quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

As imagens de 2008



São mostradas em três partes. Algumas são chocantes e doloridas; outras são lindas. Veja aqui:
Parte 1
Parte 2
Parte 3

Este é o último post desse blog, que se encerra aqui. Muito obrigado aos leitores !

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

XDR - TB, a mais terrível das variantes de tuberculose


XDR-TB é a abreviatura da tuberculose extremamente resistente às drogas. Uma em cada três pessoas no mundo está com o germe dormente da TB. Qualquer doença crônica (HIV, hapatiite, etc), idade avançada ou o uso de substâncias que baixem a imunidade, pode tornar a bactéria ativa. O tratamento tradicional não funcona nesse tipo de infecção, devendo o paciente ser tratado com uma terapia diferenciada.
Um site, o XDRTB.org, se dedica a uma campanha mundial para o controle da doença. A doença depende de uma ação global, pois não atinge somente os países miseráveis. A doença pode estar ao seu lado. Clique no site e conheça a XDR-TB. A adesão à campanha é uma forma eficaz de deter a XDR-TB. No site há fotos dramáticas, como essa acima, de uma senhora indiana tomando a medicação diária e respirando oxigênio. As imagens são do jornalista James Nachtwey, um dos principais envolvidos na campanha.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Bolívia se torna livre do analfabetismo


Se conhecer é o caminho para a libertação, a Bolívia deu um passo gigantesco neste último sábado, dia 20 de dezembro. A Bolívia foi declarada livre do analfabetismo. A iniciativa foi uma ato conjunto com alfabetizadores de Cuba e Venezuela. Aliás, a Venezuela já havia sido alfabetizada há dois anos atrás com a ajuda de Cuba.
Um índio governando o segundo país mais pobre das Américas, catalisou essa proeza, essa dívida de 5 séculos de exploração e escravidão cultural.

Alguns fatos curiosos marcaram esse processo alfabetizador.
Primeiro, a alfabetização foi uma libertação feminina, porque em torno de 85% dos analfabetos do país eram mulheres.
Segundo, a alfabetização teve como meio auxiliar, 30 mil televisores e videocassetes por onde eram transmitidas as aulas, auxiliadas por facilitadores. Esses televisores foram doados por Cuba.
Terceiro: a Bolívia tem graves problemas de geração e distribuição de energia elétrica, apesar do excedente (exceente?) de gás. Onde não havia eletricidade, foram instalados geradores alimentados por painéis solares, doados por Cuba e Venezuela.

Os custos da empreitada: 36,7 milhões de dólares.
Tempo da campanha: 3 anos

Repercussão na história: 500 anos de atraso sendo realocados para a hodiernidade.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Um sapato contra 600 bilhões de dólares em violência, ganância e barbárie

Adolescente ferido no Iraque.
600 bilhões, hoje, 23 h de 18/12/2008 (fonte Zfacts).

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Correio Braziliense destaca denúncia aceita pela Justiça contra professor da UnB por crime


Prof. Carlos Alberto Bezerra Tomaz, ex-diretor da FINATEC.

"Finatec

Justiça acata denúncia

O juiz Edson Lima Costa, da 3ª Vara Criminal de Brasília, aceitou denúncia contra o ex-dirigente da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec) da UnB Carlos Alberto Bezerra Tomaz. Ele é acusado pelo Ministério Público do DF (MPDFT) de apropriação indébita — porque teria usado verba da fundação para compras pessoais. Em 2007, o MPDFT investigou gastos de diretores da Finatec e encontrou despesas com combustível, passagens aéreas, restaurantes, bares e hospedagem . O Tribunal de Justiça do DF (TJDFT) afastou a diretoria da fundação em fevereiro deste ano e nomeou um interventor. As partes do processo foram intimadas ontem e Carlos Alberto tem 10 dias para apresentar defesa.


Editor: M. Tokarski
Subeditores: Ana Paixão, Roberto Fonseca, Valéria Velasco
e-mail: cidades@correioweb.com.br
Tels. 3214-1180 • 3214-1181"

Esse blog sente-se no dever de abrir espaço para a defesa do professor denunciado, caso o queira. Basta enviar para os comentários que será publicado na íntegra, desde que não contenha ofensas pessoais e inverdades.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

TJDFT recebe denúncia contra ex-dirigente da Finatec, Carlos Alberto Bezerra Tomaz


"O Juiz da 3ª Vara Criminal de Brasília recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra o ex-Presidente da Finatec Carlos Alberto Bezerra Tomaz. Ele é acusado de crime de apropriação indébita enquanto dirigia a instituição.

Entre 2006 e 2008, Carlos Alberto teria realizado diversos gastos de natureza pessoal utilizando verbas da Fundação. As despesas incluem refeições em restaurantes de alto padrão e combustível.

O denunciado tem prazo de 10 dias para apresentar defesa. A pena prevista para o crime de apropriação indébita varia de um a quatro anos, além de multa."


Carlos Alberto Tomaz é Professor Titular. Está lotado no Instituto de Biologia e na Faculdade de Saúde da UnB. Ocupou e ocupa vários cargos de chefia e comissões de avaliação. Uma enorme responsabilidade e que deve ser de uma conduta exemplar a um professor titular.

Os docentes e discentes da UnB esperam que o referido professor denunciado possa esclarecer os fatos de que é acusado. A verdade precisa transparecer. Caso seja condenado, os docentes e discentes também esperam que seja reparado o dano causado ao erário público e que a punição seja exemplar.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A saga da FINATEC, a afundação que vai virar FINADEC


A PETROBRAS doou 2 milhões para erguer o mais moderno laboratório de geologia em Brasília. O montante foi repassado à FINATEC que contratou a Marca Engenharia (lembram-se dela? quem é dono dessa empresa), sem licitação, para erguer em 2005 com recursos públicos o laboratório de geologia. A notícia pode ser vista completa clicando aqui (saiu na revista Época).

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Banco Central mantem os juros em 13,75%



Claro. Não é ortodoxia ou teologia ortodoxa econômica. São mãos de seda que assinam a Ata do COPOM. Mãos lavadas com pó de pérolas. Nada melhor do que um momento de crise como esse para fomentar a dependência da produção, da administração do estado e do trabalho ao capital financeiro especulativo. A estagnação da economia é o vapor sulfuroso para necrosar um governo que sobrevive de suspiros. Prepare-se para a queda de um dos presidentes no Brasil: ou Henrique Meirelles ou Lula da Silva.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

A FINATEC ganha uma ouvidoria


Mensagem divulgada na rede UnB, comunica a criação de uma ouvidoria na FINATEC, nos seguintes termos:


"A FINATEC no intuito de melhorar o atendimento ao seu público, bem como atualizar, modernizar e dar mais transparência a sua gestão, instituiu a OUVIDORIA FINATEC. A intenção com essa medida é o estabelecimento de um canal de comunicação e de um instrumento para resolução de conflitos e demandas junto à fundação.

As manifestações podem ser enviadas para http://www.finatec.org.br/ouvidoria/publico ou para ouvidoria@finatec.org.br .

Caso você tenha algum projeto executado ou em execução junto a fundação, participou de algum evento ou utilizou nossas dependências, gostaríamos que avaliasse o nosso atendimento e a prestação do serviço.

Agradecemos sua manifestação

Atenciosamente"

Assina Sr. Aryosvaldo José de Sales


O Sr Aryosvaldo é formado em Ciência Política pela UnB. Tem especialização em Orçameto Público. Em agosto de 2008 foi recebido pela Procuradora Geral da União , em uma visita onde expos aspectos da ouvidoria na FINATEC. Curioso que passados cinco meses somente agora os professores da UnB, principais interagentes com a FINATEC, foram informados da presença de um ouvidor. Algumas perguntas ficam no ar: foi nomeado e/ou escolhido por quem? Tem independência e estabilidade? Tem representatividade? São requisitos básicos para que uma ouvidoria funcione de forma idônea e independente .

domingo, 7 de dezembro de 2008

Futebol, do imponderável ao pragmatismo de resultados



O futebol é um esporte universal. Ainda falta muito para que se analise sob o ponto de vista sociológico, antropológico, sociobiológico e comportamental esse esporte que tem encantado o planeta terra. Correr atrás de uma bola, defender, tomar, fazer o gol, a vibração, o sentimento de pertencimento a um grupo, a uma tribo mesmo que efêmera e isolada no caos mundial, é arrebatador. Contaminante, uma febre de desejos, de aritmética, de geometria do impossível. De desejo por uma natureza surreal, uma aposta na quase impossível trajetória da bola, contrariando as leis comuns da física e da química. Futebol é a excepcionalidade da regra. A interface entre arte e ciência. Há um consenso de prazer tácito entre os que participam desse esporte, desde a faixa de Gaza ao subúrbio de Berlin; dos Palancas Negras de Angola ao campo do Utah Valley State College. O Brasil com seus milhares de times formais e milhões de times formados e desformados a cada hora, é o paradigma inigualável dessa contravenção ao ordenamento e ao sequenciamento cartesiano da tática e da estratégia.
Um encantamento assim não poderia ficar incólume ao mercado. Aliás, é o mercado que sustenta o espetáculo. As vezes o espetáculo é o mercado. Onde se vendem chuteiras, meais, calções, símbolos, flâmulas e jogadores. Onde se vendem e se compram reputações e regras morais.
A estranha (es)história de tentativa de suborno de um árbitro para o jogo decisivo do campeonato brasileiro de 2008, faz parte dessa feira de negócios, que geram milhões de patacas. E votos. Votos que foram computados quando o imponderável Ricardo Teixeira, presidente da Confedaração Brasileira de Futebol, fez uma jornada pelos gabinetes atapetados do Congresso Nacional, desconfigurando a CPI do futebol.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Um texto magnífico do filósofo Cristóvão Feil


"O velho Hegel cantou a pedra"

O real enfeitiçado

“O indivíduo está sujeito à completa desordem e aos riscos do todo. A massa da população está condenada ao trabalho embrutecedor, insalubre e inseguro das fábricas, manufaturas, minas, etc. Ramos inteiros da indústria, que sustentam largas faixas da população, entram subitamente em falência, seja porque a moda mudou, seja porque os valores de seus produtos caíram por conta de novas invenções em outros países, seja por qualquer outra razão. Massas inteiras são assim abandonadas à irremediável pobreza. O conflito entre a extrema riqueza e a maior pobreza, uma pobreza incapaz de melhorar sua situação, aumenta sempre. A riqueza…torna-se um poder predominante. Sua acumulação se processa em parte ao acaso, em parte através do modo geral de distribuição… O lucro desenvolve-se em um sistema multiforme que se ramifica por setores nos quais o pequeno negócio não pode lucrar. A máxima abstratividade do trabalho penetra nos tipos de trabalho mais individuais, e segue ampliando sua esfera. Esta desigualdade entre riqueza e pobreza, esta indigência e necessidade, tem como resultado a desintegração completa da vontade, a rebelião interna e o ódio”. (Hegel)
...
Assim, na modernidade do homem alienado, a consciência dos indivíduos está invertida, porque a própria realidade está invertida. A realidade do mundo das mercadorias é uma representação do real, não é o real. O real está enfeitiçado (fetichizado), reificado, transfigurado em representações subvertidas de sujeito e objeto. As mercadorias são sujeitos qualificados pelos homens, os homens são objetos quantificados pelas mercadorias. O homem sem qualidades, exaurido de humanidade, agora, não se humaniza, por que esbarra sem cessar na hostilidade dos objetos por ele próprio criados, mas que ele não os reconhece como seus. Há um objeto no meio do caminho da nossa humanidade. O nivelamento ético-moral dominante é uma metafórica sarjeta. O resultado dessa desumanização generalizada são os horrores do nosso cotidiano: a violência como reguladora da vida; a morte como normalização do conflito; a crescente fascistização das relações no trabalho, no trânsito, na vida urbana; o capitalismo de quadrilhas; a ciência que conspira contra a Natureza; a divinização do dinheiro; a dinheirização do corpo e dos afetos, etc., etc."

Vale a pena ler completo. É curto. Veja clicando aqui.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Ação da cruz roja Argentina - o homem derretido



Um ativista alertando sobre o aquecimento global, distribui panfletos no centro de Buenos Aires. Genial! Veja mais clicando aqui, no blog Comunicadores.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Piadas em Wall Street

Wall Street responde a crisis financiera con bromas

16:00 | 02/ 12/ 2008

Nueva York, 2 de diciembre, RIA Novosti. La recesión que azota a Wall Street, otrora un símbolo del poderío financiero de EEUU y hoy en día principal culpable de la crisis global, se manifiesta estos días no sólo en la pérdida de billones de dólares y miles de empleos sino también en bromas y chistes que circulan de boca a boca, en chats o por correo electrónico.

Y aunque sea una manera de reír con lágrimas, genera mayores esperanzas de estabilización que las promesas gubernamentales.

"Fui a comprarme una tostadora y me regalaron un banco" es uno de los chistes más recurrentes hoy en EEUU donde quebraron más de 20 instituciones financieras en lo que va de año.

La drástica caída de las bolsas dio origen a otro chiste, el de un ejecutivo anciano intentando tranquilizar a los accionistas: "Hace 40 años, vendí 500 títulos de nuestra empresa y me compré una camioneta Ford de 1967. La semana pasada, vendí otros 500 títulos y otra vez pude adquirir una camioneta Ford del mismo año".

El mercado hipotecario fue la primera víctima de la crisis que se desencadenó en verano pasado. Desde entonces, los precios inmobiliarios cayeron en un 20% como promedio. Como resultado, urbanizaciones enteras en las zonas turísticas de Florida y California permanecen ahora sin un solo inquilino.

"Elimine el elemento que está de más en la siguiente cadena lógica: sífilis, herpes, sida, condominio en Miami. La respuesta es sífilis porque se cura", bromean a este respecto los inversores.

Publicado hoje (2/12/08) na agencia RIA Novosti. Mantivemos o idioma espanhol para não perder a originalidade.

Capitalismus

Genial. Baseada em um filme de Ernst Ingmar Bergman.

Daniel Dantas é condenado a 10 anos de prisão



Deu em toda a imprensa do país. Cara de sorte, esse Daniel. Já pensou se é na China?

Charge por Ique.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

400 reais para assistir Goiás X São Paulo no Bezerrão


400 reais. Querem aproveitar que saiu o décimo terceiro salário e é o jogo final dos sãopaulinos e gremistas, para assaltar o espectador. Os dirigentes do time do Goiás (que determinam o preço), camungam aquela velha e preconceituosa idéia: Brasília é cidade de fácil vida e de dinheiro fácil. A visão do colonizador do século XVII: vir, expoliar e voltar.
Preço de Bezerrão. Assim não dá. Ninguém vai. Boicote nesses exploradores!

sábado, 29 de novembro de 2008

IMAGÉTICA

Sem palavras.

Pode um acadêmico ser realmente livre? Ou pode um libertário ser acadêmico?


"Who wants to be an academic these days, and what do they do? All the smart people go and work for McKinsey, right? They’re all bankers or something. Who wants to come and waste seven, eight years of their life on their intellectual passion to be trained and prepared for a life as teacher in a university? I don’t want to sacrifice my professional probity, but most academics are not people who change the terms of academic debate; they are people who recycle and elaborate on the insights of others. That’s what most of us do. And if you’re not one of those people, if you have an original agenda of your own, it’s not always easy to get it recognized. It’s not always easy to work across disciplinary lines; it’s not always attractive to be an intellectual—and I don’t mean a public intellectual, but to be an intellectual rather than a scholar. Sometimes those things are pulled in different directions, and it would be silly to pretend that tension isn’t there."
Paul Gilroy em http://www.transitionmagazine.com/articles/shelby.htm

Censura de blogs


Blog e Censura na Itália e no Brasil: Dois Países um Problema


O texto é uma crítica à tentativa de institucionalizar a censura da livre manifestação do pensamento na internet. Foi escrita pelos blogueiros do blog IkaroBrasil. Lembrando que na Italia o comando está com o Sr. Berlusconi, um sujeito muito suspeito.

VAMOS PlANTAR ÁRVORES?



Não jogue no saco de lixo a semente. Enterre-a em algum lugar.

ENTERRE UMA SEMENTE POR DIA!

O ex-reitor pagará uma multa de 5 mil reais a CGU


A CGU condenou o ex-reitor Timothy Mulholland a pagar 5 mil reais por ter repassado verbas de cursos e matrículas direto da FUB para a FINATEC. Não poderia. Deveria ter sido depositado na conta do Tesouro Nacional. Cinco mil. Pouco para quem tem uma coleção de carros antigos. Vale o simbolismo da moralização.
A Diretoria da FINATEC, formada por docentes da UnB, com toda a assessoria dos seus contadores e advogados regiamente pagos, não poderia ter aceitado esse repasse da FUB. Ao contrário, deveria ter orientado a aplicação correta das verbas. Que falta de visão administrativa!

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Santa Catarina sofre com a falta de ações preventivas

Foto do site G1.

Estamos todos impressionados com a destruição em Santa Catarina. Culpa-se a chuva e a ocupação antrópica desordenada de áreas de risco.
Os agentes do Estado são pagos para gerenciar, organizar e proteger os contribuintes; e administrar emergências. O Estado não pode gerenciar o clima. Pode e deve organizar a população e o espaço público. Preferiu apostar na sorte. Apostas com a vida das pessoas.

Podemos ajudar de várias formas a população daquele estado formoso. Uma delas, é passar algum tempo das férias de verão por lá. Viver a cultura e a natureza exuberante daquela região encantadora. Injetamos dinheiro na economia e acenamos com esperança de que as coisas vão melhorar.

Pergunta e memória


"Quem promoveu a mais ampla privatização da educação no Brasil?"
Emir Sader

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

HUB, uma ligeira visita e algumas impressões


Hoje estive no HUB. Fui acompanhar um paciente e na espera do atendimento fiquei rondando por lá. Não é um espaço que eu vá, mesmo que esporadicamente. Não quero ir, cemitério e hospital são dois locais que me trazem a lembrança do sofrimento. Mas deveria ir mais, me envolver mais com aquele espaço público de desafios entre o sofrimento e o linimento. Entre a dor e a esperança. Deveria me envolver mais como professor, servidor público e cidadão.

Estive por um par de horas. Pude constatar algumas mudanças, desde que estive lá há dois anos. Está mais limpo e mais organizado. Ainda vemos filas, mas há cadeiras e poltronas, velhas, consertadas, remendadas, que cumprem o papel de servir algum conforto ao paciente. Olhei no interior das salas dos atendentes e dos médicos; as cadeiras eram de igual ou de menor conforto do que as cadeiras dos pacientes. Algumas sem estofados serviam para os atendentes e para o médico. Lembrei agora de uma famosa cadeira na reitoria, mas deixa para lá. Observei as mesas austeras, com poucos adornos e sem ostentação.

Em uma sala um atendente mostrava orgulhoso um computador para uma colega, que havia conseguido de um outro setor. Um computador com Windows 98, da geração Pentium alguma-coisa. Ele estava orgulhoso por ter recuperado aquele aparelho e colocado a funcionar. No momento navegava na internet, sem nada mais urgente para fazer.

Estive somente no andar térreo, entre a unidade de EEG/ECG,a pediatria e o atendimento oncológico. Falei com atendentes, com porteiros, com seguranças e outros funcionários. Todos solícitos, formais e envolvidos em informar ou atarefados em seus ofícios. Não fiz comentários sobre a administração, apenas pedi informações.

Fui a dois banheiros. Não havia naquela hora da manhã papéis jogados e excrementos emersos nos vasos sanitários. Estão mais decentes, menos olorosos e funcionais.

Fiquei observando a arquitetura do prédio principal. As paredes externas e a decoração são austeras, frias, sem graça e sem energia. Não chegam a ser hostis, mas são cores e contrastes que velam pelo sofrimento. Não irradiam esperança.

Ao sair pensei que as coisas estão funcionando por lá. Essa foi uma impressão ligeira. Claro que há melhorias gigantescas a fazer e que minha rápida visita não permitiu aquilatar com mais profundidade. Na linha de mudança prometida pelo atual reitor, me questionei se o HUB precisa de uma administração colegiada, com maior participação de segmentos da sociedade. Para angariar mais fundos, apoiar mais pesquisas e mais ação médica e paramédica naquele espaço. Investir mais em saúde preventiva e menos curativa.

Verdade que há escassez de verbas no sistema de saúde no Brasil. Ou melhor, as verbas são desviadas. A mídia está dando destaque essa semana ao grave problema da FUNASA, denunciada inclusive pelo Ministro da Saúde. Que recebeu um puxão-de-orelha dos chefões do seu partido para não mexer nesse vespeiro ou nessa mina de ouro. Um jogo político que envolve toneladas de dinheiro, empurra parte desta verba para paraísos fiscais, fazendas e doleiros.

Foram só algumas impressões. Há muito que fazer, eu sei. De todas as impressões, uma sensação daquele ambiente está me inquietando. Parece haver falta de mulher na administração, na condução daquele espaço. Explico-me: parece haver falta de uma mão feminina, de decoração feminina, do arranjo feminino daquela espaço. Senti a falta disso. Não vi uma estética feminina. A sobriedade do ambiente me parece com a falta de um acolhimento materno. Falta uma estética feminina com mais cores, contrastes, flores, mais detalhe, mais vida, mais sorrisos iluminados que só as mulheres possuem. Talvez, mesmo com as dificuldades, o investimento em um ambiente mais feminino, pudesse diminuir o sofrimento e dar a esperança que só as mães, mulheres, podem dar à dor dos filhos e filhas. É isso, nesse momento, acho que falta um pouco mais de feminino no HUB.

Vanner Boere, Professor.

O texto não reflete necessariamente o pensamento do Coletivo UnB Livre.

domingo, 23 de novembro de 2008

Racismo, truco e etanol: a UnB na mídia



O Correio Braziliense publicou uma reportagem sobre um incidente de racismo que ocorreu na UnB na última semana. O incidente envolve dois estudantes afro-descendentes e um professor do Instituto de Geologia. O incidente ocorreu quando professor e alunos (alguns mais) jogavam truco regado a cerveja, dentro do Centro Acadêmico de Geologia. Desentendimeto no jogo levou a manifestações grosseiras que podem tipificar racismo do professor.
Como salientou a administração, o uso de bebidas alcóolicas nas depedencias da UnB é proibido. Aí já se tem um erro de todos. Outro problema refere-se ao truco ou ao carteado nas dependências da UnB. Houve aposta a dinheiro? Com ou sem apostas, não parece ser um esporte para ser tolerado como tal. Pode se dizer que é uma tradição e defender o carteado, o truco e outros jogos de mesa como uma manifestação cultural. Pensando melhor, é mais tradicional na Universidade que se estude, que se leia, que se troque idéias acadêmicas e que se pesquise nas horas preciosas que passamos na UnB. No espaço público UnB. Assim, para quem defende o "esporte" do carteado, poderíamos defender outros esportes ou atividades lúdicas: motocross, karaokê, arvorismo etc...você aceitaria?
E o racismo? Difícil decidir a intencionalidade sem avaliar o contexto. O episódio deve ser pedagógico para evitar que no calor da pendenga aflorem os sombrios monstros do preconceito.
A administração do Prof. JGS irá apurar os fatos. Que seja. Se houver punições, que sejam justas.

sábado, 22 de novembro de 2008

Você quer publicar uma hipótese da área médica?


Você sabia que tem um periódico científico onde é possivel publicar hipóteses, sem resultados empíricos, experimentais ou observacionais? Isto é possível no Medical Hypothesis. Você deve ter uma hipótese que é claro, deve possuir todas as características de uma boa hipótese.

Veja a apresentação introdutória dos objetivos do MH:
"Medical Hypotheses takes a deliberately different approach to review. Most contemporary practice tends to discriminate against radical ideas that conflict with current theory and practice. Medical Hypotheses will publish radical ideas, so long as they are coherent and clearly expressed. Furthermore, traditional peer review can oblige authors to distort their true views to satisfy referees, and so diminish authorial responsibility and accountability. In Medical Hypotheses, the authors' responsibility for the integrity, precision and accuracy of their work is paramount. The editor sees his role as a 'chooser', not a 'changer': choosing to publish what are judged to be the best papers from those submitted."
Veja alguns títulos de artigos:
Can insulin resistance be reversed by insulin therapy?
Li Zhao, Dongdong Sun, Feng Cao, Tao Yin, Haichang Wang
Dental implants with the periodontium: A new approach for the restoration of missing teeth

Cheng Lin, Qing-Shan Dong, Lei Wang, Jun-Rui Zhang, Li-An Wu, Bao-Lin Liu
Peaks of solar cycles affect the gender ratio
George E. Davis, Walter E. Lowell
Multiple sclerosis: Could it be an epigenetic disease?
Murat Kürtüncü, Erdem Tüzün
Regulation of K+ channels may enhance wound healing in the skin
Dawon Kang, Tae Hyun Choi, Kihwan Han, Daegu Son, Jun Hyung Kim, Sang-Hyon Kim, Jungbin Park


O MH é bem classificado quanto ao fator de impacto. Ao publicar você ainda receberá acesso para o site da rede mundial de hipóteses médicas, por um ano.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Como escrever para esse blog


Se você precisa escrever alguma coisa mais reservada, que não seja explícita nos comentários, pode enviar para Vanner (vannerboere@uol.com.br), que é quem está manejando os principais aspectos do blog nessa fase.