espécie de mapa da propina paga a funcionários do governo que ajudaram a montar um esquema de fraude a partir do superfaturamento de 40% dos valores cobrados para avaliar os candidatos a motorista.
O esquema no Detran, que jogou o governo da tucana Yeda Crusius em uma crise política e gerou uma CPI na Assembléia, teria desviado R$ 44 milhões entre 2003 e 2007. Hoje, são 40 os réus na Justiça.
A planilha estava em poder de José Antônio Fernandes, dono da Pensant Consultores e acusado de ser o mentor do desvio por meio de um esquema envolvendo duas fundações ligadas à UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), que repassavam dinheiro recebido do Detran para empresas subcontratadas irregularmente.
Essas empresas, segundo a Procuradoria, pagavam suborno a servidores e a operadores políticos. Além disso, parte do dinheiro desviado, diz a denúncia, serviu para o enriquecimento dos donos de empresas.
Elaborada possivelmente em setembro, a planilha mostra como foram distribuídos os R$ 2,2 milhões por mês que a Fundae (Fundação para o Desenvolvimento e o Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura) recebia do Detran nos três meses que antecederam a operação da PF. A lista relaciona os nomes de empresas com valores em reais. Ao lado da coluna de valores aparece outra com o título "Desp. Op." As "despesas operacionais", diz a Procuradoria, são os valores com que cada empresa "contribuía para a formação da propina". Variam de R$ 450 mil a R$ 472 mil mensais entre agosto e outubro.
Das empresas citadas, quatro pertencem a Fernandes ou a seus familiares -Pensant, IGPL, GCPlan e Natchigall Luz Advogados Associados. Segundo a denúncia, tratava-se da "espinha dorsal" da fraude. Em agosto e setembro, as empresas receberam R$ 1,06 milhão e empregaram R$ 510 mil nas "despesas operacionais".
Quando foi preso, Rubem Hoher, dono da Doctus Consultoria, listada na planilha, disse à PF que o dinheiro circulava em malas. Também na lista, a Carlos Rosa Advogados Associados recebeu até agosto R$ 132 mil, que teriam sido repassados à propina, diz a denúncia. A lista mostra que a Fundae repassou verba à Fatec.

E tem mais:
"Esquema suspeito do Detran-RS foi levado para o Maranhão
Governo maranhense cancelou contrato com fundação após vê-la envolvida na operação da PF que deflagrou o escândalo no Sul. Além do contrato realizado com o órgão de trânsito do Maranhão, grupo chegou a propor o esquema para Goiás e Santa Catarina
ANA FLORE,NVIADA ESPECIAL A PORTO ALEGRE
O grupo que montou o esquema de desvio de dinheiro no Detran do Rio Grande do Sul exportou a estrutura criminosa para um segundo Estado e chegou a oferecer serviços semelhantes a pelo menos duas outras unidades da Federação. A Fatec (Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência) assinou contrato com o Detran do Maranhão em outubro de 2007 para prestação de serviços. A fundação de Santa Maria passaria a realizar os exames de primeira habilitação e de renovação por troca de categoria.... O contrato foi firmado sem licitação por ser emergencial...O contrato, que deveria ter duração de 36 meses, foi cancelado menos de um mês após entrar em vigor. O governo do Maranhão optou pelo cancelamento dois dias depois de a Operação Rodin, da Polícia Federal, ser deflagrada no Rio Grande do Sul, em 6 de novembro de 2007. A operação prendeu 13 suspeitos de participar da fraude. Em maio, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público Federal e transformou 40 pessoas em réus.A lista do corpo técnico previsto para a prestação de serviços ao Detran do Maranhão, conforme a proposta da Fatec, incluía sete pessoas que estão atualmente denunciadas pela Procuradoria pelos crimes de formação de quadrilha, locupletamento em dispensa de licitação, peculato (desvio de dinheiro público) e corrupção ativa. Entre elas, José Antônio Fernandes, dono da Pensant Consultoria, apontado como um dos responsáveis pelo esquema que desviou R$ 44 milhões do Detran gaúcho. A Pensant era contratada pela Fatec no Rio Grande do Sul para prestar serviços ao Detran-RS. Há dezenas de horas de conversas em que representantes da Pensant e da Fatec tentam chegar a um acordo sobre o trabalho oferecido ao governo do Maranhão.Em depoimento à PF, Gilson Araújo de Araújo, funcionário da AND (Associação Nacional de Detrans), disse ter sido contratado pela Pensant para criar um manual de procedimentos para registro e licenciamento de veículos que seria usado em Detrans de outros Estados.Araújo, que viajou junto com Fernandes ao Maranhão para apresentar o projeto, disse que a Pensant tinha uma lista com contatos em Detrans de outros Estados. A Folha apurou que o próprio Araújo havia sido contratado pela Pensant porque, por estar ligado à AND, tinha contatos com Detrans em todo o país. Na segunda tentativa, na gestão do atual presidente do Detran, Fernando Palácio, o acordo foi firmado. Araújo disse ainda que a viagem feita por Palácio para visitar a sede da Fatec no Sul foi intermediada pela Pensant.

O Diretor-geral do Detran do Maranhão, Fernando Palácio, diz que a Fatec foi contratada emergencialmente em 2007 para substituir a Fundação Carlos Chagas, responsável pelos exames de habilitação até então. A decisão de rescindir o contrato com a FCC não partiu do Detran, segundo ele, e a autarquia teve prazo só de 15 dias para fazer a substituição.Palácio diz que a Fatec tinha na época imagem de entidade idônea, ligada a uma universidade federal. "Não havia nada contra a fundação até aquele momento. Assim que surgiram as denúncias no Rio Grande do Sul, cancelamos os serviços." O contrato foi cancelado menos de um mês após o início do trabalho, assim que a PF deflagrou a Operação Rodin, em novembro de 2007.

Um comentário:

Anônimo disse...

Pra ver,até onde foi a atitude de pessoas irresponsáveis, insanas, c´rapulas inconsequentes, marginais, que acabaram com projetos de pessoas íntegras de sociedade em geral.Apunição máxima a eles estipulados é o minimo que deveria acontecer...sou gaúcho com muito orgulho e estas pessoas deveriam ser exiladas com repúdios severos sem recomeço de nada...